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Crônica de Edomir Martins de Oliveira: O Departamento de Trânsito, a Noiva e o Martírio

Edomir Martins de Oliveira é vice-presidente nacional da Academia Poética Brasileira

12/02/2021 às 11h14 Atualizada em 12/02/2021 às 11h23
Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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Capítulo 44

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira, vice-presidente nacional da Academia Poética Brasileira

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O DEPARTAMENTO DE TRÂNSITO, A NOIVA E O MARTÍRIO!

        Eram visitas constantes que levavam muito conforto espiritual, traduzidas em palavras que expressavam grande solidariedade, quando a família recebia um rapaz muito educado, filho de pais amigos que vinha visitar a família enlutada. Havia morrido o marido, deixando mulher e duas filhas, jovens de 18 e 19 anos de idade. A mais velha, feliz pelas atenções do rapaz, pensou: - Como seria bom ter um jovem daquele educado, atencioso, para com sua família, como namorado, e quem sabe, até mesmo como marido! Que pena que ele já é casado!

Com o passar do tempo, a mãe das jovens mostrava-se muito feliz com a solidariedade do rapaz e pediu-lhe para levar sua esposa para visitá-las. Elas gostariam de conhecê-la. O jovem confessou que esperava apenas esse convite para levar sua esposa na próxima visita. E assim ele fez. 

Se há coisa que as esposas mais gostam é de contar como foi o começo do seu namoro e a luta para conquistar seu marido. Foi no desenrolar da conversa que ficaram sabendo como foi para chegarem ao altar.

Ela houvera sido assaltada em praça pública e levaram-lhe bolsa e carteira de cédulas contendo seus documentos. Entre prantos, sentada em um dos bancos do logradouro público, recebeu as atenções de um rapaz que fazia de tudo para consolá-la.  

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Ele, então, propôs-lhe registrar um BO, o que poderia ser feito até pelo celular, oferecendo inclusive o seu para fazer o que fosse necessário, porém ela preferiu ir à Delegacia de Polícia onde tinha um tio que ali trabalhava, e que era comissário. Aceitou a colaboração dele que se propunha levá-la até lá, porque estava angustiada sem saber o que fazer. A proposta havia chegado em boa hora.

Ao registrar a ocorrência, o comissário, seu tio, disse-lhe que naquela praça havia uns assaltantes bem conhecidos da Polícia e que descobririam facilmente e em curto tempo, quem a assaltara e levara seus pertences. Que ela tivesse um pouco de paciência, que no máximo em uma semana, receberia tudo de volta. 

A moça que estava aos prantos, acalmou-se mais, e o jovem acompanhante a confortava, dedicando-lhe especial atenção. E daí em diante ele telefonava diariamente, ia visitá-la, e eles tomaram gosto pelas atenções recíprocas.

Ele se oferecia para voltarem juntos a DP e ver se já havia alguma notícia, o que ela aceitava. Decorrida uma semana, o pilantra foi identificado e tudo dela, com exceção do dinheiro existente em sua carteira, foi devolvido. 

Agora, a moça dizia que iria sentir falta da companhia do rapaz em sua vida, que ela já considerava muito necessária, quer no conforto pessoal, quer nas visitas à Delegacia. Ao que ele então retrucou que se ela concordasse, ele iria oferecer-lhe um jantar em comemoração pela vitória conquistada, com a devolução dos seus pertences. Ela concordou imediatamente. 

Foi durante o jantar, que as confissões reciprocas começaram a serem expostas. Ele lhe confessou que não poderia mais passar sem a companhia dela que lhe era muito agradável, já fazendo parte de sua vida. Igual confissão ela também lhe fez. O romance havia iniciado e eles vieram a descobrir só agora.

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Os encontros prosseguiram debaixo de um clima de muito amor e culminou, mais a frente com um noivado e um casamento. Até hoje estavam casados e muito felizes. 

Ela dava graças a Deus por aquele assalto ter ocorrido no momento em que aquele rapaz estava próximo. As tristezas do primeiro momento foram transformadas em alegria, pois ganhara um marido atencioso e gentil, um companheiro solidário em tudo.   

Já no segundo momento da conversa com a família amiga, veio a história do casamento deles. 

O sonho da noiva era chegar na igreja em um carro   enorme, versão brasileira das famosas limousines dos filmes americanos. Contrataram o serviço e no dia do casamento o motorista chegou pontualmente para conduzir a noiva à Igreja. Que felicidade para a noiva entrar naquele carro!! 

Blitz. Carro sem documento. Motorista com habilitação vencida.

A caminho da Igreja, havia uma blitz policial e o carro que conduzia a noiva foi parado. Os policiais pediram os documentos do carro e a carteira de habilitação ao motorista, e este se mostrou apreensivo. Pediu para dispensá-lo pois estava conduzindo uma noiva, mas a resposta do policial foi: - Se o Senhor me mostrar tudo corretamente, em dois minutos estará liberado. A noiva, então, disse: - Apresente logo esses documentos, por favor, para não me atrasar.

  Para a agonia do motorista, o carro estava todo irregular. O IPVA não era pago há dois anos e a sua carteira do motorista estava vencida há dez meses. Frente a essas ocorrências, o policial explicou que não poderia liberá-los. A noiva ficou desesperada. Fez vários apelos aos policiais, brigou com o motorista, e a hora passava.

  Eis que veio a parte cômica do infortúnio. Como estava bem perto da Igreja, disse ao pai que a acompanhava: - Pai falta só uns 300 metros para chegar a Igreja. Vamos a pé, deixemos o carro dessa empresa irresponsável aí. Esse problema não é nosso e não vou aceitar que tamanha falta de profissionalismo me atinja neste importante dia -. 

  Então ela e seu pai seguiram a pé. Foi uma cena hilariante aquela noiva de véu e grinalda apressando-se a pé mesmo. O pai ia atrás dela segurando o seu véu e a cauda de seu vestido para não chegarem danificados na igreja. Muitos comentários de transeuntes se fizeram ouvir, havendo quem dissesse que só poderia ser algum filme que estivesse sendo rodado, ou alguma artista querendo publicidade. 

Ela estava mesmo com pressa era para chegar. A noiva não queria atrasar no dia de seu casamento. Ela pedia ao pai que acelerasse o passo. – O senhor está caminhando muito lentamente, pai-... E o pobre pai seguia atrás no meio de panos do vestido e do véu de sua filha.

Quando chegou aos degraus da Igreja respirou aliviada. Seu amado ainda estava ali, lindo e aguardando-a.   Uma convidada disse: - Estranho esses casamentos modernos, nunca vi uma noiva chegar a pé na igreja... E a sua amiga ao lado completou: - E como se não bastasse, ainda coloca o pobre pai para segui-la. E a terceira completa: - Olhem só como ele está cansado, encontra-se à beira de um enfarte! - Enquanto isso, a namorada de um jovem casal comentou: - Que máximo essa ideia de entrada na igreja. Os noivos sempre foram muito criativos, e inovam até em um momento como esse.- A garotinha vira-se para o pai e diz: -Pai, quando eu casar quero fazer igualzinho, viu?

  Enfim, casaram-se em seguida e vivem muito felizes até hoje.

De volta ao bate-papo familiar, o esposo pediu espaço para falar, pois até então somente as mulheres tagarelavam fazendo interações com a animada história que a sua mulher contava. Quando lhe deram tempo, ele lembrou às jovens que tinha dois primos com idades pouco superior às delas e gostaria de apresentá-los, pois eram universitários e já empregados. Talvez eles se interessassem reciprocamente. Ele gostaria muito que isso acontecesse. Elas logo se interessaram em conhecê-los. Quem sabe aflorasse algum romance dali? Ou na melhor das hipóteses dois romances?

O entusiasmo foi crescente entre as jovens e aumentaram ainda mais quando o rapaz, acrescentou-lhes que não se esquecessem o contido na Bíblia Sagrada, no Livro de Salmos, 145:18 – “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade”. 

As expectativas não só das jovens como da mãe eram visíveis e cheias de esperança. Mas uma coisa era certa. Se saísse casamento, seria exigido comprovante de regularidade e eficiência da empresa que conduziria a noiva. 

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Alicia Guimarães Há 5 anos São Luís- MA
Edomir Martins de OliveiraHá 5 anos Sao Luis-MAAgradeço a todos os leitores que me honraram, inclusive aos que comentaram.
Feliciano TurcoHá 5 anos Sou capixabaUma história triste de navio. A interpol estava atrás de um homem há muito tempo, quando soube que ele poderia estar no navio que ia para as Ilha Caimãs. Embarcou dois policiais federais para tentar encontrá-lo. Tinham uma foto da pessoa. No terceiro dia o capitão, sem saber de quem se tratava, os convidou para um casamento no restaurante principal da embarcação. E, para a má sorte do noivo, era exatamente o traficante internacional que os federais estavam procurando. Fim da festa!
Rufino FerreiraHá 5 anos São Luís-MAEdomir, permita lhe dizer. O senhor cresceu muito no texto e na ideia. Nestes feriados de Carnaval, copei e xeroquei as 20 crônicas iniciais e fui ler devagar. Fiz a comparação com este de hoje e contatei a evolução que o senhor teve. Espero que este tema perdure por muitos anos para nosso deleite. Tenho dito.
iRMÃ dULCEHá 5 anos BELO HORIZONTEmUITO FELIZ EM LER MAIS UMA CRONICA SUA, PASTOR
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Edomir Martins de Oliveira
Sobre o blog/coluna
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