*Mhario Lincoln
Eu sempre digo e vou repetir: enquanto não pensei diferente (mas ainda tenho resquícios desse desequilíbrio social), não cheguei a lugar nenhum, mesmo eu pensando que era o máximo. Mas apenas eu sabia.
Digo isso porque - repito - "o que realmente fica é a obra, não a pessoa", disse-me o poeta e acadêmico APB/AML Alex Brasil, em entrevista que fiz com ele há algum tempo. Ele tem toda razão. O fato abriu-me, finalmente, os olhos. "Mesmo porque o humano torna-se pó e a obra, bem preservada, dura milênios", arrematou Alex Brasil. Pois deveria ser a obra; e não o autor, o fundamento primordial das Academias de Letras, Artes e Análogas - pois sabe-se que existem algumas, com graves distorções.
Repito: jamais o autor seria alguma coisa, não fossem as obras (mesmo que essas possam ser discutíveis). Por isso, quem tem realmente importância não é quem assina com letras garrafais ou se glorifica com eus imaginários e infinitos", mas o que está escrito, no contexto de uma obra literária, de uma tela de pintura; de uma escultura ou da beleza melódica de uma música.
Li certa vez em OSHO: (...) o apego ao nome ou é "enfermo do pensamento ou desconhecedor profundo do legado de grandes nomes da filosofia e do humanismo". Ora, Platão arguiu o astuto e o soberbo sobre o fato dessa soberba o levarem sempre à autossuficiência; e esta, por sua vez, ser um grande obstáculo para o autoconhecimento.
Platão sempre viu o orgulho cego como uma forma de ignorância: "a ilusão de que sabemos o que não sabemos". Daí, o desenrolar dessa premissa levar a outra: a soberba impede o aprendizado. A pessoa autossuficiente recusa-se a adotar a postura de aprendiz, achando que já possui a verdade e mesmo diante dos conselhos, retrai-se em si, ao julgar-se sábio em sua totalidade.
Em nossos dias, estudos de psiquiatria mostram que essa soberba, já é um traço de personalidade distorcida ou um mecanismo de defesa. Quando analisada clinicamente, ela se revela como uma tentativa do indivíduo mascarar inseguranças profundas, proteger sua autoestima frágil e encobrir sentimentos de inadequação.
Pois bem, falo isso, da obra valer muito mais que o autor, porque fui tomado de grande emoção ao receber uma folha do "Colégio Solução", de minha cidade natal. Nela - pasmem - uma prova da 3ª série perguntava sobre um "escritor maranhense". Eis que minha surpresa fluiu-se em lágrimas quando li essa prova.
Abaixo, vou tentar reproduzir o conteúdo:
TRANSCRIÇÃO DO TRABALHO ESCOLAR
"Trechos que não puderam ser identificados com segurança foram marcados como [ilegível].
Colégio: “Solução Maranhense”
Data: 16/11/[ilegível]
Série: 2ª série — 202[ilegível]
Nome: Ianyara [ilegível]
"(...) Trabalho de História -
Pesquise e faça uma pequena biografia de um escritor maranhense: “O Mhario Lincoln atualmente [ilegível]. O Mhario Lincoln, pesquisador, [possui] qualidades excepcionais. [É um] jornalista nato.” Mhario Lincoln é jornalista, [ilegível], bacharel em Direito, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, membro da Sociedade Amigos da Marinha do Maranhão — São Luís — MA. INA A VIOLAÇÃO DO SAGRADO. (...)".
Veja, bem embaixo, entá, em letras maiores e em destaque, a obra: INA A VIOLAÇÃO DO SAGRADO. Ou seja, tudo passa, mas a obra fica, quaisquer que sejam as obras. E tal fato só me deixa muito feliz porque o "escritor" só veio por causa do livro. Portanto, quero agradecer de público a aluna Ianyara (3ª série do Colégio solução), por ter perpetuado esse trabalho, desde sua escola e desde a 3ª série escolar. Isso, sim, é realmente um reconhecimento-raiz. Uma das maiores comendas de um autor. Vale muito!
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