"No poema “PEDRAS”, Márcio Gleide faz uso de insights contundentes para expressar diferentes formas de violência que permeiam o convívio humano. As pedras não são apenas projetos lançados contra o corpo, mas também ofensas verbais e julgamentos cruéis que, lançados com línguas, ferem de modo profundo. Mas nesse contexto, quem joga pedras também as recebe, e assim a espiral de ofensas se renova.
A simplicidade da linguagem e a recorrência da palavra “pedras” enfatizam a força do símbolo e revelam um movimento cíclico de ataque e defesa, em que o indivíduo tenta, por vezes, recuperar o que foi dito ou feito, mas sem sucesso. A pedra, uma vez lançada, já cumpre seu efeito destrutivo, deixando hematomas visíveis ou invisíveis na alma. Essa ambivalência entre o físico e a moral funciona como uma denúncia da violência sutil que corrói as relações e expõe a fragilidade de cada ser humano diante de críticas, julgamentos precipitados ou maledicências". (Mhario Lincoln). Abaixo, o vídeo:
O POEMA
PEDRAS
Curitiba-PR 17/01/17
Jogaram em mim muitas pedras.
Com as mãos certeiras, até sorriu.
Com dedos de seta fatal.
Pedras jogadas com línguas.
Em mim jogaram pedras.
Mas eu também as atirei por ai...
Na caminhada trilhada até aqui.
Pedras que por vezes quis pegá-las de volta.
Sem ter êxito na sua captura, após lançada.
Pedras que arranham e traz hematomas.
Pedras que quando atingem, fere e mata.
Pedradas que humanos desferem em humanos.
Marcio Gleide é membro da Academia Poética Brasileira, indicado pelo patrono da Cadeira 56, ainda em vida, pensador Olinto Simões.

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