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O Facetubes mostra a partir de hoje capítulos inéditos do livro 'As Cores do Swing'

Autor: Augusto Pellegrini

29/04/2021 10h48 Atualizada há 3 meses
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Por: Mhario Lincoln Fonte: facetubes.com.br
Projeto da capa do livro.
Projeto da capa do livro.
MAGNÍFICO. O Facetubes começa a mostrar a partir de hoje capítulos inéditos do livro 'As Cores do Swing', do jazzista AUGUSTO PELLEGRINI, fato que só enaltece nossa plataforma. Ao final das publicações, será construído um caminho para a publicação física dessa obra de grande importância para aqueles que admiram jazz, blues e propriamente o swing. Desta forma, venho de público agradecer ao autor por disponibilizar esse trabalho. então, bem-vindos ao mundo mais incrível deste gênero da música americana, que passou por várias períodos históricos mundiais de conceito, gênero, número e grau. Seja bem-vindo Pellegrini. (Jornalista Mhario Lincoln).
 
Amigo. Estou começando a mandar pedaços do livro, começando pelo prefácio e demais prolegômenos. O livro tem 21 capítulos, mais um capítulo informativo, com minibiografias e discografia de bandleaders famosos ao seu final. Obrigado e um abraço. (augusto Pellegrini).
 

'AS CORES DO SWING' 

Livro de Augusto Pellegrini 

     O swing não é apenas uma música alegre e dançante que se transformou numa potente indústria e ajudou a soerguer as finanças e a história de um país abalado. Ele é uma parte viva da própria história dos Estados Unidos, retratando alegrias, frustrações e um enorme senso de patriotismo.

 PREFÁCIO

           Eram tempos difíceis, aqueles. A mais grave crise econômica de toda a história do capitalismo, a chamada Grande Depressão, cujo momento simbólico mais dramático foi o crack da Bolsa de Nova York, em 1929, reduziu a pó a então exuberante economia norte-americana. Milhões de pessoas perderam seus empregos da noite para o dia e a desesperança estava estampada nos rostos das centenas de milhares de homens e mulheres que vagavam a esmo pelo país, em busca de uma oportunidade de trabalho.

Famílias inteiras se viram, de um momento para outro, sem teto, sem emprego e sem condições de subsistência. O espírito americano, tão autoconfiante que às vezes beirava a arrogância pura, quedava-se, alquebrado. Não havia saída à vista para a crise e nada parecia capaz de devolver a autoestima aos habitantes da Terra do Tio Sam. Nada, a não ser um cavalo, um homem e uma música.

O cavalo era Seabiscuit, um pangaré cujo corpo franzino e desengonçado jamais faria crer que pudesse se tornar um campeão das pistas e despertar, nas multidões de homens e mulheres desesperados, um sentimento de empatia que logo se tornou uma verdadeira febre nacional. Seabiscuit, apesar de provir de uma linhagem nobre, era em tudo e por tudo um excluído, uma espécie de homeless que padecia da mesma invisibilidade social que afligia aqueles milhares de pessoas que acorriam aos hipódromos para vê-lo e para torcer por ele.

Na dicotomizada sociedade norte-americana, tão claramente dividida entre vencedores e perdedores, Seabiscuit representava aquela imensa parcela de losers, de perdedores, de humilhados e ofendidos. Ele era o espelho onde os deserdados do sonho americano, as vítimas anônimas da opressão econômica, racial e social, se viam refletidos. Foi preciso que um cavalo mostrasse aos homens o quão tênue era a linha que separa os "vencedores" dos "vencidos". E também o quanto os primeiros, que sempre se consideraram os eleitos e que sempre habitaram o andar de cima da pirâmide social, tinham a aprender com seus pares dos andares de baixo.

Count Basie Orchestra.

O homem era Franklin Delano Roosevelt, 32º presidente dos Estados Unidos, que assumiu um país em colapso, em 1933. Inspirado pelas ideias do economista britânico John Maynard Keynes, que pregava uma maior intervenção do Estado na atividade econômica em momentos de crise, Roosevelt protagonizou uma política chamada de New Deal e operou profundas transformações no modo como os americanos encaravam a participação estatal nos destinos da economia. Acostumados a pensar o Estado apenas como um ente regulador ou fiscalizador, o cidadão norte-americano viu ser implantada uma política francamente intervencionista, dentro da qual a União possuía uma posição, até então inédita, de protagonista e fomentadora da economia.

Roosevelt abriu frentes de trabalho, reduziu impostos, concedeu incentivos fiscais a empresas, estimulou a indústria estagnada e investiu em intraestrutura. E fez o mais importante: conclamou seus concidadãos a confiarem neles mesmos e em seu país. A força desse homem, ele próprio uma vítima da paralisia infantil, que jamais desistira de ir à luta por seus ideais, contaminou a nação. Os Estados Unidos emergiram ainda mais fortalecidos da crise e assumiram, para o bem ou para o mal, o papel de primeira superpotência global do século vinte.

Mas esses acontecimentos – desconcertantes, intensos, dramáticos, desafiadores, grandiosos – talvez não tivessem tido o mesmo impacto se não houvessem sido emoldurados por uma trilha sonora genial. Era no balanço do swing, na batida do ritmo das orquestras, mais conhecidas como big bands, que os loucos anos vinte, os turbulentos anos trinta e os revolucionários anos quarenta se desenrolaram.

O jazz, que havia surgido na alvorada do século vinte, em Nova Orleans, como uma música quase tribal e selvagem, se sofisticara rítmica e harmonicamente. Já estavam longe os tempos em que o lendário Buddy Bolden soprava o seu cornet com tanta força que, reza a lenda, conseguia se fazer ouvir em um raio de dez quilômetros. Mas foi a partir do seu toque, daquele chamado irresistível para uma festa pagã, que o jazz espalhou a sua centelha transformadora.

A mixórdia de ritmos e cores típica de Nova Orleans seria o caldo vital que originaria o jazz, e todo mundo atendia ao chamamento hipnótico de Bolden, acorrendo aos bailes que ele comandava nas regiões periféricas e nos bordéis da cidade. Ali, entre negros, pobres, prostitutas, operários, artesãos, trabalhadores portuários, arruaceiros, imigrantes e cafetões, o jazz se desenvolveria e se tornaria a mais importante manifestação cultural norte-americana de qualquer época.

swing foi a primeira escola de jazz a ter um grande apelo comercial junto aos brancos. Ele era uma luxuriante apoteose de sons onde se misturavam sem nenhum constrangimento o minueto, a valsa e a mazurca europeus com o blues, o bluegrass, o ragtime e o dixieland nativos. Poucos espetáculos podiam ser tão esfuziantes e tão convidativos à diversão quanto os protagonizados pelos quinze ou vinte sujeitos que, armados de trompetes, saxofones, trombones e clarinetas, promoviam a sacrossanta comunhão entre o ritmo e a dança.

Pellegrinni em atividades jazzística.

Era um universo mágico e encantador. Há que ser alguém especial para revelá-lo, e poucas pessoas possuem um conhecimento tão profundo daquela época quanto Augusto Pellegrini. Amante do jazz, e com um gosto musical formado pelas orquestras de Benny Goodman, Harry James, Tommy Dorsey, Count Basie e Duke Ellington, Augusto reúne em sua prosa equilibrada e instigante o rigor do acadêmico e a paixão do fã. Seus textos trafegam entre o lirismo do poeta e a minúcia do investigador.

Com um estilo todo particular, que funde ficção e realidade, Augusto não de resume a contar a história do swing como ela aconteceu. Ele vai além. A história que emerge das páginas escritas por ele é aquela que foi, aquela que não foi e aquela que deveria ter sido. Há uma máxima no jornalismo que diz que se a lenda é mais instigante que o fato, imprime-se a lenda. Augusto torna indissociáveis fato e lenda. Ambos são uma coisa só, graças à força e inventividade do seu texto.

É como se o realismo fantástico, tão caro à literatura latino-americana, tivesse se debruçado sobre a cultura musical dos irmãos do Norte, por vezes tão refratários às ideias e ao modo afetuoso de viver de quem mora do lado de baixo do Equador. Nos textos de Augusto, a América hispano-portuguesa se encontra com a América anglo-saxônica tendo como ponto de tangência a África de todos os ritmos. Ler Augusto é usar, a um só tempo, cérebro e coração. Ele escreve como só um leitor apaixonado por Borges e Twain seria capaz. Seus escritos reverberam a influência tanto de García Marquez quanto de Fitzgerald.

Uma das anedotas mais recorrentes entre os aficionados do jazz diz o seguinte. Certa vez, uma senhora da alta sociedade perguntou ao genial Louis Armstrong: "O que é jazz?". Ele, sem perder a ternura, respondeu: "Madame, se a senhora não sabe o que é jazz, não sou eu quem vai explicar!". Lendo "As Cores do Swing", você corre um sério risco de descobrir o que é jazz. E, o que é melhor, corre um risco mais sério ainda de se apaixonar perdidamente pela sua descoberta! 

Erico Renato Serra Cordeiro 

São Luís, março de 2012

 

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