
UM AMOR DE CARNAVAL
Nauza Luza Martins
Tudo aconteceu num Carnaval em São Luís do Maranhão. Coisas do destino. Sim, porque ela foi acostumada pela mãe a passar o tríduo momesco sempre em vigília religiosa. Já mulher adulta, independente e dona de si ainda não se libertara totalmente das correntes invisíveis atadas ao seu estilo de vida pela educação familiar e religiosa recebida. Carnaval é coisa do Capeta – ouvia sempre.
Estava na cidade de férias, na casa de uma grande amiga no Calhau, bairro praiano nobre de São Luís. Toda a movimentação da casa girava em torno do festim carnavalesco. Época saudosa dos badalados bailes nos amplos salões dos Clubes famosos da cidade: Lítero Português e Jaguarema.
Estavam todos no baile do Clube Lítero nessa noite que parecia promissor para diversão com tanta gente bonita se aglomerando na pista de dança. Ela descia lentamente os degraus da escadaria que levava a um amplo espaço aberto. Dançara muito e precisava de um pouco de ar fresco. Então o viu. Ele a fitava acompanhando sua descida. Seus olhares se cruzaram. Ela parou incontinenti, o coração aos pulos quase saindo pela boca. Tropeçou e o avistou correndo em sua direção. Ambos pararam bruscamente, ainda distantes, se entreolharam longamente. Ele estendeu as mãos em sua direção. Ela se sentia hipnotizada pelos lindos olhos verdes dele, então desceu ao seu encontro.
Sentiu um abraço apertado. Ambos tinham as roupas suadas e grudadas ao corpo. Percebeu que o formato dos seus seios redondos e firmes aparecia sob o tecido úmido da blusa colada que usava. Era uma morena bonita. Tinha consciência de sua beleza sempre elogiada por todos. Ficou ruborizada, ele percebeu e a abraçou forte. Ela o conteve por instantes e visualizou seu peito másculo que sobressaia da camisa entreaberta quase até o umbigo. Vestia camisa colorida com um colar à moda havaiana que havia se rompido durante o abraço. Seus pelos dourados do peito, meio avermelhado, resquício de um dia ensolarado na praia, eram convidativos ao toque. Ela se conteve a custo.
Ouviu a banda tocando uma conhecida e animada marchinha. Parecia que uma eternidade se passara desde que deixara os amigos no salão. Ele pegou sua mão e a levou para um lugar mais reservado embaixo de uma grande árvore logo à vista. Começaram a dançar juntos, sorrindo o tempo todo, agindo com naturalidade e intimidade de um casal de namorados. Ele parou de súbito e a beijou longa e sofregamente. Sentiu seus seios apertados ao peito nu dele, os bicos retesados, deixando-a momentaneamente em êxtase. Afastou-se um pouco ao sentir a excitação dele explícita junto ao seu corpo.
Saíram juntos do baile. Passaram o resto da noite e todo o período carnavalesco juntos - nas praias, nos blocos de rua, nos bailes. Foram dias mágicos de paixão intensa e explosiva onde não faltou purpurina, confete e serpentina.
Terminada a magia voltaram à realidade. Trocaram telefones e endereços. Surpresa total. Ela morava na mesma cidade onde ele se encontrava a trabalho por um período de três meses. Ele seguiu na quarta-feira de cinzas. Ela voltou para casa vinte dias depois. Ele a esperava no aeroporto com flores.
(Lua de Vênus)
Nauza Luza Martins
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A poeta Nauza Luza Martins (Brasília DF) tem dois livros de poemas publicados “Jogo de Palavras”/2017 e “Interlúdio Poético”/2020, ambos pela Ed. Chiado Books. É coautora em 26 Antologias Poéticas com temas diversos.
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