Antonio Guimarães de Oliveira.
A vida vai ficando cada vez mais dura perto do topo. A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez. A vida mais doce é não pensar em nada.
Temos a arte para não morrer da verdade. Encontra-se sempre, aqui e ali, algum semideus que consegue viver em condições terríveis, e viver vencedor! Quereis ouvir os seus cantos solitários? Escutai a música de Beethoven.
No convívio com sábios e artistas facilmente nos enganamos no sentido oposto: não é raro encontrarmos por detrás dum sábio notável um homem medíocre, e muitas vezes por detrás de um artista medíocre - um homem muito notável.
Quem for fundamentalmente um mestre, apenas toma a sério tudo o que se relaciona com os seus discípulos, - incluindo a si próprio. O que o pai calou aparece na boca do filho, e muitas vezes descobri que o filho era o segredo revelado do pai.
Saber é compreendermos as coisas que mais nos convêm. A nossa vaidade gostaria que o que fazemos melhor fosse considerado como aquilo que mais nos custa. Para explicar a origem de certas morais. Querer a verdade é confessar-se incapaz de a criar.
Com os princípios quer-se tiranizar os hábitos, ou justificá-los ou honrá-los ou injuriá-los ou escondê-los: dois homens com princípios iguais querem, verossimilmente, atingir com eles algo de fundamentalmente diferente.
Não é só a razão, mas, também a nossa consciência, que se submetem ao nosso instinto mais forte, ao tirano que habita em nós. Quando adestramos a nossa consciência, ela beija-nos ao mesmo tempo que nos morde.
É só dos sentidos que procede toda a autenticidade, toda a boa consciência, toda a evidência da verdade. Não é a intensidade dos sentimentos elevados que faz os homens superiores, mas, a sua duração.
Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar. Muitos são os obstinados que se empenham no caminho que escolheram, poucos os que se empenham no objetivo.
Como? Um grande homem? Eu apenas vejo o ator representando o seu próprio ideal. O homem que vê mal vê sempre menos do que aquilo que há para ver; o homem que ouve mal ouve sempre algo mais do que aquilo que há para ouvir.
As convicções são inimigos da verdade bem mais perigosos que as mentiras. Há uma inocência na admiração: é a daquele a quem ainda não passou pela cabeça que também ele poderia um dia ser admirado.
Quando se amarra bem o próprio coração e se faz dele um prisioneiro, pode-se permitir ao próprio espírito muitas liberdades. Abençoados os que esquecem, porque aproveitam até mesmo seus equívocos.
Friedrich Wilhelm Nietzsche, 15 de outubro de 1844, Röcken, Lützen, Alemanha – 25 de agosto de 1900, Weimar, Alemanha.(TRANSCRITO

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