Domingo, 07 de Março de 2021 21:14
[email protected]
Blogs e Colunas COLUNISTAS

Edomir de Oliveira: "O CORONAVIRUS FAZ ADIAR UM CASAMENTO". Uma história interessante

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

15/01/2021 11h15 Atualizada há 2 meses
717
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
Ilustração ML
Ilustração ML

CAP.41.

O CORONAVIRUS FAZ ADIAR UM CASAMENTO.

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou

                                                                

Edomir Martins de Oliveira, vice-presidente nacional da APB.

A noiva morava com seus pais, à beira-mar. O apartamento distava uns trezentos metros da praia, podendo-se contemplar veículos trafegando pela avenida, o calçadão para pedestre, espaço reservado exclusivamente para a circulação de pessoas utilizando bicicletas, além de patinetes, patins, etc.

Eles haviam se conhecido assim. Ela trafegava em sua bicicleta quando fazia seu passeio matutino e ele, que vinha em sentido contrário, também pedalando em novíssima bike, que por pouco não se chocaram, quando ela evitava colidir com um pedestre, fazendo uma arriscada manobra que a levou ao chão. Nada grave, mas ficou o susto e algumas escoriações no joelho e cotovelo.

Nesse momento, o jovem aproveitou para fazer-lhe um elogio pela perícia para evitar o acidente, e esboçou o desejo de acompanhá-la até em sua residência, pois ela devia estar muito abalada com a situação, o que ela aceitou, pois realmente tomara um grande susto com o possível atropelamento do pedestre. 

Os pais quando a viram chegar acompanhada, o que não era comum, logo perceberam tratar-se de algo diferente. Aproximaram-se para ver o que havia acontecido e então o jovem adiantou-se em contar-lhes o que ocorrera, mas que eles não se preocupassem, pois, nenhum acidente adviera, sendo só o susto pelo qual a jovem passara.

Todos ficaram ainda muito agradecidos ante a gentileza do jovem e até o convidaram para tomar um cafezinho, o que foi aceito mais pelo prazer de desfrutar da companhia da moça, embora não gostasse da rubiácea. Acalmados os ânimos, eles conversaram por alguns minutos e, em seguida, o rapaz se despediu, perguntando à jovem se poderia voltar no dia seguinte, pois gostara de conversar com ela, o que a moça aceitou com prazer. A pedra fundamental de um namoro estava lançada.

No dia seguinte, o jovem foi visitá-la, e ela que já o esperava com ansiedade, mostrou-se alegre com a visita e foram juntos para novo passeio de bicicleta, conversando animadamente. Em dado momento, resolveram tomar uma água de coco. Foi então que começaram a sentir a força do amor os aproximando. Quando se despediram, ele lhe prometeu que voltaria ao pôr do sol para conversarem um pouco mais. Ambos felizes já esboçavam sorriso de alegria pela hora do encontro. E assim, quando o astro rei, que já cumprira o sacro dever de iluminar a terra, dava sinais de se recolher, para ceder seu lugar à lua e às estrelas, a campainha do apartamento tocou, e a jovem já sabia quem era. Os jovens sentiram então que aquele era um momento especial para eles. Estavam solidificando o namoro e se descobrindo. Ele era um jovem arquiteto cuja fama já começara a se espalhar, e ela cursava veterinária, pois adorava tratar de animais.

A chama do amor os estava aquecendo! Namoraram. Meses depois noivaram pela época dos festejos juninos.

E assim começaram os preparativos para o casamento.  Muito embora o pai da noiva fosse homem bem-sucedido e de posses, era famoso por ser “mão de vaca” e muitos apostavam que ele não abriria o cofre na mesma proporção da animação da noiva e de sua esposa. Mas outros apostavam que, como ele amava por demais a filha, e era um ótimo marido, elas conseguiriam dobrá-lo direitinho. Houve apostas na cidade nesse sentido.

Cada vez que a família se sentava à mesa e começava a falar dos preparativos, a fome do pai passava e ele dizia que achava aquilo tudo um grande desperdício de dinheiro. Se falavam na confecção do vestido, imediatamente ele sugeria um aluguel. Se citavam a compra de whisky e vinhos importados, ele logo sugeria bebidas nacionais; quando se referenciavam a contratação de uma banda ele questionava porquê não fazer uma seleção de músicas no spotify para rodar a noite toda em caixas de som. Dizia ainda: - Para que gastar uma fortuna com flores naturais, que no dia seguinte não servirão mais para nada? Não seria muito melhor alugar flores artificiais?? E que novidade é essa de cerimonial? Que coisa desagradável alguém ficar dizendo aos convidados e noivos o que têm que fazer.

E dessa forma, a ladainha seguia por prolongados e estressantes almoços, mas a verdade é que as poderosas mãe e filha acabaram, a muito custo, por convencê-lo. Porém, um grande impasse, o maior de todos, foi a lista de convidados. Quando apresentaram uma lista com 400 nomes, o pai quase teve uma síncope. - Vocês só podem estar malucas. Querem me falir convidando um monte de pessoas sem a menor proximidade conosco? Noiva e mãe explicavam que havia a lista da família do noivo também e que ele tinha que entender.

Mas o pai fez questão de ver a lista para uma filtragem, segundo ele. E assim começava a via crucis da lista. Dizia o pai: - Este fulano não pode estar na lista, pois estraga as festas com sua inconveniência, pois quando fica bêbado, quer dançar com as mulheres casadas mais bonitas; este beltrano tem fama de, ao ser convidado, levar sete ou mais pessoas com ele, além da esposa; este sicrano tem fama de ficar levando salgadinhos e quitutes repetidamente ao carro para garantir o dia seguinte; este outro, todos sabem que bebe muito e uma vez bêbado, o que sempre ocorre, fica querendo brigar. Enfim, poucos convidados escapavam de seus ácidos comentários.

Apesar do estresse diário, estavam conseguindo dobrar o pai em tudo, até na lista que ficou com 350 convidados, após uma intensa negociação. E eis que há três meses da festa, com praticamente tudo já alinhado, foram surpreendidos pela pandemia que assolava o mundo, a do Corona vírus.  Como se alastrava rapidamente, as autoridades começaram a fazer as restrições. Deveria toda a população passar a usar máscaras como medida preventiva. Os restaurantes foram fechados, as academias de ginástica não puderam mais funcionar, igualmente o comércio.  Aí veio o isolamento social com a proposta de que as pessoas só saíssem de casa para o estritamente necessário, não esquecendo de usar máscara.

As igrejas também foram fechadas para tristeza do casal que agora não poderia casar como desejavam, na data que haviam marcado. O pai sugeriu logo aos noivos que esquecessem festa de casamento e casassem apenas no cartório, o que foi rejeitado imediatamente pela noiva e mãe. Resultado, adiaram o casamento para o segundo semestre do mesmo ano, quando a pandemia deveria ter cedido. Marcaram casamento para dezembro.

Ao final do segundo semestre, nova onda de agravantes sobreveio de forma assustadora, e promover uma celebração de casamento com uma igreja lotada e salão de festa igualmente apinhados de gente, em local fechado e com ar-condicionado, não poderia nem ser liberado pelas autoridades locais. E assim, novamente, tiveram que adiar o casamento, e o pai voltou a falar: - esqueçam festa, casem-se no cartório e sejam felizes. E a noiva já bastante angustiada e desapontada por ter por duas vezes a sua data de casamento desmarcada, sugeriu ao noivo que morassem juntos e quando cessasse a pandemia celebrariam o casamento.

Os pais do casal não concordaram. Entendiam que o matrimônio era instituição Divina. Tinha que ser respeitados os ditames da Lei de Deus e do País. Foi então que o casal concluiu que se casariam somente em

Cartório, pois haviam voltado a funcionar, e receberiam as bênçãos sacerdotais em reunião em casa, somente com os pais e irmãos e o Reverendo. Não seria servido nada, para evitar que as máscaras fossem removidas. Os noivos tinham muito cuidado e respeito à saúde dos pais, deles e do próximo e não queriam colocar ninguém em risco. E com as devidas distâncias respeitadas, e somente o núcleo familiar presente casaram-se. Muito felizes agradeceram a Deus pela benção de um casamento tão feliz, e pela imensa graça de estarem todos com saúde em um momento em que tantos brasileiros e famílias foram e estavam sendo vitimados pela COVID-19.

Os noivos estavam tão felizes que haviam esquecido o tanto que faziam questão de uma bela festa. E entre alegrias e risadas da família, um comentário da filha foi inevitável: - Sei que meu pai jamais gostaria que não fizéssemos festa em razão de uma pandemia mundial, mas no fundo sei que ele deve estar bem aliviado por não ter gasto tanto, pois reconheço que a nossa festa não seria em nada econômica.

Os noivos alugaram uma casa superconfortável, na beira do mar para lua de mel, para continuarem o isolamento que tanto prezavam, porém de uma forma romântica, aliando conforto com uma natureza exuberante. Os amigos falavam era da felicidade do pai ao ter economizado o dinheiro da festa, afinal ninguém fica livre de maledicências, ainda mais quando já tem algum tipo de "fama", mesmo que às vezes de forma injusta. E quanto as maledicências ensina-nos a Bíblia em I Pedro 2,1 e 2:“Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas e de toda sorte de maledicências, desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação” 

 Porém o importante é que independentemente de maledicências, os noivos formaram uma linda e harmoniosa família.

 

30 comentários
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Edomir Martins de Oliveira
Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
-
Atualizado às 21h00 - Fonte: Climatempo
°

Mín. ° Máx. °

° Sensação
km/h Vento
% Umidade do ar
% (mm) Chance de chuva
Amanhã (08/03)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. ° Máx. °

Terça (09/03)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. ° Máx. °

Ele1 - Criar site de notícias