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Viceversa, entrevistas exclusivas com Antonio Guimarães/ Mhario Lincoln/ Antonio Guimarães

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24/05/2021 17h01 Atualizada há 3 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Editoria do Facetubes
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Especial VICEVERSA

Este formato de entrevista foi criado pela equipe de editores do facetubes.com.br (@todos os direitos reservados).

MHARIO LINCOLN/ ANTONIO GUIMARÃES

MHL – Conheçamos, então, Antonio Guimarães? 

ANTONIO GUIMARÃESNa verdade, Antonio Guimarães de Oliveira, nascido no povoado Lago Limpo, município de Lago Verde, MA, em 1961. É autor dos livros publicados:  O Algodão no Mearim, O Parto da Insônia, O Arquivista Acidental, Algodão: Ouro Branco (Tempo e Espaço), A Fuga do Perfume, Estação Ecológica “Sitio do Rangedor”: uma proposta Educacional, São Luís:  Memória e Tempo, São Luís em Cartões Postais e Álbuns de Lembranças, Pregoeiros & Casarões, Becos & Telhados, Pêndulos & Fiéis, Adagas & Punhais. A publicar temos os seguintes:  A Luz, O homem, Gurupi e sua aldeia, Insurreição no arquivo, Sobrados & palacetes, Sítios & chácaras, Rapazinhos & capitães, Extermínios & dois, O físico e o general, Pedreiros & faiscadores, Solidão & cárcere, Raiz & prefácio, Mariposas & rufiões, O senhor da razão, Estações & trens, Última pedra, Babilônia & Sião, Massada & Álamo, Chão descoberto, Sociedade de ombros vencidos, Tribos & aldeias, Gaiolas nos dedos, Os setes rosados do Apocalipse. Reside em São Luís. É membro da Academia Poética Brasileira e sócio efetivo do Instituto Histórico do Maranhão. Concorre uma cadeira a cadeira número 32, na Academia Maranhense de Letras, cujo o patrono é o escritor Vespasiano Ramos.  

MHL - Sobre seus livros mais marcantes em São Luís? 

ANTONIO GUIMARÃES - Não busco dar às fotos um corpus, ou seja, um álbum de família. Procuro ver nelas "corpos" que se exibem e outros corpos que são escondidos. Ou seja, não sou apenas um leitor literário, também sou um leitor de imagens, que retratam não apenas o passado, mas também o presente. Estou sempre com o olhar em buscas das famílias e matriarcas do futuro, como uma forma consistente de conservação histórica. 

MHL – Sobre a atual conjectura da literatura maranhense? 

ANTONIO GUIMARÃES - Vejo com bons olhos. As coisas belas estão aí para todos verem, algumas delas marcadas com o selo de Patrimônio da Humanidade. Poesias e romances que mostram uma continua desigualdade social, além da destruição de nosso patrimônio e corrupção. São obras que servem de alerta contra qualquer tentação de celebrações ufanistas.

MHL – Temos ainda grandes escritores no Maranhão? Quais seus formatos e ideais? 

ANTONIO GUIMARÃES - Ainda encontramos variáveis literárias desde jornais (Suplemento literário), literatura de autoria feminina, as falas de nossa literatura, contistas e cronistas, literatura marginal, romancistas, literatura indígena, poesia contemporânea, produção moderna, literatura erótica, literatura infanto-juvenil, ou seja, continuamos ricamente compostos de escritores notáveis. Trata-se, portanto, de um amplo painel, em que a pujança da literatura maranhense é dominante.

MHL - Quais são, para o nobre escritor, as leituras obrigatórias nos dias atuais, já que o maranhense, seja literato ou leitor, sempre foca no passado e no presente?

Antonio Guimarães.

ANTONIO GUIMARÃES - Sobre literatura maranhense, considero obrigatório a qualquer estudioso de literatura, conhecer os antigos e os novos escritores maranhenses. Antigos: Gonçalves Dias, Maria Firmina dos Reis, Aluísio Azevedo, Graça Aranha, Coelho Neto, Viriato Correia, Odylo Costa, filho, José Nascimento de Moraes, João Mohana, Josué Montelo, Maranhão Sobrinho, Bernardo Coelho de Almeida, Erasmo Dias, e outros. Aqui louvo a atitude do Museu de Arte visual d Maranhão – MAVAM, em resgatar e registrar os notáveis do Maranhão. 

MHL – Para ser poeta, romancista, historiador e cronista? Ainda é necessário viver em conformidade como os poetas do mal do século? 

ANTONIO GUIMARÃES - Mhario Lincoln, tenho um amigo, que costuma falar que a Praia Grande, está repleta de poetas etílicos, que dão bailes em outros poetas...  Não vejo essa possibilidade atual. O que eu presenciei, na verdade, são escritores com as mesmas dificuldades em publicar livros.  Porém temos nosso decano José Maria, temos Ewerton Neto, Alex Brasil, José Neres. Temos Ana Luiza Ferro. Temos grandes nomes internacionais também: José Sarney, Salgado Maranhão e outros. 

MHL – Falar em grande poetas maranhenses, é verdade que você é descendente de Maranhão Sobrinho? 

ANTONIO GRUIMARÃES - Sim. Sou parente por parte materna. De minha avó. Maranhão Sobrinho era considerado poeta do tempo, pois algumas de suas obras importantes lembra orientações de Bérgson e Proust sobre Tempo e Memória. Basta observarmos o memorialismo poético em “Papéis Velhos”, “Rosa Morta” e “Evocação”. 

MHL – Falemos sobre literatura?

ANTONIO GUIMARÃES - A Literatura é uma arte produzida com palavras. Sua definição específica depende de questões diversas, tais quais de ordem social, histórica, cultural etc. A Literatura está presente em todas as civilizações, das mais antigas tribos até no cotidiano das grandes cidades contemporâneas. Seja nos livros clássicos, seja nos muros das capitais, manifestações verbais podem ser consideradas expressões literárias.

MHL – Sobre ter que sair do estado para se tornar conhecido, é verdadeiro essa informação? 

ANTONIO GUIMARÃES - Creio que não, muitas vezes saímos de nosso estado participando de feiras de livros e observa-se sempre a mesma realidade. Creio que nossa grande dificuldade esteja no mercado editorial, que ainda é conduzido por pequenas gráficas. Não sabemos como chegar nas grandes editoras... essa é a realidade. 

MHL  – Sobre sua candidatura visando uma cadeira na Academia Maranhense de Letras?  

ANTONIO GUIMARÃES - Todo escritor, poeta, romancista, tem como objetivo uma Academia literária. Estou concorrendo com obras, livros publicados, livros a publicar, artigos publicados em jornais, e outros. Considero um pleito justo, e humildemente com chances de conseguir. Acredito nas academias e nos acadêmicos, todos são de idoneidade comprovada. Não vejo impossibilidades, vejo sim, muitas possibilidades.

ANTONIO GUIMARÃES / MHARIO LINCOLN

ANTONIO OLIVEIRA 1 - Na literatura nacional e mesmo internacional, sempre tivemos grandes nomes maranhenses. No seu entendimento, quem se destaca atualmente? Você acha que ainda temos outra vertente poética?

MHL – Pelo alto índice de citações na grande mídia literária, nas resenhas, nos trabalhos de mestrado, doutorado de literatura, na TV, nos jornais, livros, é Ferreira Gullar, atualmente, o maranhense mais conhecido no território nacional. Por outro lado, na outra vertente inclui-se o premiado Salgado Maranhão, aplaudido igualmente em vários países. Cito-os por tê-los aos olhos, praticamente todos os dias em meu trabalho de garimpar notícias para o wwwfacetubes.com.br.

Antonio Oliveira 2 - Vários críticos literários, falam que nós vivemos de um passado distante, pois nossos nomes para serem notados têm que sair do estado, como exemplo cito você, Salgado Maranhão e outros. Você acredita nessa realidade? Temos ainda como sair desse fosso literário?

MHL – É complicado fazer comparações sobre isso. Na minha decisão pessoal de sair do Maranhão foi realmente para estudar e aprender mais. Fora de nossas limitações político-partidárias. Destarte, as possibilidades de cursos especializados, contato com um movimento literário consistente, aprendizado dentro de um contexto efusivo, dinâmico, com troca de experiência muitas vezes oportunizada de forma nacional e internacional, têm facilitado meu crescimento profissional. Porém, não é isso que faz do Maranhão um estado à parte. Não! É na abrangência físico-geográfica e familiar que o coração pulsa, a saudade produz inspiração constante, fortificando, assim, a parte do aprendizado técnico com a minha emoção nativa. No fundo, juntei o útil ao agradável.

Antonio Oliveira: 3 - Entendemos que uma Academia é o sonho de grande parte de escritores e artistas. Como você vê atualmente os escritores e poetas de nosso estado?

MHL – Acho que a valorização das academias se inicia na análise justo-literal dos concorrentes, quando se abrem vagas. É esse o parâmetro estatutário a ser exigidamente seguido. É uma condição sine qua non: “(...) ter publicado, em qualquer gênero da literatura, obras de reconhecido mérito ou, fora desses gêneros, livros de valor literário”. Assim, o respeito começa na seleção do candidato. Em razão de algumas péssimas escolhas, algumas academias de letras deste país começam a se encher de pessoas extracurriculadas, sem o “ilibado conhecimento literário exigido para a Cadeira concorrida”. Porém, ainda acredito que esses fatos desagradáveis tendem a ser finalizados, através dos próximos bons escrutínios, cada vez mais competentes e não subservientes. Se não, o sonho dos verdadeiros escritores e artistas ficam, apenas, no sonho!

Antonio Oliveira: 4 - Mhario Lincoln, você é presidente de uma academia, fale sobre a Academia Poética Brasileira e seu momento atual, haja vista, essa crise que toda humanidade vive?

MHL – Deixo para nossa confreira Linda Barros falar por mim em belo artigo que escreveu sobre a APB: “Dialogando com a cultura, com a história e principalmente com os escritores e com o público leitor, temos atualmente também a Academia Poética Brasileira, uma jovem senhora que teve sua ideia primeira de existência em 11 de outubro de 2015. (...) pode ser vista e acessada no mundo inteiro, através do seu portal de entretenimento, cultura e notícias, chamado Facetubes, um canal que propaga e compartilha as artes em geral, como Música, Pintura e, principalmente, Literatura, com textos advindos de várias partes do mundo”.

Antonio Oliveira 5 – Então, é essa a mesma visão que você tem da APB?

MHL – SIM. E transcrevo mais um trecho desse belo trabalho muito bem elaborado: “Com uma nova linguagem, acompanhando a evolução dos tempos e a revolução da tecnologia, a Academia Poética Brasileira conta com o apoio midiático (...) da Acadêmica Editora, da VídeosTV e da Radioweb do Facetubes. Dessa forma, ela vem mostrando uma nova maneira de se fazer confrarias acadêmicas no Brasil e fora dele, pois atua também em outros importantes países, com a presença de representantes literários, que promovem atividades ligadas à Paz Mundial e a emancipação de talentos que precisam de um espaço para produzir e mostrar suas obras. (Link para leitura integral do artigo de Linda Barros: https://www.facetubes.com.br/noticia/1231/academica-e-escritora-professora-e-atriz-linda-barros-escreve-sobre-a-academia-poetica-brasileira). 

Antonio e Mhario Lincoln.

Antonio Oliveira: 6 - Quando fazemos pesquisas em jornais de época, olha-se muito seu nome, pois você trabalhava em jornais e cultura.Como ocorre seu desenvolvimento poético e jornalístico nacionalmente?

MHL – A partir da intenção de sair em busca de aprender novos valores, a fim de que pudesse realmente tonificar, através do conhecimento, algum talento nato. No meu caso, estou tendo que estudar muito, ler muito, me aperfeiçoar em minha área, para atingir alguns objetivos. Meu histórico guardado nas bibliotecas públicas e nas redações dos dois jornais que trabalhei com muita dedicação, ambos em São Luís, me servem de parâmetro fundamental para guiar meus passos. Minha cidade e o que fiz nela são colunas do meu caráter.

Antonio Oliveira: 7 - Você é de uma família de escritores e jornalistas. Sua mãe foi um ícone do colunismo social maranhense. Como você olha na atualidade essa atividade? Tem futuro ainda? Você vê o fim do jornalismo impresso?

MHL – São Luís ainda tem muitos campos de atividade (por ser uma cidade alegre e festeira) para o colunismo social. Temos alguns nomes realmente expressivos. Ultrapassam as barreiras geográficas. Isso significa que essa atividade continua buliçosa. Mas, há de se analisar também, um outro ponto de vista: a queda da mídia noticiosa impressa. A grande mudança em tudo isso aconteceu quando cidadãos comuns passaram, através das redes sociais, a produzir seus conteúdos. Assim, nasceu a figura do ‘influencer’, com milhões de seguidores. A maioria – profissional ou amador – não é jornalista e nem quer ser. Por outro lado, os jornais impressos continuam numa descendente. Uma das razões, a meu ver, é a não aceitação dos novos administradores de mídia nas direções centrais dos conglomerados jornalísticos, como acontecem em poderosos veículos brasileiros. Em muitos casos são empresas familiares e como tal, acabam envelhecendo, também, com ideias e administrações sem acompanhar a evolução do nicho. Preferem, esses familiares ‘ceos’, o controle total do jornal. Não sei até quando continuará o ‘jornal impresso’, dentro dessas qualificações. 

Antonio Oliveira: 8 - Sabemos que "ser poeta é uma maneira de ver e estar no mundo". Como você olha o mercado editorial no Brasil e Maranhão?

MHL – Vou responder com viés mercadológico – não ilusório ou romântico. Até o primeiro semestre de 2018, o mercado de livros cresceu 4,19% com relação a 2017. Resultados até então, ótimos. Depois, mesmo antes da pandemia, os resultados do segundo semestre de 2018 e início de 2019, os ventos mudaram. A embarcação ficou à deriva. O mercado editorial entrou em ‘amarelo’. As grandes livrarias sentiram o impacto e fecharam as portas de diversas filiais pelo Brasil. Li muito alguns escritores brasileiros que questionavam: “ainda vale a pena publicar livros no Brasil?” Enquanto em outros países a Pandemia colaborou diretamente para a duplicação de vendas de impressos, o Brasil não acompanhou o mesmo ritmo. O fator principal: a demora na atualização do modelo de negócio (venda e produção) de livros. Em todos os lugares do Mundo, a modernização e a dinâmica livreira, sempre é o principal motivador contra crises nas livrarias e editoras tradicionais. Recentemente li a importante opinião do editor Thales Guaracy, sobre isso, no site ‘A República’: "(...) a culpa pela crise das livrarias não é do livro, ou do cliente - o leitor. É das próprias grandes empresas que, sem visão de mercado, do leitor e dos negócios, tomaram as piores decisões possíveis nos últimos anos". Ou seja, devidamente ultrapassada a nossa dinâmica livreira, com pertinência ao mercado americano, europeu e asiático, quanto ao modelo de gestão, no que concerne à editoração e à publicação de livros.  Influenciando diretamente na entrega do produto ao leitor por uma forma disforme de divulgação e venda.

Antonio Oliveira: 9 - Em São Luís e mesmo no estado do Maranhão, tivemos grandes poetas que foram "descobertos", por concursos. Como você vê essa lacuna nas letras do Maranhão?

MHL – O que vejo, na verdade, é algum desinteresse direto no que diz respeito à evolução e geração de momentos culturais no Maranhão. Falo em ‘momentos culturais’. E isso a cada ano que se segue, vê-se a diminuição brusca dos Concursos Literários, dos Festivais de Música, das Reuniões e Saraus Públicos. A saída, na visão de alguns intelectuais, sem chances na terra-mãe, é buscarem movimentos parecidos em outros estados ou fora do país. Com isso, alguns maranhenses ilustres tiveram seus trabalhos coroados, estrangeiramente, em grande escala. Mesmo assim, não se vê uma manifestação, nem acadêmica, nem oficial quanto às honras recebidas por nossos representantes lá fora. Uma pena!

Antonio Oliveira: 10 - Você é um escritor e poeta maranhense, que mora em outro estado.  Quais as opiniões dessas pessoas sobre a recente literatura maranhense e seus enclaves?

MHL – Tenho participado de alguns importantes encontros nacionais (até março de 2020) de literatura. Estive a um passo da FLIP (uma grande festa literária internacional de Paraty). Antes, mantive contato com vários escritores e produtores literários que formavam um grande grupo para participar do evento. O Maranhão é comentado e adorado por muitos. Todavia, guardadas as proporções do ontem e do hoje. Isso me deixa triste! Essa é a realidade que alguns insistem em não aceitar.

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