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Ainda neste março, 'Jocasta' reaparece como espelho da mulher que reconhece o abismo e transforma dor em consciência

Mais que símbolo trágico, a rainha tebana ilumina o lugar da mulher que, mesmo cercada por culpa, poder e silêncio, aprende a nomear a própria dor e a sobreviver sem ceder ao apagamento.

30/03/2026 às 09h25 Atualizada em 30/03/2026 às 10h11
Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes
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Ainda neste março, 'Jocasta' reaparece como espelho da mulher que reconhece o abismo e transforma dor em consciência

Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln

Antes que o mês de março, dedicado às Mulheres termine, há necessidade primordial de vê-las por um ângulo fora dos contextos ideológicos, político-partidários ou de simples super-heroínas domésticas. Deve-se ir mais fundo, porque a mulher exige um contexto abissal, enquanto partícipe da vida da Humanidade; desde Eva, Madalena ou passando por brutais apedrejamentos (até a morte), no Oriente Médio e regiões vizinhas, em áreas controladas por extremistas, como o Afeganistão sob o regime Talibã, que, infelizmente, reafirmou a prática em 2024, para “punir” crimes de honra com execuções inconcebíveis por apedrejamento.

Então, como se vê, há inúmeros assuntos ligadas à mulher – segundo texto do jornalista Mhario Lincoln, aqui também publicado – “que não só gritos em praça pública e reivindicações pessoais”. Portanto, neste artigo, a Plataforma do Facetubes relembra, para encerrar com chave de ouro seus textos sobre as comemorações de março, de uma mulher que poucos falam, mas que teve um papel exemplar na história romanceada do Mundo: Jocasta.

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Arte: mhl/GinaiFT

E por que Jocasta? Porque a sua história permanece atual e fala de três dores que a civilização ainda não resolveu: o peso do passado sobre o presente, a violência das estruturas de poder e a busca humana por uma verdade que, muitas vezes, chega tarde demais.

Desta forma, a editoria decidiu dividir em partes essa história que todos aqueles que amam lutas e reinvindicações deveriam ler. Especialmente um dos livros que mais sintetiza a vida e obra de Jocasta, obra essa escrita pela britânica Natalie Haynes, esta, recomendada pela correspondente do Facetubes, na Inglaterra e Reino Unido, dra. Flora Guilhomn.

Guilhomn, ao ser questionada sobre a indicação, disse: “(...) o título mais visível no circuito editorial é Os Filhos de Jocasta, da britânica Natalie Haynes, que apresenta nesta obra, lançado originalmente em 4 de maio de 2017, no Reino Unido; e no Brasil, em 2 de fevereiro de 2024 (editora Jangada), uma perfeita recomposição do universo de Édipo e Antígona a partir de personagens que a tradição costuma deixar em segundo plano”. Maravilha!

E ela tem toda razão: a obra de Haynes, em vez de seguir apenas o eixo do herói trágico, põe no centro “Jocasta” e “Ismênia” (filha de Édipo e Jocasta, portanto, irmã e ao mesmo tempo filha - devido ao incesto- de Édipo).

A editoria foi buscar a sinopse do livro onde são reimaginadas as histórias a partir “das mulheres que os mitos ignoraram”, deslocando o peso narrativo para aquelas que, durante séculos, ficaram à margem do relato central.

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Na trama, Jocasta é apresentada ainda muito jovem, obrigada a se casar com o rei de Tebas. Depois da viuvez, une-se a Édipo sem conhecer a verdade que cerca essa relação. Ao mesmo tempo, Ismênia, filha desse caso amaldiçoado, tenta sobreviver ao ambiente de suspeita, violência e disputa política que se forma em torno da linhagem tebana.

E como a editoria decidiu dividir em partes essa história, começa-se do ponto de vista filosófico:

1 - a história continua fértil porque toca uma questão que nunca envelhece, isto é, até que ponto a vida humana escolhe o próprio caminho quando já nasce cercada por herança, culpa, profecia e poder; e

2 - Édipo Rei é a história de alguém que, ao tentar fugir do destino, corre ao encontro dele. Já o romance de Haynes acrescenta outro deslocamento decisivo: a tragédia não é vista apenas como queda do herói, mas como experiência íntima de quem suporta as consequências dessa queda.

 

Do ponto de vista sociológico:

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3 - O livro permite uma leitura aguda sobre a condição feminina em estruturas patriarcais antigas — e, por extensão, modernas. A edição brasileira apresenta Jocasta como uma jovem entregue ao casamento político e depois submetida ao julgamento brutal da própria sociedade que a sustentava; e

Capa da obra.

4 - Necessária se faz uma releitura da obra reinterpretando as duas mulheres de outra forma. Ou seja, antes escanteadas por Sófocles, finalmente encontram voz. É esse gesto que atualiza o mito: a tragédia deixa de ser apenas escândalo familiar e passa a ser também leitura sobre silenciamento, controle do corpo feminino e uso político da mulher na engrenagem do poder.

Do ponto de vista poético:

5 - No plano poético, Jocasta segue poderosa porque reúne numa única figura maternidade, desejo, realeza, ruína e segredo. Muitos estudiosos e críticos acessados por esta Plataforma dão conta de que este romance de Haynes é uma obra em que quase cada página poderia se sustentar como poesia, e isso ajuda a entender sua permanência.

6 – Destarte, o mito trabalha com imagens de peste, cegueira, sangue, casa amaldiçoada e revelação tardia; mas é assim que Haynes reaproveita esse material para produzir uma prosa de tensão lírica, em que o drama público nunca se separa do abismo íntimo.

Enfim, é preciso muita coragem, desprendimento ideológico, religioso e quaisquer outros tipos de acercância para ler Os Filhos de Jocasta, da britânica Natalie Haynes.

Editoria de Pesquisa e Extensão da Plataforma Nacional do Facetubes c/Mhario Lincoln

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JAIME Há 2 meses BSB-DFQue publicação maravilhosa.
Jul Leardini Há 3 meses CuritibaSalve! (Jul Leardini)
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