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Convidada especial, Sharlene Serra: "O Amor Virou Cinzas"

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17/02/2021 15h01 Atualizada há 2 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Sharlene Serra
Sharlene Serra
Sharlene Serra

AMOR VIROU CINZAS

Convidada: Sharlene Serra

O carnaval silenciou, a pandemia calou a festa mais esperada do ano, porém  as lembranças ainda permanecem com brilho e ritmo. O carnaval e suas histórias eternizadas... 

Ela suspira confete, brilho, euforia.

Seu coração bate ritmado, batuque intenso, daqueles do ritmo da bateria, ela era o próprio carnaval...

"Ó abre alas

Que eu quero passar

Ó abre alas

Que eu quero passar

Eu sou da Lira

Não posso negar

Eu sou da Lira

Não posso negar

Ó abre alas

Que eu quero passar

Ó abre alas

Que eu quero passar

Rosa de Ouro

É que vai ganhar

Rosa de Ouro

É que vai ganhar."

Apoteose solitária.

E com seu coração vibrando através das notas musicais lembra de  Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, compositora, instrumentista, primeira maestrina brasileira e autora teatral, integrante do grupo dos fundadores da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT). Nascida no dia 17 de outubro de 1847, Chiquinha Gonzaga foi ainda a primeira pianista de choro e autora desta  marcha carnavalesca em 1899. Sua importância foi tão grande para a música nacional que o dia do seu aniversário foi escolhido para instituir o Dia da Música Popular Brasileira/ Lei 12.624, de maio de 2012. Pausa e pensa na grandiosidade da mulher e absorve a marchinha como se estivesse se energizando.

Continua sentido a mágica do carnaval e no meio da multidão, surpreende-se com o cupido,  que mesmo com asas, caminhava pela multidão, e ela afoita, resolveu segui -lo na intenção de ser flechada, encontrar um amor, era um sonho desejado,  correu em busca de seu objetivo, seguiu o tal cupido e acabaram os dois  se  esbarrando entre olhares e riso:

- Desculpa! não havia lhe visto. Ela iniciou o diálogo 

- Eu que peço,  sou um pouco distraído...

 

A conversa se prolongou, e de repente ela se viu  atraída  pelo próprio cupido, ele envolvido e encantado com o momento, a olha firmemente e  recita um poema de João Batista do lago:

 

FANTASIA

 

Vem, minha menina. Vem.

Vem que te quero linda!

Vem dançar comigo a

Marchinha de criança.

Hoje o carnaval é nosso

Vem porque hoje eu posso

Dizer ao meu coração:

Sou teu espírito;

E tu, minha alma…

Minha ilusão.

Neste carnaval alegórico

Quero pular em teus lábios

E no meio da multidão

Ser o teu único folião.

 

Vem, minha menina. Vem

Que te quero alma no meu espírito

Neste carnaval sou teu amor contrito.

Os olhos dela iluminaram o salão. Ouviu tudo atentamente e não conseguia  conter, seu coração era a propria orquestra... concluiu, o próprio cupido a fechou para ele mesmo. Que esperto! pensou ela.

No meio a canções de carnaval ele recitava poemas, que foram silenciados  através do beijo ardente....

E uma música ao fundo confirmava o ato amoroso:

" Me abraça e me beija

Me chama de meu amor

Me abraça e deseja

Vem mostrar pra mim

O seu calor"...

 

Depois de algumas eternas horas, eles deixam escapulir um "Eu te amo!"  Ela nem se deu conta da rapidez da emoção  e o abraça apaixonadamente, dizendo:

-Eu também te amo! Emocionada se entrega para o momento com alma glitter, ao ritmo frenético  da melodia do carnaval.

Eles foram  companheiros na dança, na fantasia, no sorriso, na alegria... nas marchinhas e o carnaval foi testemunha do amor,  três dias  foram poucos para a intensidade do amor férvido. 

Ela ama cada momento, olha-o e pensa: - Que sorte a minha! O cupido entende sobre amor! Ela se encanta com cada gesto e simpatia.

Segue dançando enlaçada e grata ao  carnaval pela flechada certeira. 

Na embriaguez própria do amor, eles se amam compulsivamente como se houvesse apenas aquele momento para todo o ato...E de fato era.

O carnaval cansado, adormece...

Na quarta ela acorda, sem máscaras, sem marchinhas, sem confete e serpentina,  o cupido voou e o amor, virou cinzas.

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Sharlene Serra – De São Luís Maranhão, poeta, escritora. Graduada em desenho industrial, pedagogia e especialita em Ed. inclusiva, Participou de diversas antologias/coletâneas nacionais. Tem 7 livros publicados. Membro da Academia Poética Brasileira  e vice presidente da AJEB- Associação de jornalista e escritoras do Brasil, coordenadoria do Maranhão.

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