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"Para o Amor não Existe Idade", cronista convidado: Edomir Martins de Oliveira

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

19/02/2021 10h54 Atualizada há 2 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Edomir Martins de Oliveira
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Capítulo 45  

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

PARA O AMOR NÃO EXISTE IDADE

Edomir Martins de Oliveira, Vice-Presidente Nacional da APB 

-Vó, quem diria que a senhora, agora, com esta idade, iria casar de novo?

-Minha neta, para o amor não existe idade.

-Vó, mas como foi que isso aconteceu?  

E a avó contou-lhe a parte sentimental de sua vida:

-“Muito jovem, querida, com meus 15 anos, na idade que você está hoje, tive o meu primeiro namorado com quem agora vou casar. Sempre fomos apaixonados, porém antes de nos casarmos, naquela época, ele foi convocado para uma missão militar na Aeronáutica.

Essa missão demorou mais tempo do que o previsto. Nos primeiros meses, tive notícias dele através de cartas apaixonadas, que eu respondia com o mesmo ardor. Algum tempo depois, as cartas cessaram e perdi o contato com ele. As informações que chegavam era que ele havia morrido. O avião em que viajava sofrera um grave acidente. Mesmo sem acreditar no infortúnio, continuei atrás de notícias mais consistentes e, finalmente, me detive em um boletim oficial que informava que o meu amor estava na lista dos mortos.

No princípio, chorei muito quando tive essa confirmação. Mas disse para mim mesma que não me esqueceria dele jamais. E assim, passei anos sem namorar ninguém.

Até que um belo dia, encontrei uma pessoa, que com o seu modo gentil e atencioso me conquistou, e trouxe o alívio de ter um companheiro com quem poderia desfrutar meus momentos de solidão. Porém, o meu primeiro amor era frequentemente relembrado no meu coração, mas entendi que ficaria amenizada a minha tristeza com aquele companheiro tão distinto que se apresentara.

Namoramos, noivamos e depois casamos, e ele que conhecia minha vida romântica com o namorado que partira, dizia-me que haveria de me fazer muito feliz. Tivemos um casal de lindos filhos e dedicados aos pais. A tua mãe foi a primeira e depois outro, o teu tio caçula. Hoje tenho a tua mãe formada em odontologia e teu tio formado em medicina. 

Tua mãe, por outro lado, casou e gerou a ti para alegria de toda a família. Tu és a neta caçula que amo muito e vais nos dar muitas alegrias, tenho certeza.

Tudo transcorria muito bem, até que um acidente vascular cerebral (AVC) acometeu o meu marido, teu avô, que não resistiu, e muito embora tenha tido uma ótima assistência médico-hospitalar, veio a falecer, deixando-me viúva. Senti muito a perda do meu marido, que era um excelente companheiro. Segui minha vida. Vez por outra, ia a um restaurante com a família, às vezes só, com amigas; ia ao cinema e a algumas reuniões sociais, além de ir à Igreja. 

Montagem da editoria/Com foto google.

Até que em um desses restaurantes, fui atraída pelo olhar insistente de um homem. Seu olhar parecia ter um imã que me atraía por mais que eu evitasse olhá-lo. Então aquela fisionomia foi voltando aos poucos. Seria o meu primeiro amor? Não poderia ser, pois boletim oficial, o dava como morto e eu não podia acreditar que ele houvera ressuscitado. Até que em dado momento ele se levantou, caminhou até minha mesa e esboçando um sorriso simpático, me perguntou se eu não me lembrava dele. 

Foi aí que o reconheci, sem mais qualquer dúvida, a partir do seu timbre de voz. Os cabelos já prateados adornavam sua basta cabeleira. Por isso não o tinha reconhecido de longe. 

Começamos então a conversar e ele me perguntou se eu não queria acompanhar a solidão dele, em uma mesa em que estava sozinho. Acompanhei-o até sua mesa e aí contamos nossas histórias. Perguntei-lhe porque estava solitário e porque não trouxera sua esposa. E ele confirmou o que eu mais desejava ouvir: -“Estou solteiro até hoje. Nunca tive esposa, pois a esposa que eu queria, perdi”- ao que eu lhe disse: - Se for eu ainda, você acaba de reencontrá-la. Estou livre. - E ele respondeu: -“Deus é mesmo muito bom para comigo!!”. E me contou toda a história:

O avião em que pilotava sofreu um grave acidente. Ele foi o único sobrevivente. Felizmente, foi resgatado por pescadores que cuidaram de seus ferimentos. Porém, ficou sem memória, habituando-se a viver naquela generosa comunidade, cuja língua falada pelos nativos exigiu muito para que tivesse um certo nível de compreensão e comunicação. Tempos depois, recobrou a memória paulatinamente.

Entenderam que deveriam continuar a conversa e marcaram um encontro para o dia seguinte. As recordações estavam apenas adormecidas em cada coração. Verdade é que continuavam a se amar e agora o amor despertara de sua hibernação. 

Essa a minha vida amorosa, neta querida. Agora vou casar com ele a quem continuo a amar intensamente, e ele me confessou que me ama do mesmo modo da mocidade. –“Você continua linda como eu a conheci”, dizia ele.-

Por isso neta querida, é que te digo que para o amor não existe idade determinada. Vou casar com ele, de vestido branco, de véu e grinalda como eu imaginara na juventude. Não temos mais o vigor dos jovens, mas temos a força do amor que nos sustentará.

- Deus te proteja e que sejas muito feliz em casamento por amor. Serás minha dama e levarás as alianças”-.

 As fofoqueiras maldosas da cidade, que não foram convidadas para o casamento, aproveitavam seus encontros para destilar veneno. Uma dizia ser um absurdo uma idosa casando de véu e grinalda. Ao que outra retrucava que esse casal não tinha senso do ridículo; comentava outra que gostaria de saber se a noiva teria coragem de usar branco ao que outra levantava a hipótese de que eles deviam estar se encontrando mesmo antes da noiva ficar viúva.

Esqueciam-se o que ensina a Bíblia Sagrada no livro de Provérbios 4:24 “Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios”.

E na data combinada, casariam com alegria, revigorados pela chama ardente do amor de suas mocidades. Eis que chegou o dia do casamento. O noivo no altar aguardava ansiosamente pela sua amada, que com apenas dez minutos de atraso entrou radiante e lindíssima na Igreja. A emoção tomou conta de muitos convidados, principalmente os que conheciam a linda história de amor. A neta de 15 anos e o neto de 17, entraram acompanhando a noiva, que entrou conduzida pelo seu filho. O noivo entrou com a filha da noiva, haja vista que não tinha filhos. A felicidade dos noivos era contagiante e ambos choraram de emoção, por algumas vezes, no altar, lembrando a citação Bíblica do Cântico dos Cânticos, 8:7: "As águas da torrente jamais poderão apagar o amor, nem os rios afogá-lo...".

Já na recepção, cumprimentavam os convidados de mesa em mesa, com a alegria. E felizes, usando o microfone explicaram que a banda seguiria a seleção musical que ela e seu marido fizeram, com base nos anos 70 e 80.

E assim, iniciaram a dança com uma coreografia comandada pela noiva. Mas um comentário inevitável veio logo de um convidado: - “Desse jeito ela vai matar o marido”. E a resposta veio de imediato: - “O que mata, é tristeza e depressão, mas com a felicidade que estamos, iremos aos cem anos”.

E mesmo após uma dúzia de músicas, os incansáveis noivos continuavam dançando em ritmo intenso, deixando os convidados surpresos com a disposição: dançavam com muita facilidade. Os convidados estavam no salão embalados pela maravilhosa seleção musical e pela alegria dos noivos. E todas as gerações se divertiam; a alegria reinava, e as famílias presentes estavam envoltas na poderosa energia do amor contagiante dos noivos. O amor não tem mesmo idade!!!

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Edomir Martins de Oliveira
Sobre Edomir Martins de Oliveira
Cronista do Cotidiano. Escreve todas as semanas, com exclusividade. Assuntos variados.
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