Imortalidade. Perenidade. Perpetuidade. Eternidade...
A ideia de algo “sem fim” ficou para título de livro e filme, e a noção de “para sempre”, delimita-se às declarações de amizade e de amor, especialmente as das historinhas de princesas e príncipes, que se casam e vivem felizes “ad aeternum”.
Sim; “imortal”, mesmo, nem os membros de Academias o são -- nunca foram. E sobre isso não paira dúvida sequer nos menores seres -- uma bactéria, um fungo... ou um vírus. Um velho vírus -- coronavírus -- e sua nova doença: covid-19.
Abaixo, e também na coluna anterior (1º de fevereiro de 2023), veja-se o quanto a Literatura e a Arte anteciparam-se à Ciência, a ponto de, até mesmo, com anos de antecedência, detalhar até o nome ou a cidade asiática onde o vírus surgiria. Isso não é profecia ou adivinhação. É Arte. (E. Sanches)
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A imaginação artística antecipa-se à Ciência...
LITERATURA, ARTES E PANDEMIA (II)
Muito antes da nova pandemia e de seu causador, o novo coronavírus, se instalarem no corpo, na preocupação e no medo das pessoas em todo o mundo, iguais ou semelhantes doenças e seus agentes já tinham contagiado páginas e mais páginas de livros e "frames" e mais "frames" de filmes e vídeos -- e, alguns acreditam, até letras de músicas. Remonta a tempos imemoriais os ataques dos vírus e a luta dos humanos para sobreviver a eles.
Sim, "irmãos gêmeos" ou "parentes próximos" do novo coronavírus e suas consequências, muito antes do dia 31 de dezembro de 2019 (a data “oficial” do surgimento desse mais novo vírus-rei, pois já nasceu com coroa -- "corona", em latim), muito antes de qualquer outra data objeto de especulação, esses membros da família viral e da Microbiologia em geral já eram citados -- explicitamente, subliminarmente e simbólica ou interpretativamente --, como praga, peste, vírus, mal, doença, desde passagens bíblicas antigas até recentes estudos de cenários e também em programas jornalísticos, em versos de profecias, em literatura de ficção e em composições musicais...
De alguma forma, já se sabia. Eles sabiam. Os escritores, os jornalistas, alguns cientistas, os poetas, os “loucos”. Eles anteciparam. Eles sobreavisaram. Como cantaria Renato e Seus Blue Caps, banda carioca formada em 1960, “depois não diga que eu não lhe avisei”...
2003 – SAÚDE – Há quase 20 anos, em maio de 2003, a revista "Saúde! É Vital”, da Editora Abril (São Paulo – SP), trazia na capa: “É possível se proteger da pneumonia asiática?”. Internamente, a reportagem, na primeira página, tem o título “Ainda não dá para respirar aliviado”, seguido de: “Mas os médicos ao menos já sabem como agir caso a pneumonia asiática chegue pra valer ao Brasil. A doença continua provocando estragos mundo afora”. Na página a seguir, infográfico com título: “Mantenha distância do coronavírus”. Após um vídeo doméstico de um internauta sobre essa matéria “cair” na Internet, a pressurosa revista paulista de saúde e bem-estar emitiu comunicado onde explica que o vídeo “pode levar a conclusões erradas” e que “o agente infeccioso debatido no texto é o que causou o surto de SARS, ou Síndrome Respiratória Aguda Severa, em 2003”, vírus que, ressalva a revista, “embora mais letal, espalhou-se menos pelo mundo”. “Já o novo coronavírus -- complementa a revista -- tem o nome técnico de SARS-Cov-2”, que “causa a doença covid-19”. A revista acrescenta também que “tanto o vírus de 2003 como o SARS-Cov-2 pertencem à família dos coronavírus”, cuja “família é conhecida desde meados de 1960”.
2005 – CIA – Tenho em mãos dois livros resultantes de “relatórios” da CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, fundada em 1947. O primeiro livro é de 2005, publicado no Brasil no ano seguinte com o nome "O Relatório da CIA – Como Será o Mundo em 2020" (Ediouro, São Paulo). O segundo livro é "O Novo Relatório da CIA – Como Será o Amanhã", lançado em 2009 (Geração Editorial, São Paulo) [veja tópico próprio]. No primeiro livro, escreve-se (página 81) que “por volta de 2020, o PIB (Produto Interno Bruto) da China será maior que o de qualquer potência econômica ocidental, exceto o dos EUA [Estados Unidos]”. Na página 114 menciona-se que a persistência da pobreza crônica e de “maus governantes” em diversas regiões do mundo (inclusive América Latina) tende a se tornar “um terreno fértil para o terrorismo, o crime organizado, e para as pandemias”. Na página 118, diz-se que “nos próximos 10 ou 20 anos há um risco de que os avanços nesse campo [biotecnologia] aumentem não só as medidas defensivas, mas também a ofensiva através de armas biológicas, permitindo a criação de agentes biológicos avançados destinados a alvos específicos” (inclusive humanos, relaciona o trecho). Armas e agentes biológicos são referenciados outras vezes, como nas páginas 200 e 201. Mas é na página 108 que o cenário fica bem próximo do que se vê atualmente com a pandemia coronavirótica, quando diz que “outro desenvolvimento em grande escala que poderia interromper a globalização seria uma pandemia” e que “alguns especialistas acreditam que é apenas uma questão de tempo até que surja uma nova pandemia, como o vírus da gripe espanhola que matou aproximadamente 20 milhões de pessoas em todo o mundo entre 1918 e 1919. Tal pandemia em megacidades dos países em desenvolvimento com sistemas de saúde pública precários [...] seria devastadora e poderia se espalhar rapidamente por todo o mundo. A globalização seria ameaçada se o número de mortes chegasse a milhões em vários países importantes, e se a transmissão da doença interrompesse as viagens e o comércio internacionais durante um longo período, obrigando governo a gastar grandes somas em setores de saúde abalados”. Considerada a edição original da obra, isso foi escrito há 18 anos.
2008 - A MÉDIUM – A escritora norte-americana Sylvia Celeste Browne (1936-2013), que se atribuía habilidades psíquicas, escreveu com Lindsay Harrison o livro "End of Days", publicado em 2008 em Nova York e lançado no Brasil sob o selo Prumo, em 2009, com o título "Fim dos Tempos -- Estudos, Previsões e Profecias". Nessa obra de 14 anos atrás, Browne arriscou: “Por volta de 2020, uma doença grave do tipo pneumonia se espalhará por todo o mundo, atacando os pulmões e os brônquios e resistindo a todos os tratamentos conhecidos”. E ainda: “Quase mais desconcertante do que a própria doença será o fato de que ela desaparecerá tão rapidamente quanto chegou, atacará novamente dez anos depois e depois desaparecerá completamente.”
2009 – CIA (2) - O segundo livro que reproduz relatório da Inteligência americana é "O Novo Relatório da CIA – Como Será o Amanhã", de 2009 (Geração Editorial, São Paulo). Sob o título “Emergência potencial de uma pandemia global” (página 159), o livro adverte, como se tivesse sido escrito há poucas semanas e não 14 anos atrás: “A emergência de uma nova doença respiratória humana altamente transmissível e virulenta para a qual não há contramedidas adequadas poderia iniciar uma pandemia global. Se uma pandemia surgir por volta de 2025, tensões e conflitos internos e externos poderão ocorrer conforme os países lutam -- com capacidades degradadas -- para controlar o movimento de populações que buscam evitar infecção ou manter acesso aos recursos. // O surgimento de uma pandemia depende de uma mutação genética natural ou um reagrupamento das doenças atualmente em circulação ou do surgimento de um novo elemento patogênico na população humana. Os especialistas consideram que tipo de gripe aviária [...] altamente patogênicos, como a H5N1 são os candidatos para essa transformação, mas outros elementos patogênicos -- como o coronavírus SARS ou outros tipos de gripe -- também têm esse potencial. // Se uma pandemia surgir, ela provavelmente irá ocorrer em uma área marcada por grande densidade populacional e com próxima associação entre humanos e animais, como muitas áreas da China e do Sudeste Asiático, onde populações humanas vivem muito próximas dos animais de criações”.
Mais adiante: “Uma resposta vagarosa por parte das instituições de saúde pública atrasaria a percepção do surgimento de um elemento patogênico altamente transmissível. Poderiam se passar semanas antes que os testes laboratoriais confirmassem a existência de uma doença com potencial pandêmico. Nesse ínterim, focos da doença começariam a aparecer nas cidades do sudeste asiático. Apesar dos limites impostos às viagens internacionais, os viajantes com sintomas leves ou imperceptíveis poderiam levar a doença a outros continentes. // Ondas de novos casos poderiam ocorrer dentro do período de poucos meses. A ausência de uma vacina eficiente e falta de imunidade quase universal deixaria as populações à mercê da infecção”. Já no final desse texto, prevê-se, a partir do grande número de contágios e de mortes, que “haveria degradação crítica da infraestrutura e perda econômica em escala global [...]”.
2011 – CONTÁGIO – O conhecido cineasta norte-americano Steven Soderbergh (1963) lançou há nove anos "Contágio", o vigésimo-quinto de sua carreira a partir de 1987. O longa-metragem tem história que conta sobre a propagação e os efeitos de um vírus e a luta para combatê-lo. Em entrevista, o diretor, que até 2019 contava mais nove filmes e séries após "Contágio", diz que não se surpreendeu com o fato de o novo coronavírus ter surgido nos chamados "wet markets" chineses, que são locais onde são vendidos animais vivos de variadas espécies e alimentos perecíveis. Soderbergh conta: “Todos os especialistas com quem conversamos disseram que poderia vir de lá. Alguns ainda disseram que teria um morcego envolvido. Isso há mais de dez anos, quando estávamos fazendo pesquisa para o filme”.
2012 – DESLACRADO – Em abril de 2011, o FBI (Departamento Federal de Investigação, do Governo dos Estados Unidos), por força da Lei de Liberdade de Informação, liberou arquivos até então mantidos em sigilo absoluto. De bizarras experiências biológicas a questões ufológicas, sociedades secretas e armas biológicas, tinha de tudo. Imediatamente, o conhecido Discovery Channel, canal de televisão fundado em 1985, reconhecido mundialmente como grande produtor de documentários, fez uma série de 22 episódios a partir da documentação revelada. Nome da série: “Unsealed” (“deslacrado”, mas, em português, recebeu o nome de “Arquivos Confidenciais”).
Diversos episódios mencionam “armas biológicas”, “doenças que devastaram populações foram criadas em laboratórios”, “fomes e pandemias ameaçam a sociedade em escala global”, “controle da população mundial” (como o inscrito nas estranhas “pedras-guias da Geórgia”, que alertam para a manutenção da população mundial em apenas 500 milhões de pessoas). No episódio nº 20 diz-se: “Algumas pessoas acreditam que certos vírus foram criados para afetar a raça humana, incluindo SARS, H1N1, AIDS e possivelmente até o Ebola". E também: “Certas cepas [linhagem] de varíola certamente foram desenvolvidas pelo nosso Governo [americano], e por outros, como armas”.
Também mostra uma “base secreta de uma das armas biológicas mais diabólicas já criadas. Ex-funcionários testemunharam que houve grandes vazamentos de vírus criados em laboratório. Germes que escaparam das instalações e podem causar epidemias”.
(Edmilson Sanches)

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