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"Noivo-Lobo em Pele de Cordeiro", de Edomir Martins de Oliveira

" O rapaz tinha boa aparência, se vestia muito bem; era um homem elegante...."

30/10/2020 10h50
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
Ilustração ML
Ilustração ML

Capítulo 33

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

 Edomir Martins de Oliveira, Vice-Presidente Nacional da APB

 

 

NOIVO-LOBO EM PELE DE CORDEIRO

 

 

        O rapaz tinha boa aparência, se vestia muito bem; era um homem elegante. Quando ia à casa da namorada apresentava-se sempre bem trajado. Com a simpatia que possuía, logo foi bem aceito por toda a família e pela sociedade local, haja vista que era católico praticante, que nunca perdia a missa de 4a-feira e do domingo, sempre sentando nos primeiros bancos e fazendo generosas ofertas. Participava assiduamente da entrega de sopas semanalmente aos necessitados, e promovia entrega de presentes com festejos em bairros carentes, nos dias das crianças, no natal e na páscoa. Com esse perfil ganhou fama de homem generoso na cidade e muitos achavam que deveria entrar na política, tão necessitada de homens que realmente pensam no próximo.

Desse jovem a única informação que se tinha era que viera de outro estado e aqui fixara residência. Dizia-se formado em Direito, filho único, cujos pais eram falecidos. Acrescentava que trabalhava no mercado de ações, o que proporcionava uma vida confortável.

        Por esse tempo, ocorria na cidade uma enorme onda de assaltos, cujos bandidos realizavam os crimes mascarados, para impedir as respectivas identificações. A imprensa informava que eles agiam em casas de condomínio de luxo, onde sabiam existir famílias de grandes posses.

Os assaltantes não cometiam violência física, nem homicídios. Nos registros policiais não havia registro sobre isso. Mas havia um do bando que se destacava pelo seu porte físico alto e atlético.

E ele seguia a sua vida, quieto, discreto, procurando ajudar o próximo, sempre muito gentil e atencioso com todos. As pessoas comentavam que era impressionante como parecia que a felicidade desse homem residia em ver o próximo feliz.

Foi em uma dessas reuniões de igreja, que conheceu uma jovem de família conceituada na cidade e dessa troca de olhares nasceu um sentimento que logo se transformou em namoro.

        Os namorados até conversavam muito sobre os assaltos que vinham ocorrendo na cidade, e o rapaz sempre se mostrava bastante indignado.

        Depois de algum tempo, os namorados noivaram. Muitos amigos da Igreja parabenizavam os pais da jovem pela joia de criatura que a filha havia encontrado e rogavam para que suas filhas tivessem a mesma sorte. Algumas pessoas da igreja, tidas como maldosas, diziam que esse rapaz deveria esconder alguma coisa, pois não existia alguém perfeito assim. -Ah! Humanidade cruel que logo faz mil e uma conjecturas contra pessoas das quais nada sabem! - Diziam os admiradores do rapaz.

Como os pais gostavam muito de festas, fizeram uma recepção íntima para comemorar o noivado, onde foram servidos vinhos excelentes; e uma tia da noiva, muito chegada à mitologia grega, lembrava à sua sobrinha que os garçons não deveriam deixar as taças vazias, e procedessem como a deusa Hebe, - sendo também a Deusa da Juventude- quando servia vinhos aos deuses para não lhes deixar nada faltar. Tudo a ver com os noivos, que apreciavam vinhos de qualidade. Marcaram até a data para o casamento.

Felizes, os noivos marcaram a data do casamento e esperavam ansiosamente a constituição da família legítima. Entendiam os familiares que o rapaz elegante deveria ser de boa família, que agora adotara a cidade da noiva como a sua também. O noivo, em momento algum, colocou alguém na lista de casamento, seja familiar, amigo ou mesmo conhecido. Mas ao invés desses fatos levantarem alguma dúvida sob a sua história pregressa, ocorria o contrário; as pessoas se solidarizavam pela sua orfandade e ausência de histórico familiar.

Poucos meses antes do casamento, o noivo já não tinha mais a mesma assiduidade e pontualidade nos compromissos assumidos com a noiva, muito embora continuasse a se mostrar apaixonado. Explicava que compromissos profissionais estavam a lhe exigir muito do seu tempo, o que ressaltava que também havia o lado bom, pois estava ganhando muito dinheiro. Tal condição, dizia à noiva, possibilitaria que comprassem logo um imóvel de luxo para iniciar a vida de forma bastante confortável.

E a noiva tudo entendia, dando-se por feliz por ter um noivo tão guerreiro e trabalhador. Em uma nova viagem que o noivo faria com o retorno previsto para 10 dias, este não aconteceu. Ele telefonou informando que demoraria mais uns poucos dias, porém chegaria com ótimas notícias. Por aquela época, não havia ainda celular e a noiva ficava esperando ansiosa pelas suas ligações.

Até que o dia tão esperado chegou!!  Na hora prevista para o casamento, a igreja estava cheia de convidados. Enquanto o noivo aguardava a entrada da sua amada, que tinha se atrasado, veio a triste verdade. Policiais chegaram à igreja, portando mandado judicial de prisão, o algemaram e o colocaram em uma viatura policial, pois ele que nunca estava em sua residência para que a ordem de prisão fosse cumprida, essa fora a oportunidade.

Que atraso providencial foi o da noiva!! Nada viu e, assim, foi poupada de sair em fotos nas manchetes da grande mídia, o que aumentaria ainda mais o seu sofrimento.

Foi um escândalo! Ninguém sabia o porquê da prisão de um homem tão educado e íntegro. Com certeza haviam armado uma cilada contra ele, diziam os membros da igreja que muito o admiravam.

O noivo foi levado para o xadrez, e o casamento não foi celebrado. Tudo no dia seguinte foi noticiado pela imprensa. Um prato cheio para os noticiários policiais. Os jornais, no outro dia, colocavam fotos e anunciavam o nome do meliante. O noivo era o “chefe alto e de porte atlético” da quadrilha de assaltantes que assombrava a cidade.  Com esta prisão efetuada, prender o restante do bando foi fácil. Foram todos presos pois o "chefe" entregou um por um, para tranquilidade dos residentes em bairros nobres da capital.

A noiva teve a fase da negação, pois achava impossível o seu noivo ser esse bandido. Mas provas inquestionáveis foram apresentadas a ela na delegacia, e aos poucos ela foi introjetando a triste realidade. A polícia a liberou, depois de entender que ela era apenas mais uma grande vítima desse bandido.

Os pais da jovem, arrasados, para preveni-la de ser torturada com comentários maldosos, com telefonemas de amigos e conhecidos lamentando o fato, levou-a para um passeio no exterior dando graças a Deus pelo casamento não se ter realizado. As despesas efetuadas para o casamento não significavam nada ante o livramento da filha de um bandido que teria ao seu lado como marido. Disseram ao cerimonial que providenciasse a distribuição dos alimentos entre pessoas carentes e os presentes foram devolvidos aos remetentes.

Felizmente ela continuava uma jovem livre, pois, poderia se casar com outro homem que não fosse pilantra e muito pelo contrário, a amasse, e ela amá-lo também. Tempos depois ela casou com um jovem médico, muito conhecido na sociedade local por ser um homem de bem, pertencente a uma família unida, feliz e muito bem-estruturada. E o casal presenteou as suas famílias com filhos inteligentes e saudáveis. 

  Recuperou-se a jovem da tristeza e da decepção ante o consolo Bíblico contido em o Livro dos Salmos, 30:5 “…O choro pode durar uma noite; pela manhã, porém, vem o cântico de júbilo”.

 

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Edomir Martins de Oliveira
Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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