Quinta, 11 de Junho de 2026
13°C 20°C
Curitiba, PR
Publicidade

Mais uma manifestação lírica do poeta Eloy Melonio, que exige diligente reflexão

31/12/2024 às 13h03
Por: Mhario Lincoln
Compartilhe:

Por Mhario Lincoln

A quadra inicial de Eloy Melonio — “Nem toda história tem necessariamente um desfecho, e nem todo fim implica necessariamente um começo” —  já me impactou porque ilustra, de forma singular, a natureza inconstante dos ciclos poéticos, pois indica que a arte e o pensamento não se encerram, antes transitam em instâncias de permanência e silêncio. Sob esse enfoque, depara-se com o entrelaçamento do início e do término como algo fluido, sem fronteiras fixas, evocando, pois, discussões filosóficas dos primórdios do Renascimento. Lembrei imediatamente de Nicolau de Cusa (1401-1464), em cuja obra ponderou sobre a infinitude e sobre a temporalidade. essa, por sua vez, não se reduz a um simples fio contínuo, mas se revela através de mutações e nuances, muitas vezes insuspeitadas, que realçam a tênue linha entre começos e fins. A consciência que perpassa essas transições. Assim, para Cusa, o instante derradeiro pode, paradoxalmente, persistir como semente de nova interpretação ou criação. Desse modo, a essência poética preconizada por Eloy Melonio à própria perspectiva ampliada da realidade, na qual toda conclusão remete a um além do visível. Assim, a ideia de que “nem todo fim implica necessariamente um começo” não é negação de continuidade, mas sim a afirmação de que o mistério do existir resiste a rótulos estanques e impele o pensamento à busca incessante do indizível. Parabéns, Eloy. Você me surpreende para melhor, sempre que o leio!

 

A POESIA

 

ASSIM, ENFIM

Eloy Melonio.

 

Nem toda história tem
necessariamente um desfecho,
e nem todo fim implica
necessariamente um começo.

O começo parece sugerir um fim,
seja cenário, seja ensaio, seja roteiro
mesmo que esse fim se ache perdido
entre uma pedra e um poeta mineiro.

Se não existe um fim (?),
pode-se até desconfiar do começo ou do meio.
Se ainda no meio, sabe-se do início,
mas nada do fim.

Se o clímax se perder no caminho,
o desenlace pode se antecipar ou se atrasar
porque o fim não tem hora para chegar.

Do primeiro ao último ato,
de mim sei quase todo o enredo.
O que não sabia já me foi dito,
o que ainda não sei, algum dia saberei.

E, assim, viajante da trilha do sol,
qualquer tardinha dessas
acharei, enfim, o meu eterno arrebol.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Curitiba, PR
15°
Parcialmente nublado

Mín. 13° Máx. 20°

15° Sensação
1.38km/h Vento
96% Umidade
100% (4.7mm) Chance de chuva
06h59 Nascer do sol
05h34 Pôr do sol
Sex 19° 11°
Sáb 17°
Dom 15°
Seg 12° 11°
Ter 18° 10°
Atualizado às 19h01
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,10 +0,01%
Euro
R$ 5,91 +0,14%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 342,167,96 -0,17%
Ibovespa
171,497,23 pts 1.71%
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias