Joizacawpy Costa, colunista da Plataforma Nacional do Facetubes
Em uma noite de luz, embalados pelas trovas, aconteceu na Galeria Trapiche a abertura do ano cultural da Academia Maranhense de Trovas (AMT), cujo homenageado é Humberto de Campos. Foi nessa atmosfera fértil de poesia e intelectualidade que todos os presentes se congratularam, dando forma a uma verdadeira corrente em prol da literatura maranhense.
A cerimônia foi iniciada com a composição da mesa por Wanda Cunha, presidente da AMT; Laura Amélia, vice-presidente da Academia Maranhense de Letras (AML); o vereador de Humberto de Campos, Arão Neto; o secretário de educação do município de Humberto de Campos, Emanuel Fernando Ramos; Dilercy Adler, vice-presidente da AMT; o acadêmico Campos Filho; e o professor Antônio Monteiro, fundador da cadeira patroneada por Humberto de Campos. Em seguida, deu-se a fala da presidente Wanda Cunha, que acolheu a todos e declarou a cerimônia aberta.
O evento foi regado a poesia, palestra, música e performance teatral. A acadêmica Luciana Cunha, juntamente com Josimael Caldas, brindou os presentes com uma linda apresentação: ela entoou o poema "Motivo", de Cecília Meireles, acompanhada de uma melodia suave, enquanto Josimael performava o momento. Em seguida, ele declamou o poema "Miritiba" com uma performance impecável, digna de aplausos.
O acadêmico Campos Filho, cujo patrono é Humberto de Campos, fez o elogio ao escritor, trazendo ao público boa parte de seus feitos e trajetória. A cerimônia foi encerrada com um Sarau de Trovas protagonizado pelos membros da AMT.
Miritiba
(Humberto de Campos)
É o que me lembra: uma soturna vila
olhando um rio sem vapor nem ponte;
Na água salobra, a canoada em fila...
Grandes redes ao sol, mangais defronte...
De um lado e de outro, fecha-se o horizonte...
Duas ruas somente... a água tranqüila...
Botos no prea-mar... A igreja... A fonte
E as grandes dunas claras onde o sol cintila.
Eu, com seis anos, não reflito, ou penso.
Põem-me no barco mais veleiro, e, a bordo,
Minha mãe, pela noite, agita um lenço...
Ao vir do sol, a água do mar se alteia.
Range o mastro... Depois... só me recordo
Deste doido lutar por terra alheia!
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