AMELINHA, ERLINDA, SANCHES: CONVERSAS SOBRE (BOA) MÚSICA
Em 2020, 50 anos da morte de Janis Lyn Joplin, em 4 de outubro de 1970, pouco mais de um ano depois que se apresentou no mundialmente histórico festival de Woodstock, em uns enlameados acres de terra de uma fazenda de gado leiteiro, nos arredores da vila de Bethel, no estado de Nova York, em 16 de agosto de 1969 . A texana Janis Joplin foi considerada a “Rainha do Rock and Roll”. Não queria que os amigos ficassem tristes com sua morte (overdose), por isso deixou alguns milhares de dólares em testamento para eles fazerem uma baita festa, que foi realizada e repercutida pela Imprensa mundial.
Em 2020, 55 anos de criação da banda inglesa Pink Floyd. Depois de 30 anos, de 1965 a 1995, seus integrantes pararam as atividades, voltaram em 2005, pararam de novo, novamente voltaram, de 2012 a 2014, quando finalmente, ou até agora, não mais se juntaram. Os que ainda estão vivos gravam discos e fazem apresentações solo.
Janis Joplin... Pink Floyd... e Sinéad O’Connor (sobre quem listo algumas coisas, abaixo)... foram nomes recorrentes no encontro animado entre Maria Amélia Varão (Amelinha), Erlinda Maria Bittencourt e Edmilson Sanches, todos ex-estudantes do Colégio São José. Os nomes de pessoas e personagens de Caxias que lembramos, se fossem contas ou camândulas, dariam para fazer diversos terços ou rosários... Tudo com gosto de alegria e saudade.
Prometi à Amelinha a indicação de uma interpretação da música “Mother”, do Pink Floyd, feita pela irlandesinha Sinéad I’Connor. Músicas sobre mães são irresistíveis, evocativas, especialmente para mós, que nem Amelinha, Erlinda e eu, que já perdemos a nossa...
Leiam o texto e reescutem várias vezes “Mother”, na simplicidade e sentimentalidade de interpretação de Sinéad O’Connor. E vejam como uma sanfona em uma música dessas acrescenta notas e saudades, em especial para nós, nordestinos, sertanejos, amantes de boas músicas, nacionais e, como esta, internacionais -- pois boa música desconhece barreira, limite, divisa, fronteira.
Cheiro, Amelinha e Erlinda. (EDMILSON SANCHES)
MÃE E MÚSICA
Para Dª Carlinda Orlanda Sanches, minha mãe, que gostava de cantar e que há três décadas canta cantos celestes
Mãe é assunto que transborda e, em forma de música, vaza pela garganta e extravasa em emoções.
John Lennon fez música com o nome "Mother".
O gaúcho Teixeirinha fez "Coração de Luto".
Agnaldo Timóteo canta: "Mamãe estou tão feliz / porque voltei para você [...]".
A banda inglesa Pink Floyd também tem a sua "Mother", aqui interpretada com doçura e suavidade por Sinéad O'Connor -- uma doçura e suavidade que não parece dizer dos sofrimentos e atribulações da rebelde cantora irlandesa: Sinéad sofreu abusos na infância, tentou suicídio, foi excomungada... tudo porque quando queria se manifestar, até transgressoramente, ela se manifestava. Era / é uma ativista preocupada com as injustiças sociais, com as coisas e causas das pessoas e do mundo.
"Mother", nessa interpretação da Sinéad e nesse arranjo diferenciado, é um aplaudido exemplo do que artistas podem fazer com uma boa música ao vivo.
Repare na introdução e nos momentos solo da sanfona, que provoca evocações com seu acento musical incomum em um concerto de rock.
Ouça a voz e perceba-se a expressão tranquila, angelical da sofrida e muitas das vezes incompreendida cantora Sinéad. Também os cantores no "backing vocal", subvertendo maravilhosamente a "ordem" estabelecida, que é a presença de mulheres fazendo esse canto em segundo plano.
Também o excepcional solo de guitarra, quase a rivalizar com o solo "guitarrístico" de "Comfortably Numb", também do Pink Floyd, considerado um dos mais perfeitos momentos solo da história da música, segundo alguns pareceres.
Com sua letra repleta de perguntas feitas por um filho à mãe (pelo menos 13 questões, inclusive: "Mãe, eu deveria confiar no governo?"), a canção "Mother" remete cada um de nós às dúvidas e perplexidades, angústias e inseguranças nem sempre demonstradas, mas que, em expressão ou em pensamento, teriam na mãe de cada um o abrigo seguro -- e quem sabe a resposta adequada.
Ouça "Mother" e lembre-se de sua mãe.
Eu me lembrei da minha, cuja ausência da vida, em um dia qualquer há anos, torna-a mais presente em mim todos os dias, de todos os anos...
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https://www.youtube.com/watch?v=VsKeoUF0iLQ
EDMILSON SANCHES
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