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Articulista do Facetubes, escritor Edmilson Sanches, escreve: "O Vírus e as Artes", parte I

01/02/2023 às 22h40
Por: Mhario Lincoln
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Arte de MHL com IA.

Imortalidade. Perenidade. Perpetuidade. Eternidade...

A ideia de algo “sem fim” ficou para título de livro e filme, e a noção de “para sempre”, delimita-se às declarações de amizade e de amor, especialmente as das historinhas de princesas e príncipes, que se casam e vivem felizes “ad aeternum”. 

Sim; “imortal”, mesmo, nem os membros de Academias o são  --  nunca foram. E sobre isso não paira dúvida sequer nos menores seres  --  uma bactéria, um fungo... ou um vírus. Um velho vírus  -- coronavírus --  e sua nova doença: covid-19.

Foram muitos os casos de incidência e reincidência da doença covid-19 em membros  -- mulheres e homens -- de Academias de Letras, Artes e Ciências em todo o Brasil, mesmo naqueles que haviam tomado as inicialmente recomendadas duas doses da vacina. “Prova” de que somos todos compostos do mesmo barro impregnado de hálito divino de que foram feitos, edenicamente, todos os demais seres humanos. E isso não afetou nem um pouco a confiança dos reinfectados na vacina: praticamente todos reafirmam a validade dos imunizantes e recomendam sua aplicação. (Eu não sei de nada...).

Se, mesmo em sua pequenez microscópica, um vírus teima em relembrar da finitude ou transitoriedade humana, inclusive para os “imortais”, estes, com seu talento e trabalho, pertinácia e persistência, com suas obras em suporte impresso ou em meio digital, é que, com cuidado e respeito, não se atemorizarão com a agressividade e/ou letalidade virótica e continuarão o mister que têm a executar e os mistérios que têm para desvendar. 

E fazendo tudo isso com graça e sem descontinuidade.

Ou seja: ternos e  -- aqui sim --  eternos... (E. Sanches)

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A imaginação artística antecipa-se à Ciência...

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LITERATURA, ARTE E PANDEMIA (I)

 

Muito antes da nova pandemia e de seu causador, o novo coronavírus, se instalarem no corpo, na preocupação e no medo das pessoas em todo o mundo, iguais ou semelhantes doenças e seus agentes já tinham contagiado páginas e mais páginas de livros e "frames" e mais "frames" de filmes e vídeos  --  e, alguns acreditam, até letras de músicas. Remonta a tempos imemoriais os ataques dos vírus e a luta dos humanos para sobreviver a eles.

Sim, "irmãos gêmeos" ou "parentes próximos" do novo coronavírus e suas consequências, muito antes do dia 31 de dezembro de 2019 (a data “oficial” do surgimento desse mais novo vírus-rei, pois já nasceu com coroa  -- "corona", em latim), muito antes de qualquer outra data objeto de especulação, esses membros da família viral e da Microbiologia em geral já eram citados  --  explicitamente, subliminarmente e simbólica ou interpretativamente --, como praga, peste, vírus, mal, doença, desde passagens bíblicas antigas até recentes estudos de cenários e também em programas jornalísticos, em versos de profecias, em literatura de ficção e em composições musicais... 

De alguma forma, já se sabia. Eles sabiam. Os escritores, os jornalistas, alguns cientistas, os poetas, os “loucos”. Eles anteciparam. Eles sobreavisaram. Como cantaria Renato e Seus Blue Caps, banda carioca formada em 1960, “depois não diga que eu não lhe avisei”...

BÍBLIA – Não dá para não lembrar a Bíblia se o assunto é profecia  --  até porque os biblicistas reivindicam a exclusividade no uso do termo “profeta”, palavra formada de "pro-" (à frente, adiante) e "-phanai" (grego para “falar”), pelo que profeta seria aquele que fala do que está por vir, do que vem adiante, do que ainda virá. Em termos de Bíblia, além do uso genérico  -- e às vezes indevido --  de expressões apocalípticas como “fim dos tempos”, “fim do mundo”, citem-se os versículos 13 e 14 do capítulo 7 do segundo livro de Crônicas (2 Crônicas 7:13-14), onde se lê: “[...] se enviar a peste entre o meu povo; / E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.” O livro bíblico 2 Crônicas, acredita-se, foi escrito no século 5 antes de Cristo, portanto, há 2.453 anos.

1139/1595 - MALAQUIAS – São Malaquias começou a ter visões em 1139 e suas profecias foram publicadas a primeira vez em 1595. O santo nascido na Irlanda em 1094, falecido em 1148 e canonizado 51 anos após sua morte, é tido por autor da “Profecia dos Papas”, onde, no que corresponderia ao pontífice atual, Francisco, se anota que ele, papa, “[...] apascentará as ovelhas em meio a muitas tribulações. Passadas estas, será destruída a cidade das sete colinas e o Tremendo Juiz julgará o Seu povo. Fim.” Essa profecia tem 884 anos, contados a partir de 1139, ou 428 anos, a partir da primeira publicação, em 1595.

1555/1557 - NOSTRADAMUS Falar em profecias, previsões, vaticínios e não lembrar-se de Nostradamus, é desconhecer as diversas “possibilidades” dos quartetos nostradâmicos, cujo simbolismo é complacente, elástico ou resiliente o suficiente para acomodar associações, interpretações e, até, realidades. Há quem esteja convencido do acerto das palavras do famoso médico, farmacêutico e alquimista francês Michel de Nostredame (1503-1566) em relação à ascensão de Hitler, o atentado às torres gêmeas em Nova York (EUA) e outros eventos, para ficar só nos mais recentes. Quanto à pandemia atual, acomoda-se a seguinte vidência verbal do francês: “A grande praga na cidade marítima não cessará até que se vingue a morte de um justo aprisionado e condenado por crime algum; a grande senhora é ofendida pela pretensão”. “A grande praga” seria o novo vírus (chamado cientificamente “coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2”, ou, abreviadamente, “SARS-CoV-2”). Por sua vez, a “cidade marítima” seria aquela onde o vírus surgiu, a chinesa Wuhan, que, se não dá de cara com nenhum oceano, nem por isso deixaria de ser “marítima”, já que o novo coronavírus teria sido localizado primeiramente em um mercado que vende “frutos do mar”, e também seres viventes alados, caminhantes e rastejantes de outros locais. 

Não são de autoria de Nostradamus uns versos ditos proféticos que se iniciam com “E no ano dos gêmeos / surgirá uma rainha / desde o Oriente / que estenderá sua praga / [...]”. Isso foi uma sátira sem graça de um humorista espanhol dos dias de hoje. Esses e outros versos "não nostradâmicos" (há mais uma quadra) espalharam-se como praga textual, acompanhados de "explicação", que diz que "ano dos gêmeos" seria 2020; que “rainha” teria a ver com coroa/"corona"; “Oriente” seria a China; e “praga”, o vírus). Contados desde a publicação das primeiras profecias, em 1555, as profecias de Nostradamus já contam 468 anos.

1947 A PESTE Ao se referir a males contagiosos em geral que causam mortandade, é impossível não se referir à obra "A Peste", lançada no pós-guerra, em 1947, escrita pelo francês, nascido na Argélia, Albert Camus (1913-1960). No livro, a peste é a bubônica, que arrasa uma cidade argelina. O nome “bubônica” tem origem na palavra grega "boubôn" / "boubônos" (“tumor”, “virilha”, “tumor na virilha”). São 76 anos desde a primeira publicação de "A Peste", em 1947.

1981/1989 – OLHOS - O professor e escritor norte-americano Dean R. Koontz (1945), autor de dezenas de livros de ficção científica, terror e suspense, publicou em 1981 a edição original de "The Eyes of Darkness" (“Olhos da escuridão”, sem tradução em português). Oito anos depois, em 1989, com alterações na geopolítica mundial, relançou a obra com alteração: o novo nome do vírus, que era russo e se chamava Gorki e passou a chamar-se “Wuhan-400”, o nome da cidade chinesa onde surgiu o novo coronavírus. Na tradução do "site" Sapo, de Portugal, eis um trecho do livro: “Chamam-lhe Wuhan-400 porque foi criado num dos laboratórios de pesquisa de DNA às portas da cidade de Wuhan, e foi a estirpe Nº 400 de micro-organismos fabricados pelo homem criados nesse centro. Wuhan é a arma perfeita. Só afeta seres humanos. Mais nenhum ser vivo pode ser portador". De 1989 para cá, a obra com o nome de Wuhan para o vírus já conta 34 anos.

1995/2008 – CEGUEIRA – O escritor português José Saramago (1922-2010) lançou “Ensaio Sobre a Cegueira" em 1995. O romance do consagrado escritor e Prêmio Nobel de Literatura em 1998 descreve a aflitiva situação de pessoas vítimas de uma epidemia de “cegueira branca”. Recentemente reassisti ao filme, de 2008, baseado no romance, produzido conjuntamente pelo Brasil, Canadá e Japão e dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles (1955). Até a volta da luz aos olhos, são duas horas de tensões e paixões e indignidades humanas, com pessoas confinadas (isoladas) em um grande prédio. Saramago não queria livro seu transformado em filme, mas, como está nos “extras” do disco, assistiu, gostou e se emocionou com o que o brasileiro Meirelles fez (Meirelles estava um “poço” de apreensão sobre se a película agradaria ao velho romancista). Já são decorridos 28 anos de publicação do livro e 15 de lançamento do filme. (Edmilson Sanches)

 

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JAIME Há 3 anos BSB/DFPublicação muito profunda, sempre trazendo temas de valor incomensurável Preclaro presidente.
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