Uma sensível incurável
Letícia Mariana
Acordei com os olhos inchados de tamanho pranto. Vermelhos, quase como se fosse efeito de droga: a droga de amar.
Não posso mais culpar alguém. Eu sou a única culpada pela tragédia que sofro diariamente dentro de mim. Por mais que eu receba afeto, atenção, carinho, sempre sinto que algo está para acontecer. Não, algo vai acontecer! E eu posso perder tudo de bom que estou para usufruir. Inclusive amor.
Anseio por liberdade. Liberdade não de outra pessoa, mas de mim. Eu me prendo como algemas incuráveis, como uma cela imunda que insiste na existência da sujeira! É meu sentimento.
Um suspiro após escrever. Preciso de um café, nem isso tomei. Precisava de um alimento, nem disto desfrutei! Qualquer coisa que me dê quase o mesmo ânimo que um olhar dele me dá. Não é nem o beijo. Nem o toque. Nem sequer as mãos se cruzando! O olhar.
Só ao lembrar dele me olhando, sim, tenho arrepios. Arrepios de uma sensível sem cura. Alguma coisa me resta no âmago. Não é ele. Ele está aqui. Mas e se não estiver mais? O que eu faço comigo? Talvez ninguém compreenda a profundidade deste texto. Nem eu.
Por que escrever? Para me reconectar.

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