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Edomir Martins de Oliveira: "A Banda Desafinou"

Do livro, "Finalmente a noiva chegou".

06/11/2020 12h15
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
Edomir Martins de Oliveira
Edomir Martins de Oliveira

Capítulo 34

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira, Vice-Presidente Nacional da APB 

 

Ilustração e montagem ML (Com imagens Google).

A BANDA DESAFINOU

Tudo começou quando o prefeito pediu a linda jovem em casamento, 32 anos mais nova que ele. Mas além da peculiar beleza, a seleção da noiva foi uma escolha calculada, pois a sua família era extremamente influente e querida na região, e certamente tal união resultaria em altos dividendos políticos para o prefeito, que já em segundo mandato, planejava se eleger deputado estadual. Mas havia amor entre eles.

Porém, as coisas não foram tão fáceis como previa o prefeito. O pai não estava satisfeito em ver a sua filha casando com homem 32 anos mais velho e, em protesto, se recusou, a pagar as despesas do casamento. A mulher ainda tentou argumentar por diversas vezes, mas ele foi irredutível.

Isso para o Prefeito não era problema, pois poderia facilmente fazer uma grande festa, o que seria até muito bom para os seus planos políticos. Entretanto, aconteceu uma situação muito saia-justa. Uma tia da noiva, que era considerada rica e que não tinha filhos, e por essa   sobrinha nutria um grande amor maternal, fez questão de informá-los que ela bancaria toda a festa, com muito prazer, e fazia questão de pagar todas as despesas. Afinal, dizia, eu tenho muito dinheiro guardado e para mim, você sempre foi uma filha.

Os noivos entraram em pânico. O prefeito ainda tentou argumentar que ele fazia questão de colaborar, pois a lista dele era vasta por ser político e que não achava justo aceitar tamanha generosidade. Mas a tia estava irredutível. Bateu com o salto do sapato duramente no chão e disse que ele poderia enviar a lista de convidados que quisesse, mas as despesas seriam com ela. O pai da noiva, que era conhecido por avarento, ficou feliz com essa disposição da sua irmã, tia da noiva.

Mas o que os desesperou é que a tia não tinha noção dos vultosos custos que envolviam um casamento e, além disso, sempre foi conhecida por ter um gosto um tanto quanto duvidoso, para não dizer cafona, e extremamente mão de vaca, fatos que os deixou muito impressionados quando decidiu bancar o evento. Realmente com essa atitude ela estava comprovando um enorme amor que tinha pela sobrinha.

Ainda não se dando por vencidos, os noivos tentaram argumentar por várias vezes com ela para que desistisse dessa ideia, pois sairia muito caro, cansativo e estressante, mas a tia, em cada tentativa de intervenção em seus propósitos, reiterava que isso já estava decidido e ponto final. Dando-se por vencidos, portanto, a noiva procurou administrar o problema da melhor forma. Apresentou um cardápio para as entradas, jantar e sobremesas, com algumas sugestões de tradicionais bufês.  A tia tomou um enorme susto quando começou a receber os orçamentos. Explicou à sobrinha que ela contrataria o bufê de uma amiga da cidade vizinha, que sempre acompanhava em viagens da Igreja. Garantiu que era coisa fina e farta. A noiva nunca ouvira falar desse bufê e ficou bastante apreensiva.

Depois, a sobrinha lhe apresentou a necessidade de contratar duas famosas e animadas bandas para tocar a noite toda, para que não houvesse interrupção de som. Os noivos queriam que a festa se prolongasse até o raiar do novo dia. Além disso, também precisavam da contratação de dois tenores, um para cantar na entrada da noiva e outro ao final da cerimônia uma Ave-Maria, que ela gostava muito. 

A noiva também apresentou os gastos com a decoração e a cada orçamento a tia beirava um infarto. Pedia um tempo para procurar outras empresas. A tia animada em promover a festa, já se encontrava cabisbaixa e irritadiça. Mas sob hipótese alguma dava o braço a torcer. Tentou convencer a sobrinha que as flores de plásticos proporcionariam uma linda decoração, porém a noiva não estava disposta a abrir mão disso. Já havia aceitado um bufê que nunca havia escutado falar, mas para flores não cederia. 

O vestido de noiva foi pago por um tio, que sentindo o estresse familiar reinante, disse que pagaria o vestido aonde a sobrinha escolhesse.

No dia marcado para o casamento, tudo foi realizado conforme as promessas da tia. Os noivos que já haviam feito contato com o Pastor da Igreja local, tiveram uma conversa preliminar com ele, que os conscientizou da importância do matrimônio e que deveria prevalecer o amor conjugal com fidelidade recíproca entre marido e mulher.

À hora da cerimônia os noivos disseram o célebre SIM com alegria, e o Pastor declarou-os casados sob as bênçãos de Deus.  

O cerimonial era um que atendia ao único clube social existente na cidade. A equipe, justiça se faça, executava os serviços próprios com a maior alegria e dedicação. Mas como moças de interior, faltava-lhe, o treinamento profissional adequado. 

E quanto às bebidas? Segundo a tia, tudo estava sendo servido com as marcas da amada cidade, valorizando o que possuíam. Nada de bebidas importadas. Foram servidos ponches de vinho “sangue de boi”, caipirinhas da cachaça “Inspiração”, da terra, com muito gelo e limão, cajuína não alcoólica, sucos e refrigerantes. 

A Música de entrada na Igreja, bem como a Ave-Maria que a noiva desejava fosse cantada na saída, foram interpretadas magistralmente, por um amigo da tia conhecido por cantar músicas religiosas na Igreja. Mas até que essa economia deu certo, pois a voz desse tenor era lindíssima!

Essas pessoas, segundo a madrinha, eram consideradas como pratas da casa, e tinham de ser valorizadas. E o bufê de sua amiga da Igreja da cidade vizinha? Os preços tão mais baixos que os demais tinham que ter um porquê. A entrada foi um tanto sofrível, e patê com torradas foram servidos como canapés. O filé prometido, de filé mesmo não tinha nada, não era nem alcatra, embora tenha sido usado um amaciante de carne para torná-la bem degustável. As sobremesas eram frutas regionais e coube a vários convidados, decepcionados com o bufê, esperar pelo bolo. Este, a tia cumpriu à risca as orientações da noiva e recebeu inúmeros elogios: belo e gostoso.

      Para economizar, a tia contratou uma banda conforme a noiva havia solicitado. E a outra foi da região, que na primeira música já ficava clara a falta de sintonia entre os músicos e a voz desafinada da cantora, que insistia em cantar apenas músicas do sertão e baião. Aí, um cabo eleitoral conhecido por sua bonita voz de seresteiro, vendo o fiasco da cantora contratada, pediu uma “canja”, pois queria homenagear os noivos e houve-se bem, resultando em vários pedidos de “bis” pois havia acompanhado o compasso da banda, com a qual muito se entrosou e os convidados caíram na dança, muito animados. 

Como o contrato com a banda era de apenas 4 horas, para contornar a situação, o prefeito foi até ao músico líder, e aumentou o cachê em 3 vezes para que eles tocassem até o amanhecer. Estava salva a festa. Deu certo! Nos primeiros raios do sol a alegria ainda reinava no coração dos noivos, e de vários convidados. E a tia nunca imaginou que isso acontecesse. Achou que os músicos eram incansáveis porque o palco de dança estava sempre animado e pedindo mais.

O Pastor, que o Pai sonhava trazer do Rio de Janeiro, para o evento  de sua filha, ele cancelou essa ideia, por não aprovar o casamento. Foi substituído pelo humilde Pastor do município que se, desenvolveu muito bem em sua missão, fazendo uma bela homilia, que agradou a todos. Deus colocou em seus lábios a palavra certa a ser dirigida ao povo, fazendo o Pastor referência ao contido no Livro I Pedro 5:5 - ...”E cingi-vos todos de humildade uns para com os outros, porque Deus resiste aos soberbos. Mas dá graça aos humildes”. 

Para a tia, o que mais importou é que a felicidade reinou e a festa foi muito animada. E apesar de birrenta, mão de vaca da tia, às vezes sem noção, os noivos agradeceram-lhe muito, pois ela passou por cima de vários dos seus valores para promover essa festa, e isso demonstrou um amor verdadeiro pela sobrinha. E para finalizar, a tia, já considerada solteirona, foi quem pegou o buquê da noiva e, muito animada com sua superação para bancar esse evento, perguntava em solilóquio: - serei eu a próxima a casar? Quem me dera!

E quanto ao pai? Depois de muito ponche, estava felicíssimo e dançou com a mãe da noiva, sua esposa, até o sol nascer.  Quando queria descansar, ia até a mesa do genro e já começava a traçar com ele as estratégias de sua almejada campanha para deputado estadual. O que a bebida não faz? Chamavam em seguida vários convidados, eleitores, e saíam fazendo trenzinho pelo salão. Tudo parecia lindo, não fosse pelo dia seguinte em que teve a pior ressaca de sua vida, afinal as bebidas simplórias, regionais segundo a tia, não garantiam a alegria do dia seguinte. Quem mandou não apoiar a filha? - Pensamento inevitável.

 

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Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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