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Especiais ESPECIAL JOSÉ NERES

Professor José Neres (AML/Sobrames) escreve sobre Alfredo Bosi, da Academia Brasileira de Letras

O7 de abril de 2021. O Brasil se despede de um de seus inigualáveis homens de letras.

07/04/2021 18h57 Atualizada há 5 dias
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Por: Mhario Lincoln Fonte: José Neres
Montagem ML/Bosi e Neres
Montagem ML/Bosi e Neres

Alfredo Bosi – um Adeus!

José Neres

(Professor. Membro da AML e da Sobrames)

07 de abril de 2021. Alguém acessa algum portal da internet e lá está em letras garrafais: “Morre de Covid-19 o imortal da ABL Alfredo Bosi”. Em outra página a notícia é replicada com outro título: “Morre o crítico literário Alfredo Bosi”. Imediatamente essas (e outras) páginas virtuais são compartilhadas em grupos de aplicativos de comunicação instantânea. Minutos depois, essa mesma notícia ocupa alguns segundos dos noticiários televisivos e algumas emissoras de rádio tecem alguns comentários sobre aquele homem de 84 anos que não resistiu às complicações causadas pelo vírus Covid-19.

Muitas pessoas viram essa informação como apenas mais um dado estatístico, somente mais uma pessoa a alimentar essas cruéis estatísticas sobre a Pandemia. Mas para os amantes e para os profissionais das letras tal notícia tem uma significação mais que especial. O Brasil acaba de perder um de seus mais importantes intelectuais, um dos mais influentes homens de letras das décadas finais do século XX e das duas primeira do século XXI.

Professor, crítico literário, membro da Academia Brasileira de Letras e de outras muitas instituições culturais e um dos mais respeitados historiadores da Literatura Brasileira, o nome de Alfredo Bosi (1936-2021) é um dos raros casos de unanimidade positiva quando se trata de reconhecimento de um talento nato para a escrita e para a análise do comportamento histórico-social-cultural de um país que quase nunca valoriza seus intelectuais.

Será raro encontrar um profissional de Letras formado nas últimas cinco décadas que não tenha muito a agradecer pelos ensinamentos que Alfredo Bosi transmitia não apenas em suas aulas na USP e em suas palestras, mas, principalmente nas inúmeras páginas de seus livros e estudos acerca de autores como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Jorge de Lima, Lygia Fagundes Telles, Mário de Andrade, Graciliano Ramos, Cecília Meireles, Pirandello e Leopardi, entre outros. Alguns livros seus, como História concisa da literatura brasileira, O ser e o tempo na poesia, Dialética da colonização e Literatura e resistência são essenciais para a compreensão dos diversos momentos da formação e do desenvolvimento intelectual do Brasil.

Bosi também se tornou uma referência mundial nos estudos sobre a produção literária de Machado de Assis, um dos autores de sua predileção. Ele foi um dos responsáveis por jogar novos olhares sobre a obra do autor de Dom Casmurro. A partir de leituras como Machado de Assis: o enigma do olhar e Brás Cubas em três versões, é possível estabelecer um contato mais sólido com a obra desse instigante autor brasileiro e dirimir algumas dúvidas que atravessaram décadas incomodando os críticos.

Em uma de suas produções mais recentes – Entre a Literatura e a História, principalmente nas sessões dedicadas à reprodução de algumas de suas entrevistas, é possível o leitor conhecer um pouco mais da sólida formação acadêmica de um homem que dedicou quase toda a sua vida às artes de ensinar, de escrever e de interpretar textos dos grandes vultos de nossa história literária.

O7 de abril de 2021. O Brasil se despede de um de seus inigualáveis homens de letras. Para alguns, será apenas mais um nome e um número em uma planilha de estatística, mas para quem valoriza as artes, trata-se de uma data que deixará uma grande lacuna na vida da inteligência Brasileira.

Resta, então, agradecer ao professor Alfredo Bosi por tudo o que ele fez por nossa cultura e desejar-lhe um bom repouso eterno. Seu nome já estava e continuará escrito nas melhores páginas de nossa vida cultural. Seu legado é eterno.

 

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