
Editorial: é fácil ganhar dinheiro no Tik Tok, como dizem?
Ganhar dinheiro com livros e poesia no TikTok já não é fantasia de rede social, mas também não acontece por milagre. Hoje, o caminho mais sólido mistura três frentes: vender a própria obra, transformar atenção em comunidade leitora e converter a própria autoridade em oportunidades comerciais. O TikTok informa que criadores podem monetizar de várias formas, conforme o país e os requisitos da conta, incluindo colaborações com marcas via TikTok One, programas de recompensa, LIVE com Gifts (presentes) e assinaturas; além disso, a TikTok Shop já opera no Brasil e permite vender produtos diretamente por vídeos, lives e pela vitrine do perfil.
Para o escritor, isso muda tudo. Em vez de usar o aplicativo apenas para “anunciar livro”, o mais inteligente é publicar conteúdo que faça o leitor parar, sentir e comentar: leitura de trechos curtos, bastidores da escrita, origem de um poema, reação de leitores, cenas do cotidiano de quem escreve e vídeos que respondam dúvidas reais de quem quer ler ou publicar. Essa lógica conversa com o próprio funcionamento de descoberta da plataforma, que dá peso ao interesse do público, à busca, ao tempo de visualização e ao quanto o conteúdo corresponde ao que as pessoas procuram. Não por acaso, o TikTok afirmou em 2025 que as buscas brasileiras relacionadas a livros dobraram em seis meses e lançou, com Globo Livros, HarperCollins Brasil e Record, um concurso para autores independentes com publicação e verba de divulgação.
DICA: o autor que ensina, emociona, comenta tendências e cria vínculo tem mais chance de vender do que aquele que apenas repete “compre meu livro”. O mercado continua atento a esse movimento: as vendas de livros impressos subiram para 762,4 milhões de exemplares em 2025 nos pontos monitorados pela Circana BookScan, e a ficção adulta seguiu fortalecida com ajuda do BookTok. Em outras palavras, para quem escreve bem e aprende a se mostrar melhor, o TikTok pode deixar de ser vitrine passageira e virar porta real de faturamento, leitores fiéis e até convite editorial. Lembre-se no entretanto: não existe “fórmula mágica” no TikTok, mas existe método replicável: o que mais faz um perfil literário crescer é retenção (as pessoas ficarem no vídeo), repetição (consistência) e comunidade (conversa real com leitores). E isso não é teoria: o BookTok/BookTokBrasil virou força concreta no Brasil, com crescimento forte de conteúdo e bilhões de visualizações, a ponto de o próprio mercado editorial tratar a plataforma como “espaço fundamental” para leitura e venda de livros.
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DENÚNIA GRAVE
Édouard Louis ( nascido Eddy Bellegueule em 1992) é um renomado escritor e intelectual francês, figura de destaque da autoficção contemporânea) recoloca a discussão sobre a liberdade literária num ponto sensível ao lembrar que a vigilância sobre livros sempre foi um instrumento típico de Estados autoritários. O porquê de sua fala ganha força justamente porque ecoa um alerta histórico: quando o poder passa a decidir o que pode ou não ser lido, não está apenas regulando obras, mas moldando consciências. A literatura, nesse sentido, deixa de ser um espaço de expressão e se torna um território policiado, onde o pensamento crítico é visto como ameaça.
O que está em jogo, portanto, não é apenas a defesa de autores ou de obras específicas, mas a preservação de um princípio fundamental: a palavra livre. Louis aponta que a literatura incomoda porque revela, denuncia, expõe contradições e desigualdades que muitos prefeririam manter invisíveis. Ao tentar controlar livros, governos buscam controlar narrativas — e, por consequência, limitar a capacidade das pessoas de imaginar alternativas ao mundo que lhes é imposto.
O como esse debate ressurgiu está ligado ao contexto contemporâneo, marcado por tentativas de censura, pressões morais e disputas políticas sobre o que deve circular no espaço público. O que causou essa reação é justamente o incômodo que a crítica literária provoca quando toca em temas sensíveis ao poder. A fala de Louis reacende uma verdade antiga: regimes que temem livros temem, na verdade, a liberdade de pensar. E é por isso que, sempre que a vigilância retorna, a literatura volta a ocupar o centro da arena política — como um dos últimos bastiões da imaginação e da resistência.
A IMPORTÂNCIA DO PRÊMIO JABUTI - Depois da indicação ao Jabuti, André Cunha surge com nova coletânea de crônicas e reafirma, com rara elegância, que o gênero permanece vivo, necessário e intelectualmente fértil no Brasil. Em suas mãos, a crônica não se reduz ao registro apressado do cotidiano, mas se eleva à condição de lente sensível sobre o tempo, os afetos e as pequenas vertigens da vida comum. É justamente aí que reside sua força maior: na capacidade de transformar o instante aparentemente banal em matéria de permanência, preservando, ao mesmo tempo, a delicadeza do olhar e a inteligência crítica de quem compreende que narrar o presente também é um modo de decifrar a alma de uma época.
BOMBÍSSIMA DIGITAL
Meta parte para a ofensiva judicial contra golpes com IA
A big tech abriu ações contra anunciantes no Brasil, na China e no Vietnã por golpes com “celeb bait”, (golpe de celebridades) e fraude por assinatura. Também enviou notificações extrajudiciais a consultores que prometiam driblar a moderação da plataforma. O movimento mostra que 2026 começou com tolerância menor a anúncios fraudulentos e deepfakes comerciais.
Deepfake virou até “curso” — e isso entrou na mira
No caso brasileiro, a Meta diz ter acionado grupos que usavam imagens e vozes alteradas para vender produtos de saúde irregulares. Segundo a companhia e o noticiário setorial, parte da operação também envolvia venda de cursos ensinando manipulação digital para criar “vendedores virtuais”. É um sinal forte de que o mercado de IA já entrou na fase do combate ao uso fraudulento.
Instagram amplia vigilância sobre buscas sensíveis de adolescentes
A plataforma começará a avisar pais que usam supervisão quando adolescentes fizerem repetidas buscas ligadas a suicídio ou automutilação em curto intervalo. A Meta afirma que alertas semelhantes para conversas com IA devem chegar depois, ainda neste ano. Segurança digital e bem-estar juvenil seguem entre os assuntos mais quentes das redes em 2026.
Threads testa um feed mais obediente ao usuário
Com o recurso Dear Algo, (algo preferência do cliente) a rede permite dizer publicamente o que você quer ver mais ou menos no feed. O ajuste vale por três dias e pode até ser replicado ao repostar a preferência de outro usuário.
É a rede social cedendo mais controle editorial ao público em tempo real.
Facebook aposta em perfil animado e posts restylizados por IA
A Meta começou a liberar animação de foto de perfil, fundos animados para posts e restyle de Stories e Memories por prompt. A lógica é simples: transformar postagem comum em peça mais chamativa e compartilhável. Em 2026, criatividade visual automática virou recurso nativo de rede social.
Prompt engineering entra no radar quente do emprego
O LinkedIn colocou habilidades como Prompt Engineering, LLMs e estratégia de IA entre as competências que mais crescem em 2026. A plataforma ainda liberou cursos relacionados gratuitamente para membros até 23 de março de 2026. O recado é direto: aprender IA aplicada deixou de ser diferencial e virou ativo de carreira.
Santander e Alura turbinam a corrida por formação em IA
O programa divulgado pela Forbes Brasil oferece 36 mil bolsas em tecnologia e inteligência artificial.
Na trilha aparecem machine learning, governança de IA e engenharia de prompt, além de ferramentas como SQL, Python e Power BI. Bolsas amplas e formação prática seguem entre as notícias mais fortes do ecossistema de aprendizagem digital.
Curso de prompts “curto e direto” ganha espaço no noticiário de carreira
A Exame destacou um treinamento ao vivo de duas horas voltado a ferramentas de IA para qualquer profissional.
A promessa do curso é ensinar automação de tarefas, personalização de abordagens e decisões mais inteligentes com base em dados. É a pedagogia da produtividade rápida ocupando o centro da conversa.
Prompts deixam de ser truque e viram estratégia de autoridade
Outra frente em alta é o uso de comandos de IA para ampliar visibilidade e reputação em nichos específicos.
A Exame destacou que profissionais vêm usando prompts para clarear proposta de valor, criar conteúdo recorrente e formar comunidade.
Já não se fala apenas em escrever com IA, mas em posicionar-se melhor com ela.
TikTok reforça o LIVE como máquina de carreira
No LIVE Fest 2026, o TikTok voltou a vender a ideia de que transmissões ao vivo podem sustentar trajetórias de músicos, educadores e criadores.
A própria plataforma cita casos em que o LIVE gerou reconhecimento, lançamento de singles e trabalho sustentável.
QUEM MAIS FATUROU COM LITERATURA NO BRASIL?
Quem mais faturou com livros no Brasil em 2025 ainda não pode ser afirmado com precisão absoluta em fonte pública, porque o mercado não divulga, de forma aberta e consolidada, o lucro líquido recebido por cada autor após descontos comerciais, contratos editoriais, tiragens e percentuais de royalties. O dado público mais confiável disponível é o da Lista Nielsen-PublishNews, baseada no BookScan, que acompanha o desempenho dos livros físicos no varejo e cobre cerca de 60% a 70% do mercado trade brasileiro.
Dentro desse retrato objetivo, o maior fenômeno de 2025 foi Bobbie Goods. A coleção publicada pela HarperCollins Brasil colocou quatro títulos entre os cinco livros mais vendidos do ano e somou mais de 1,5 milhão de exemplares comercializados no varejo monitorado, com destaque para Do dia para a noite (644.893 cópias), Dias quentes (396.980), Isso e aquilo (247.212) e Dias frios (219.314). Em termos de presença de mercado, alcance comercial e capacidade de puxar receita nas livrarias, nenhum outro nome apareceu com força comparável nas fontes públicas consultadas.
Entre os autores brasileiros, o principal destaque foi Junior Rostirola, impulsionado por Café com Deus Pai 2025, que fechou o ano com 282.096 exemplares, além de Café com Deus Pai Vol. 6 – 2026, que também entrou no consolidado anual. O pano de fundo ajuda a medir a dimensão desse movimento: o varejo editorial brasileiro encerrou 2025 com cerca de 60,01 milhões de livros vendidos e R$ 3,08 bilhões em receita, confirmando que, apesar das mudanças no consumo cultural, o livro continua sendo um produto de grande força econômica quando encontra o público certo. quem pensa que o mercado está frio, se enganou!
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(*) Helena Bennett. Colunista do Facetubes NY.
Jornalista brasileira/americana com bacharelado em Jornalismo (Brasil) e pós-graduação em Jornalismo Investigativo (Inglaterra).
Com 5 anos de experiência, ela conecta a cultura sul-americana ao cenário social e político de Nova York. Especializada em reportagens de alto impacto sobre literatura, artes e economia internacional para a plataforma Facetubes.
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