Pulinhos!
Sara Gama, cronista e Juiza Estadual (MA).
Na primeira manhã de abril de 2023, a bordo de um navio, uma das esteiras da academia corria sob meus pés, enquanto se revelava aos meus olhos uma bela Vista do Rio de Janeiro.
A minha frente, por uma das vidraças da proa, se descortinava a futurística arquitetura do museu do amanhã, bem como uma parte da orla portuária e um recorte do centro histórico, tudo emoldurado por lindas montanhas ao fundo.
Apesar da imagem cinematográfica, subitamente meus olhos se dispersaram e são conectados à tela da esteira na qual eu me exercitava, onde passava um filme infantil, na exata cena de duas crianças com as mãos dadas, caminhando em pulinhos…
Era aquele modo de andar meio correndo, meio pulando, que as crianças costumam fazer quando estão alegres, relaxadas, cujo saltitar reflete a leveza das emoções.
De imediato, ocorreu-me um insight e mergulhei em pensamentos profundos, percebendo eu que a vida deveria ser mais desfrutada assim, tal qual aquele lindo trote infantil, em pulinhos…
O coração que nos mantém vivos, executas seu perene labor em pulinhos! Nossos olhos, janelas da alma, para manter o brilho que ilumina a vida, labuta num piscar continuo, em pulinhos!
O pulsar da vida é um frenesi de pulinhos, pois hora estamos em terra, na pseudo solidez de nossa racionalidade, hora estamos no céu, desfrutando a fluidez e a insegurança das emoções.
A obra da existência se reverbera em pulinhos, tal como a marola das ondas do mar, as ondas do som, as ondas de luz… quanta beleza e sabedoria na ingenuidade do andar infantil!
É isso! Acordei subitamente, devemos viver a vida em pulinhos, deixar despertar a criança adormecida dentro de nós, pois ela é capaz de saltitar com leveza sobre os obstáculos da vida!

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