Parte04
Ilustrações originais: Miguel de Cervantes, Coelho Netto, Josué Montello e Aluísio de Azevedo.
Edmilson Sanches
Aderson Ferro tinha saído de Caxias em setembro de 1877 para estudar “Arte Dentária” (Odontologia) em Paris e lá tornara-se membro da Sociedade Nacional de Geografia da França, e nesta condição estava na reunião com Maupassant e como este sendo admitido em uma sociedade mais específica da área, neste caso, Geografia Comercial.
Também sobre Aderson Ferro descobri que, sim, e distintamente do que se registra em textos -- poucos -- biográficos, ele voltou para o Maranhão após retornar da França, tendo montado consultório na Rua da Paz, em São Luís, como comprovam anúncios de sua atividade profissional publicados em jornais da capital maranhense naquela segunda metade do século 19 (anos 1880). Só depois, por motivos ainda insabidos, é que Aderson Ferro mudou-se para o Ceará, onde clinicou em Fortaleza e, depois, em diversas cidades do interior cearense, onde faleceu e permanece enterrado, em Baturité).
Portanto, tornando a Brito Broca: ele ampliou para “formação literária” o que o próprio Coelho Netto assumiu como livros que mais o “impressionaram”, além do que, de cara, o maranhense-caxiense ter dito que não “autores”, mas “pessoas” (negros, caboclos, brancos) é quem contribuíram para a formação do autor, desde logo “em criança” -- “Até hoje sofro a influência do primeiro período da minha vida no sertão”. (Veja-se a obra “O Momento Literário”, de João do Rio -- pseudônimo do jornalista, cronista, tradutor e teatrólogo carioca João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto[1881-1921] --, publicada pela Criar Edições, Curitiba, 2006).
Tornando à obra de Cervantes. Além de Josué Montello e Coelho Netto, o maranhense-ludovicense Aluísio de Azevedo foi tocado pelo talento cervantino: na mesma introdução a “Dom Quixote”, Brito Broca consigna que, em busca de uma “revivescência indígena do herói de Cervantes”, uma espécie de Dom Quixote brasileiro -- como à época já existiam Quixotes nas literaturas alemã, russa, francesa e italiana --, Aluísio de Azevedo “teve ideia semelhante, por volta de 1909, de fazer um Dom Quixote da fé, inspirado na figura de Antônio Conselheiro [...]”. A ideia aluisiana não se materializou...
A influência e/ou a presença de autores maranhenses nos diversos estratos da Literatura -- universal, brasileira, regional – é matéria a ser consolidada e ampliada, tais e muitas são as menções, citações, dissertações, teses e outros trabalhos acadêmicos, além de livros, textos em jornais etc. produzidos por ou sobre nossos conterrâneos, Brasil adentro e mundão afora.
Um dia haverá uma decisão, farto apoio e a efetivação de um trabalho de pesquisa, coleta, documentação e disseminação de informações e trabalhos relacionados aos -- ou de autoria de – talentosos maranhenses que contribuíram, e muito, para que nosso País se houvesse melhor, seja enquanto realidade para nós, seja como referência para outrem.
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EDMILSON SANCHES
Administração - Comunicação - Desenvolvimento - História – Literatura
PALESTRAS, CURSOS, CONSULTORIA

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