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Internacional Textos Escolhidos

O livro INA A VIOLAÇÃO DO SAGRADO, de Mhario Lincoln, resenhado em terras inglesas

EXCLUSIVO: rápida análise do Acórdão do Tribunal Marítimo sobre o Acidente com o HNW, feito pelo advogado Osvaldo Pereira Rocha.

12/04/2021 11h14 Atualizada há 4 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Divulgação
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Prólogo: Às 18 horas do dia 31 de março de 1987, o navio coreano Hyundai New World, considerado o terceiro maior graneleiro do mundo, carregado  com 101.721,917 de carvão, trazida de portos americanos e 94.860TM de minério de ferro, carregado no Terminal da Ponta da Madeira (SLZ) somando 196.581.917 TM, destinados à Coreia do Sul, encalha em um dos bancos de areia que povoam a Baía de São Marcos, em São Luís-Ma.

IN MHARIO LINCOLN'S BOOK (INA-The Violation Of The Sacred). Quando Lendas, Religião e o Jurídico discutem S.Luís-MAO DESASTRE COM O H.N.W REFORÇOU A IDEIA OFICIAL DOS CUIDADOS COM O MEIO-AMBIENTE EM SÃO LUÍS, PELA PRIMEIRA VEZ.

Por: Kenard Malonny / @2018. Redator da “Truste Information”/ London/England.

IN MHARIO LINCOLN'S BOOK (INA- THE VIOLATION OF THE SACRED), THE DISASTER WITH H.N.W REINFORCED THE OFFICIAL IDEA OF CARE FOR THE ENVIRONMENT.

(Tradução livre)

O DESASTRE COM O H.N.W REFORÇOU A IDEIA OFICIAL DOS CUIDADOS COM O MEIO-AMBIENTE EM SÃO LUÍS, PELA PRIMEIRA VEZ.

Pela primeira na história natural de São Luís do Maranhão se ouviu falar em ‘Meio-ambiente’. E isso é muito bem descrito no livro relançado em 2001 pelo jornalista Mhario Lincoln, maranhense e membro da Academia Maranhense de Letras jurídicas. Hoje, presidente da Academia Poética Brasileira e membro-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, antes, membro-efetivo, até 2012, quando transferiu residência e domicílio para Curitiba-Paraná.

Neste Início I, como o autor nomeia, ele cita uma das primeiríssimas vezes que o tema ‘ecologia’ ou ‘meio ambiente’ foi citado de forma oficial das tribunas da Assembleia Legislativa do Maranhão. Aconteceu em pronunciamento do deputado Mário Carneiro (legislatura de 1987 a 1990), onde afirmava ser ele o único "comprometido com a defesa do meio-ambiente".

(...) “Mas, nem mesmo esse parlamentar maranhense advincularia sua frase ao terceiro maior graneleiro do mundo, o Hyundai New World, que naufragaria na costa de São Luís e causaria um dos problemas mais graves para as espécies que compõem quase todo ecossistema da Baia de São Marcos. É comprovada a grande importância de INA, A VIOLAÇÃO DO SAGRADO para o contexto da história do Maranhão. Por isso, abaixo, a transcrição premiada desse livro histórico que conta detalhes de toda essa tragédia no golfão maranhense, com sotaques religiosos, umbandistas, jurídicos, contados com uma narrativa exemplar de quem sabe contar uma história. E como excelente jornalista, Mhario Lincoln conta essa história com perfeição. (...)".

Abaixo:

LIVRO – INA A VIOLAÇÃO DO SAGRADO

de: MHARIO LINCOLN

INÍCIO I

Contra-capa.

" (...) ’Ninguém, até hoje, defendeu tanto a ecologia quanto o Comité de Defesa da Ilha de São Luís. As ideias revolucionárias da agremiação ganharam o mundo através da voz firme e forte do intelectual Raul Ximenes, na reunião da Organização das Nações Unidas’. Palavras de Nascimento Morais Filho, em 29.03.1987. Dois dias antes do acidente com o HNW, que se tornou história (...)”. ML

"A rara habilidade de Mhario Lincoln, leva-nos a descobrir nele a prudência e a moderação de modo que, considerando o que nos ensinou Aristóteles, 'o modo vence mais que o poder', nota-se que o poder de Mhario se resume ao seu modo de viver. (...) Como estudioso da história ele tem se mostrado atento aos fatos que dizem respeito ao Maranhão, como se vê na narrativa descritiva sobre o acidente com o Hyundai New Word e suas consequências, transformadas neste livro, Ina - A Violação do Sagrado. (...)" EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA, vice-presidente nacional da Academia Poética Brasileira.

"Estou deveras honrado em ter oportunidade de realizar a apresentação de tão destacada obra, relativa à história marítima do Estado do Maranhão (...)". Carlos Alberto Santos Ramos, Capitão-de-Mar-e-Guerra, Capitão dos Portos do Maranhão.

Do livro HNW, de Mhario Lincoln, a seguir:

Abro o jornal de segunda-feira, 29 de março de 1987. Na página política, matéria releva algumas declarações do deputado Mário Carneiro (legislatura de 1987 a 1990), onde afirmava ser ele o único comprometido com a defesa do meio-ambiente.

Mas, nem mesmo esse parlamentar maranhense prefaciaria sua frase à história trágica do N/M H.N.W, o terceiro maior graneleiro do mundo. Exatamente às 18 horas do dia 31 de março de 1987 (dois dias depois), próximo à Ilha do Medo, o Hyundai New World, de bandeira sul-coreana, deitava num dos bancos de areia que povoam a baía de São Marcos. Um navio com 200 mil TPB, 309 metros de comprimento total, 50 metros de boca moldada e 24 metros de pontal moldado, caiando 17,19m, avante e 17,79m, à ré, localizando-se na posição 02".31'.7 de latitude sul e 044".24'4 de longitude oeste. Sua carga, de 101.721,917 TM de carvão trazida de portos norte-americanos e 94.860 TM de minério de ferro carregado no Terminal da ‘Ponta da Madeira’, somando 196.581.917 TM, destinadas à Coreia do Sul. Toda essa carga capaz de contribuir, caso o navio alquebrasse, para o maior desastre ecológico da região marinha do Golfão Maranhense. Principalmente, por suas 1.800 toneladas de óleo cru, usadas como combustível. Era o começo do mais divulgado, longo e polemico acidente náutico na história da baía de São Marcos. (...). Planeta água. Vastidão salgada do Golfão Maranhense, palco de lendas e mitos que se arrastam ao longo do tempo e do espaço, levando crendice, medo, desconfiança e escárnio àqueles que, por profissão ou lazer, transitam diuturnamente por suas águas.

Tecnicamente, a área do Porto do Itaqui/ilha do Medo e adjacências, onde o Hyundai foi acidentado, é perfeita. Principalmente por questões naturais. Segundo comentam, é o Complexo Portuário da cidade de São Luís do Maranhão, o terceiro natural do País. Mesmo assim, lendas e mitos navegam juntos nessa viagem transcendental, onde o técnico e o mitológico dançam a mesma música das ondas e quebram em cima de suas crenças milenares. Na literatura umbandista maranhense, por exemplo, rica em seus detalhes, Orixás, o Itaqui tem lugar privilegiado. Tanto que vários e vários fatos inexplicáveis aconteceram nesse local, com ênfase para naufrágios e mortes, antes, durante e depois da construção do Porto do Itaqui, na década de 1970.

Em 1987, bem no início da evolução técnico-social das palavras “Ecossistemas” e “Meio-ambiente”, esta última, uma das ‘primeiras preocupações do ex-deputado Mário Carneiro”, outra palavra viria a povoar o imaginário ludovicense, surgida das profundezas das lendas marítimas, que, avassaladoramente, tomou conta de todos os meios de comunicação: Princesa Ina. Ou simplesmente, INA.

O acidente com o Hyundai New World reavivou a memória dos umbandistas de todos os terreiros de Mina do Maranhão inteiro. Isso porque, na análise real do acontecido, o navio coreano Hyundai, preso a um banco de areia, nas águas da baia maranhense, estava, na verdade, “(...) exatamente sobre a torre mais alta do palácio encantado da princesa Ina, no mesmo lugar onde aparecia a galera de D. João, o vodum Dadahô, vinte anos atrás, nas noites de 12 a 13 de dezembro, quando dos trabalhos no terreiro de Mãe Maria Pia, em homenagem à princesa Ina, filha do Rei D. Sebastião, o vodum Shapnan, o mesmo que aparece na Praia dos Lençóis sob a forma de um touro negro com uma estrela na testa, trazido pela crença dos primeiros negros que aportaram no Maranhão e confundiram as dunas da praia, com o deserto de Marrocos. (...)”.

A partir daí, tem uma das histórias mais sensacionais que o jornalista Mhario Lincoln consegue roteirizar de forma bastante inteligente, costurando Lendas, Dados Oficiais e Jurídicos, Dados Técnicos e Narração não ficcional, resultando nesse extraordinário livro.

Osvaldo Pereira Rocha.

EM TEMPO: Toda a história do HNW está no livro INA A VIOLAÇÃO DO SAGRADO, incluindo a íntegra do Acórdão do Tribunal Marítimo no caso desse acidente tornado mundialmente famoso e incluído na lista dos grandes acidentes marítimos (no que tange à ecologia) do Mundo.

O advogado Osvaldo Pereira Rocha, através de pedido do jornalista Mhario Lincoln, autor de INA A VIOLAÇÃO DO SAGRADO, chegou até cópia do Acórdão do Tribunal Marítimo (a sede é no Rio de Janeiro). Antes, aqui, uma rápida análise desse causídico sobre o referido Acórdão:

"Como se viu, até aqui. esta obra é um apanhado de artigos, notas, informações, notícias, depoimentos e conclusões publicados na imprensa de São Luís sobre o acidente marítimo com o Hyundai New World. Tal pesquisa feita com muita dedicação e esmero pelo autor, jornalista e advogado Mhario Lincoln, traz, com exclusividade, o Acórdão do Tribunal Marítimo, proferido nos autos do Processo de número 13-084, de 21.12.89, autorizado pelo senhor Capitão dos Portos,  após obter permissão do aludido Tribunal Marítimo e de ter comunicado o fato, ao Exmo. Senhor Comandante do IV Distrito Naval.

Este levantamento visa a consolidar tudo o que foi amplamente divulgado sobre o encalhe, a água aberta, o naufrágio - sem vítimas pessoais - e a poluição do mar, com óleo combustível, pelo referido navio, em 1987. pelo que foi condenado o seu comandante por imprudência e imperícia, à pena de multa de 10 vezes o maior valor de referência - MVR -pelo aludido TM.

A ementa do mencionado Acórdão enumera, obviamente de forma sintetizada, que a manobra do N/M Hyundai New World de grande porte, foi feita com o deslocamento a plena carga em área sujeita a forte correnteza, com o motor de combustão principal - MCP - apresentando sérias restrições em seu funcionamento e com aproximação do ponto de fundeio em horário inadequado, considerando a forte corrente de maré pela popa e com velocidade excessiva.

Durante o inquérito instaurado na Capitania dos Portos do Estado do Maranhão - CPMA - e na fase processual no Tribunal Marítimo, as partes envolvidas e/ou indiciadas procuraram, em suas defesas, se eximirem de culpa pelo acidente de navegação, mas, no Relatório do Inquérito, já foi apontado como possível responsável direto pelo acidente, o comandante do N/M.

H.N.W. o que restou confirmado pelo TM, que terminou por exculpar a Agência de Navegação e nem mencionar o prático, visto que, este sequer fora representado pela Procuradoria, prova do bom trabalho realizado pela CPMA.

Diante do apurado e constante do bem lançado relatório do encarregado do inquérito, foi o comandante da citada embarcação o único responsável pela investida do seu navio através do canal de acesso ao Terminal de Ponta da Madeira, sabendo que iria navegar na área sujeita à ação de forte corrente de maré. com navio deslocando cerca de 225 mil toneladas e apresentando sérias restrições em relação à manobra com uso de máquina, quando poderia, por medida de segurança, ter permanecido no ancoradouro externo até que um dos rebocadores do porto estivesse disponível para transportar as peças de que necessitava".

 

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