Por Gracilene Pinto
No último sábado, 08 de novembro, por iniciativa do Presidente Expedito Moraes, o Fórum da Baixada viu ressuscitar os famosos serões da Baixada Maranhense.
Só que, desta vez a Conversa de Terreiro não teve por cenário as Noites Baixadeiras. E sim, o terreiro da residência do nosso honorável Presidente, onde se reuniram representantes da maioria dos municípios da Grande Nação Baixadeira: São Bento, Viana, São Vicente Férrer, São João Batista, Matinha, Cajari, Penalva, Arari, Peri Mirim, Pinheiro, Anajatuba, etc.etc.etc.
E, para gáudio nosso, no início do sarau compareceu também uma siricora, como a certificar-se que tudo aconteceria a contento e nos moldes dos antigos serões.
Ali, mais uma vez ficou provado que nossa maior riqueza, nosso maior galardão, é a nossa gente, o nosso povo baixadeiro com seu saber ancestral, sua alegria contagiante e seu senso de fraternidade, tão claramente manifestado no prazer explícito de partilhar o pão. O pão do corpo e o pão do espírito. Sim, porque as musas gregas Talia, Érato, Euterpe, Melpômene, Polímnia e Calíope, com certeza também estavam lá, porque a música e a poesia fizeram a festa alimentando os espíritos dos baixadeiros. Que poesia não se come, mas alimenta o espírito.
E assim, nem mesmo o fato de estarmos distantes do torrão natal e da incontestável magia da Baixada do Maranhão, onde o céu tem mais estrelas e a rasga-mortalha, rasga o véu da noite com seus gritos agourentos; os cães ainda uivam namorando a lua; o cricrilar dos grilos e o coaxar dos sapos nas baixas, enchem a noite com sua monótona orquestra; e, enquanto caborés e bacuraus ensaiam seus voos magistrais sobre os campanários das igrejas, o cantar do galo atravessa a madrugada espantando curacangas e outras visagens para seu reino de trevas e de lendas; quebrou o encanto da nossa primeira Conversa de Terreiro. Nem mesmo a preguiça da lua, que demorou a aparecer e não se iguala jamais à beleza irreal das luaradas do nosso sertão, pois na cidade grande ela se mostra tímida, como uma caboclinha baixadeira que pela primeira vez pisasse o solo da capital, conseguiram empanar o brilho e o encantamento da nossa conversa de terreiro.
Na mesa não tivemos um cozido de peixe “engrazado”, acompanhado do indefectível pirão; um mussum no leite de coco ou uma piabinha frita; mas, entre outras tantas guloseimas, tivemos queijo de São Bento; bolos de tapioca e macaxeira; macaxeira cozida; queijo fresco de “búfa” (búfala); doces secos de São Vicente Férrer; os inigualáveis chocolates, com e sem canela; e nosso café baixadeiro, torrado no caldeirão de ferro e socado no pilão do joanino Valmir.
Contaram-se causos; cantaram-se louvores aos torrões natais; recitaram-se poemas; e ressuscitou-se os antigos menestréis medievais com seus versos de cordel, em uma implícita homenagem à ancestralidade.
Enfim, como disse Anízia Nascimento, a noite foi muito curta para esse encontro em que o passado e o presente se uniram para sonhar com um futuro grandioso. E ali, mais uma vez, ficou provado que tudo vale a pena se a alma não é pequena e que o melhor da Baixada ainda é o baixadeiro.
Abaixo, a autora.

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