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A primeira entrevista de 2025 traz o professor e escritor José Neres, como destaque.

O convidado é membro efetivo da Academia Poética Brasileira e da Academia Maranhense de Letras.

10/01/2025 às 08h15 Atualizada em 31/01/2025 às 15h04
Por: Mhario Lincoln Fonte: Mhario Lincoln/Facetubes
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Prof. José Neres/APB-MA
Prof. José Neres/APB-MA

Professor e Mestre por profissão e por coração

EDITORIA DO FACETUBES. Copywriter: Mhario Lincoln, jornalista e poeta

 

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I


São Luís do Maranhão, terra de encantos literários e vestígios de um passado glorioso, orgulha-se de abrigar um dos mais eruditos professores de nossa época: José Neres. Alicerçado por uma devoção inabalável ao ofício de ensinar, triunfa na tarefa de conduzir mentes ávidas por conhecimento. Para ele, o ato de lecionar é "um desafio constante, requerendo preparação primorosa e dedicação intensa" (pesquisa de campo). Porém, em José Neres percebe-se, sem dúvida, a força e a coragem que sustentam sua boa vontade e dedicação, cotidianas, mesmo quando o fardo das horas é pesado e o cansaço teima em se impor.

 

II


José Neres expande sua influência intelectual ao pesquisar, com afinco e disciplina quase monásticas, cada nuance da literatura maranhense. Recorre a arquivos esquecidos, desvenda manuscritos pouco explorados e reconstrói fragmentos de nossa história, sempre buscando a essência mais pura das letras da velha São Luís dos Azulejos, já carcomidas pelo tempo. Tudo isso com aquela paciência irredutível e uma concentração que beira o 'ilogismo', além da grande virtude de ser um homem desprovido de ansiedade, especialmente, por dar vazão a toneladas de humildade, apreço e respeito ao outro, mesmo representando o que ele representa, dentro do cenário literário nacional. (Poucos são assim). E aqui, merecidamente, vale trazer à mesa Khalil Gibran que ensinou: "(...) a simplicidade é o último degrau da sabedoria".

 

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III


Desta forma, atitude incansável desse mestre se revela ainda mais nos textos que ele produz com elevado esmero literário, fruto de longos dias e noites de imersão nas palavras e nos segredos dos grandes autores maranhenses. São produções que respiram acuidade crítica, elegância estilística e profundo respeito pela memória cultural de sua gente. Tal domínio das letras foi, com justa causa, reconhecido pelas Academia Poética Brasileira e Academia Maranhense de Letras, que o receberam em seus seletos quadros de imortais, celebrando a robustez de seu pensamento e a limpidez de sua pena.

 

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IV


Em meio aos escombros da rotina extenuante, José Neres escolhe florescer no terreno dos livros, das reflexões, das ideias e dos sonhos. O exemplo que esse professor legou — e continua a legar — a tantos jovens estudiosos atravessa fronteiras e instaura, entre admiradores de São Luís e além-mar, o impulso de conhecer e valorizar a grandeza de nossa literatura. O dr. Angelo Santos, ex-aluno do professor Neres, filho mais velho do editor-sênior desta Plataforma,  em recente depoimento, disse: "(...) essa luta do professor José Neres é inspiração todos nós. Principalmente quando desejamos unir coragem, determinação e amor pelo ensino brasileiro. Ele é um exemplo do profundo respeito e da sincera admiração que ele dedica àqueles a quem ensina". Angelo Santos é advogado e empresário, em Curitiba-Paraná.

V

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Portanto, a primeira entrevista de 2025, é com José Neres:

FACETUBES:Qual o livro da literatura maranhense que mais o impactou em 2024? 

JOSÉ NERES: Tivemos bons lançamentos em todos os gêneros em 2024. Claro que fica impossível acompanhar todas as obras que saem. Porém, houve uma que me causou uma ótima impressão, que foi a reedição do livro A Virgem da Tapera, uma novela de João Clímaco Lobato, cuja primeira edição veio a público em 1861 e de lá para cá havia caído no esquecimento. Mas, graças aos esforços da professora Maria Aparecida Ribeiro - que localizou, transcreveu e fez as anotações da obra - e do professor Henrique Borralho, que coordenou o projeto, podemos novamente ter acesso a esse importante trabalho.

 

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FACETUBES: Pode falar sobre as razões de sua escolha?

JOSÉ NERES: Para quem vive tentando divulgar a obra dos autores que nem sempre são lembrados pelo grande público, é muito importante poder entrar em contato com um trabalho do século XIX, mas que já traz no seu bojo elementos que remetem ao insólito e que, ao mesmo tempo, serve como ponto de referência para o estudo da linguagem e dos costumes de determinada época. Trata-se, então, de uma obra que pode servir como fonte de estudo para diversos momentos de nossa literatura.

 

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FACETUBES: Quais projetos literários para 2025; pessoais ou coletivos?

JOSÉ NERES: É sempre muito difícil pensar em projetos literários para um ano que pode trazer consigo grandes dificuldades em diversos âmbitos da sociedade. Porém, não podemos desanimar. Pretendo continuar editando a Revista Tijubina, colaborando com o Canal FaceTubes e continuar escrevendo meus artigos que saem todas as segundas-feiras no meu blog. 
Do ponto de vista coletivo, o grupo Gelma, do qual faço parte de desde o início, pretende em breve trazer de volta o livro Alabastros (1909), de Gomes da Costa, um autor que continua quase desconhecido, mas que teve grande importância em sua época 

 

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FACETUBES: Há esperanças para que melhore a leitura de livros no Brasil? Quais incentivos pedagógicos pertinentes poderiam contribuir para um melhor desempenho em 2025? 

JOSÉ NERES: Esperança sempre deve haver. Mas não podemos viver apenas da esperança. É importante que haja interesse político em levar os livros até as mãos e os olhos dos alunos dos diversos níveis de ensino. É cada vez mais raro encontrar jovens com um livro nas mãos. Claro que muitos estão lendo em dispositivos móveis, mas é preciso também lembrar das pessoas que  não têm celular, computador, tablet ou Kindle e que gostam de ler. É preciso incentivar o contato com os livros físicos e com a obra dos autores nacionais e regionais. 

FACETUBES: O que falar sobre o incentivo do maranhense em ler e indicar obras conterrâneas, além dos nomes costumeiramente citados?

JOSÉ NERES: Essa é uma batalha que precisa ser retomada a cada momento. Os leitores precisam conhecer a literatura de seus entornos e valorizar a produção local, contemporânea  ou não. Mas como a tiragem das obras locais costuma ser pequena e não conta com uma distribuição eficiente, os autores locais quase sempre são pouco estudados e têm pouca divulgação. Dessa forma, acabam caindo no esquecimento, o que é uma pena, pois temos ótimos autores e excelentes livros à espera dos leitores.

 

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FACETUBES: O maior destaque literário na poesia maranhense em 2024?

JOSÉ NERES: Há um rapaz muito talentoso chamado Natan Campos que vem construindo uma obra sólida que oscila entre os sonetos clássicos e os cordéis com a mesma maestria. Recentemente, ele trouxe à luz o livro Viola de sete cordéis - Clave de lua, que traz textos que podem ser utilizados em sala de aula para incentivar a leitura e também servir de base para discussões acerca de diversos temas. Mas antes, ele já havia publicado o livro A Ilha Naufragada, contendo sonetos cuja temática central é a capital maranhense. Um excelente escritor!


FACETUBES: Mais considerações?

JOSÉ NERES: É sempre bom poder falar de literatura. Precisamos de mais espaços como o FaceTubes, para fomentar o interesse pelos autores de todas as épocas e sua produção artística.

 

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FELIZ 2025

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JaimeHá 12 meses Brasília/DFPresidente, parabéns por mais uma publicação, de alto valor cultural.
Marly FreitasHá 1 ano professora de S.Luíz.Professor Neres, concordo em genero, número e grau.
Luzianne de Freitas NerysHá 1 ano Teresina PiauiCaro Mhario. Antes parabenizá-lo peloi bnrilhante trabalho. DDurante todo o ano, tenho lido e me memocionado com esse seu trabalho belíssimo. Segundo, por abrir o ano com essa extraordinária entrevista, digna mesmo de um Didáskalos que é a expressão que se refere aos Grandes Mestres gregos (Fui pesquisar rarara). Sou amiga da imortal Luiza Cantanhede. Feliz 2025.
Professora Elizabeth PinheiroHá 1 ano Caxias MaNeres, essa foi a frase de maior bonsenso que li nos ultimos 345 dias, de que nós devemos conhecer a literatura (seus entornos e valorizar a produção local, contemporânea ou não).
Luiz Nataneal Castro, leitor e poetaHá 1 ano São Luís, passando festas de anos em Anajatuba MASamira, se o Neres tivesse que avaliar e elencar os grandes nomes da poesia maranhense nos últimos 5 anos seria uma lista longa, não acha? ele escolheu o hoje e o agora, concorda?
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