OS CICLOS ANCESTRAIS
De João Batista do Lago
Agora pleno de todas ancestralidades
dou luz às eternidades do novo
todo o velho que me houve no arcabouço
restará findo no buraco negro da existência.
Toda gravidez que agora me habita
há de parir novo sol… novos luares…
ainda que o medo me arraste para o abismo
incólume o noviço demiurgo surgirá.
Assim terei cumprido a lógica do tempo
e todo espaço se dará pleno e sábio
na ossatura macabra do novo viver:
“Os novos ciclos ancestrais vão nascer!”
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AS PUTAS DE UPAON-AÇU
De João Batista do Lago
I
Agora as vejo com clareza plena!
Quão plenas quanto o dia.
Despudoradamente belas – assim como a lua cheia surgente por detrás do atlântico mar!
II
Sim, elas são as minhas putas!
Tão dóceis; tão fáceis; tão disputadas pelos falocêntricos poetastas que mal cabem em seus pijamas com odores de carmim e cocô envelhecidos…
Porém, elas são as minhas putas. E não as quero dividir com ninguém.
III
Todas as sacadas já foram criadas.
Mas, as janelas também estão abertas como ofertório de ubres e de ventres das putas que me amam, assim como eu as amo… também as amo assim sobre os telhados, onde nossos sexos se comprazem numa só loucura antropofágica, onde apenas nós bebemos o vinho puro de nossos gozos, onde não precisamos de sacristias para nos dizermos deuses.
IV
Eu e as minhas putas somos assim:
sacadas
e janelas
e telhados.
Somos a lua cheia ensolarada e somos o sol enluarado do meio-dia, pescando dos mares que nos rodeiam o peixe mais puro, donde faremos o banquete nupcial de nossas almas e corpos ardentes da pulsão plena da existência. E assim sendo somos a plena e infinita natureza… E elas, as minhas putas, veneráveis deusas!
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