
O Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão chega ao seu centenário envolto na mesma atmosfera cívica e espiritual que marcou a sua instalação, em 2 de dezembro de 1925, quando São Luís se uniu às homenagens nacionais pelo centenário de nascimento de Dom Pedro II.
Fundado em 20 de novembro daquele ano, em honra ao imperador, o IHGM nasceu sob o signo da memória e da gratidão, com a missão de estudar, preservar e divulgar a história e a geografia do Maranhão e do Brasil.
Desde o começo deste ano, o IHGM elaborou um conjunto de ações claramente voltadas para marcar o ano do Centenário. Uma dessas, em março, o Instituto realizou a Assembleia Geral de Abertura do Ano Cultural 2025, no auditório do curso de História da UEMA, ocasião em que foi apresentado o selo oficial do Centenário do IHGM e exibido um vídeo biográfico sobre Antônio Lopes, patrono da Casa.
O evento homenageou como Patrono do Ano o jesuíta Padre João Felipe Bettendorff e promoveu a outorga de títulos de Sócio Honorário, homenageando as mulheres do Instituto – com declamação de poemas que incluíram textos de mulheres poetas maranhenses – e encerrou a noite com o lançamento de dez livros do confrade Joseh Carlos Araújo, reafirmando a vocação editorial do IHGM.
Desta feita, neste 2 de dezembro, a programação do centenário se desdobrou em um gesto simbólico poderoso: a Missa em Ação de Graças, por exemplo, na Igreja de Santo Antônio, presidida por Dom Gilberto Pastana, arcebispo de São Luís do Maranhão, com o padre Clauber Pereira Lima (concelebrante), padre Ayrton Frank Castro Pinheiro, reitor do Seminário Santo Antônio e e Raimundo Gomes Meireles, chanceler da Arquidiocese.
O altar tornou-se, assim, extensão natural da Casa de Antônio Lopes, sede do Instituto, unindo a vocação intelectual do IHGM a uma dimensão de fé que sempre atravessou a formação histórica do estado.
Foto, Clero: Dom Gilberto Pastana, Arcebispo de São Luís do Maranhão e os padres Raimundo Meireles, Clauber Pereira Lima e Ayrton Frank Castro Pinheiro, Reitor do Seminário Maior da Arquidiocese de São Luís do Maranhão, com o presidente do IHGM, José Augusto Oliveira.
A data ganhou ainda mais relevo por dialogar com o bicentenário de nascimento de Dom Pedro II, patrono da cultura brasileira, cuja figura foi determinante para a criação, no século XIX, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e, por consequência, da rede de institutos históricos estaduais.
Ao celebrar seu próprio século de existência, o IHGM reafirma esse vínculo com o projeto de nação que encontrou na ciência histórica, na erudição e na cultura letrada um eixo de construção de identidade.
Ao longo de cem anos, o Instituto consolidou-se como a instituição científica mais antiga do Maranhão, referência para pesquisadores, professores, estudantes e para todos os que buscam compreender a complexidade da formação maranhense.
Pelas suas cadeiras passaram nomes decisivos da vida intelectual e política do estado, e em sua biblioteca, arquivo e acervo iconográfico repousam documentos essenciais para reconstituir a trajetória de cidades, famílias, movimentos sociais, ciclos econômicos e tradições culturais que moldaram o Maranhão contemporâneo.
A programação do centenário, que inclui exposições, palestras, reedições de livros e periódicos, concursos histórico-literários e sessões solenes em instituições parceiras, demonstra que o IHGM não celebra apenas o seu passado: renova o compromisso com o futuro do conhecimento histórico e geográfico.
A interlocução com a Assembleia Legislativa, universidades, academias de letras e outras entidades culturais amplia o alcance público das comemorações e projeta o Instituto para além dos muros de sua sede, reafirmando-o como foro privilegiado de debate sobre a memória e o destino do Maranhão.
Vale acrescentar, que a Missa em Ação de Graças, descrita no convite institucional, assumiu o caráter de síntese desse percurso. Quando intelectuais, autoridades, membros da Igreja e amigos do IHGM se reúniram para agradecer pelo centenário e celebrarem as gerações de pesquisadores voluntários que, sem outro interesse senão o serviço à cultura, dedicaram suas vidas a ordenar arquivos, escrever livros, revisar mapas, interpretar documentos e oferecer ao público uma leitura rigorosa da história maranhense.
Em tempos de aceleradas transformações tecnológicas e de circulação fragmentada de informações, o centenário do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão lembra ao país que instituições de memória são pilares de estabilidade histórica. Uma prova de que preservar a história é um ato permanente de fé na identidade e no futuro do povo maranhense.
ABAIXO, ÁLBUM DE FOTOS
(Crédito: IHGM)










Mín. 18° Máx. 30°