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Brasil CAPOEIRA

Convidado. Leopoldo Vaz. "Capoeiragem Tradicional do Maranhão - Novas Considerações"

Entretenimento.

26/05/2021 11h45
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Leopoldo Vaz
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LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ

Professor de Educação Física; Mestre em Ciência da Informação

Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão

Academia Ludovicense de Letras/Academia Poética Brasileira

Ao se estabelecer que haja uma capoeiragem tradicional maranhense, singular, herdeira de uma memória que remonta ao início dos 1800, e que recebeu várias influências, especialmente a partir dos anos 1960, com a interação dos capoeiras praticantes naquele momento, aqui na Ilha, e os recém-chegados Roberval Serejo - discípulo de Djalma Bandeira -, e logo a seguir, de Anselmo Barnabé Rodrigues, mais conhecido como Mestre Sapo - discípulo de Canjiquinha -, e a sistematização de seu ensino, sob a influencia de Laércio Elias Pereira, quando da introdução, no Maranhão, do Método Desportivo Generalizado, de Auguste Listello, a partir de meado dos anos 1970, quando da renovação do esporte e da educação física, ao tempo de Cláudio Vaz dos Santos, com a criação das várias “escolinhas” de esporte, incluindo a de Capoeira.

Deparo-me com magistral artigo do Mestre Marco Aurélio, nos brindando com mais detalhes sobre o desenvolvimento da “capoeiragem tradicional maranhense”:

NA CAPOEIRA, O SAMANGO É UM JOGO cuja autoria era reivindicada pelo MESTRE CANJIQUINHA, e nunca ouvi quem contestasse.

Certa feita, pelos idos do ano de 1990 - um pouco antes de resolver me estabelecer em Salvador por uns anos - tive a oportunidade de vivenciar umas aulas com o Mestre, em sua Academia, não me lembro em qual bairro, mas o acesso era pela Avenida Paralela, em Salvador.

Dos ensinamentos que recebi, quando o Mestre tratou à respeito do Samango fiquei por demais impressionado, ao mesmo tempo que honrado, pela certeza de que o meu Mestre - Patinho - era originário de uma grande Tradição. 

Na medida em que ouvia sobre o Samango e via a forma de sua prática, "mutatis mutandi", os ensinamentos que recebera do meu Mestre ficava emocionado por tamanha semelhança.

Ao ver da parte de quem criou o jogo relacionando-o com o que havia aprendido do meu Mestre, que recebera de seu Mestre - Sapo - que era aluno de Canjiquinha, não havia diferença. 

Quanta honra de pertencer à uma verdadeira Escola...

O autor, Leopoldo Vaz.

Por essas e outras é que sei que sou de uma Tradição que tem raízes - lastro - e, que o Mestre Sapo pode até ter recebido saberes e fazeres aqui e ali com grandes outros mestres, mas Canjiquinha era o de frente. Aquele com quem de fato Sapo aprendera.

Depois de um tempo, quando tive a oportunidade de conhecer a "Ladja", uma luta da Martinica, de Matriz Africana, eu vi o quanto Canjiquinha e esses Grandes Mestres eram inteligentes e perspicazes. É que aqui e ali, quem conhece os dois percebe que há algo em comum, entre a "Ladja" e o "Samango".

Salve Mestre Canjiquinha, a "Alegria da Capoeira"!

Salve a Capoeira, essa adorável Arte Guerreira!

Temos, pois: 

I looked up the meaning for Samango, and one that came up consistently is ‘lazy soldier’ or just lazy, but that’s used in Ceará only it seems. ‘Vadiar’ comes to mind… Samango is also a type of Monkey, possibly of African origin (both the name and the monkey). It’s also a name for the male member in some places!  .

(Eu pesquisei o significado de Samango, e tem um que surgiu consistentemente é 'soldado preguiçoso' ou apenas preguiçoso, mas isso é usado no Ceará apenas parece. 'Vadiar' vem à mente… Samango também é uma espécie de Macaco, possivelmente de origem africana (tanto o nome quanto o macaco). É também um nome para o membro masculino em alguns lugares!)

Curiosamente, no Nordeste brasileiro é muito comum chamar um soldado raso, sem patentes, de samango. Também é chamada assim a pessoa que não tem malícia para brincadeiras.

Entende-se por “samango”: 

“toque de capoeira onde a acústica da barriga é enfatizada. Era utilizado para mostrar que existia a aproximação de pessoas no local onde estava sendo executado e levava a velocidade das passadas, aumentando com a aproximação” , . 

Por ‘samango’ também se entende: gíria utilizada no Brasil para se referir a um policial; Homem muito preguiçoso; Uma espécie de Macaco; também se refere a um grupo de amigos de Santa Cruz do Capibaribe - PE, muito conhecidos por suas poivas e reuniões mensais. 

Este toque / jogo foi criado por Mestre Canjiquinha. O Samango é um jogo muito dinâmico com pontapés laterais. O toque em si deve ser tocado em um ritmo constante, com poucos repiques, para permitir que os músicos mantenham seu ritmo. No entanto, se estiver demonstrando, então mais repiques são encorajados! É lutado de lado, tem a presença de poucos movimentos. Sua característica de manifestação é a chapa giratória, a chapa de lado, rasteira e voo de morcego. 

O Mestre Canjiquinha o criou para que em um local apertado, como um corredor ou um beco, o capoeirista se movimente atacando, defendendo-se, soltando seus golpes.

Segundo Assunção e Cobra Mansa (2015), Washington Bruno da Silva (1925-1994), o Mestre Canjiquinha, que aprendeu com Aberrê a partir de 1935 e foi mestre de bateria na academia de Pastinha. Declarou em entrevista: “Se o Mestre Bimba criou a Regional, eu achei por bem criar o Muzenza, o Samango.” Trata-se de dois toques (ritmos) novos, ao que correspondem maneiras de jogar específicas. O Muzenza é um toque de candomblé que Canjiquinha transpôs para a roda de capoeira. O Samango se joga de lado e é bastante violento, com movimentos de tesoura voadora (movimento em que um capoeirista joga os dois pés em posição de tesoura no pescoço do adversário).

Mestre Canjiquinha se autointitulava como “A alegria da capoeira”, ressaltando a importância do riso no aprendizado e dizendo que havia aprendido dando risada e que também ensinava dessa forma. O ensinamento desse mestre ocorria inicialmente com o conhecimento sobre a base da capoeira, que significava “começar de baixo” e ensinar primeiros golpes e defesas. Canjiquinha ressaltava que a capoeira deveria ocorrer de acordo com o toque do berimbau, devendo-se ter bastante atenção no momento do jogo, ou seja, dever-se-ia jogar estudando o jeito do oponente, de preferência a um metro de distância, essencial para que cada um adquira a habilidade de se defender. (CANJIQUINHA, 1989)

O berimbau é o principal instrumento usado na capoeira, capaz de produzir inúmeros toques diferentes sendo os mais comuns:

Angola - É um toque cadenciado, rasteiro e lento. Usado para um jogo de dentro, próximo ao chão, de forma lenta a maliciosa. Ao som desse toque, o capoeirista mostrará força e equilíbrio. Jogo solto de mandingueiro.

São Bento Grande - Esse toque é correspondente ao 3º ritmo. No momento em que o gunga o toca, a viola toca São Bento Grande e o berimbau médio toca o São Bento Pequeno. É nesse momento do jogo que a luta é enfatizada, tornando necessário reflexo e velocidade por parte dos capoeiristas.

São Bento Pequeno - Toque de berimbau lento e cadenciado. A sua execução é feita somente com duas batidas e com o apoio do dobrão sobre o fio de aço. E seguidas bem rapidamente por uma terceira batida que é marcada pelo dobrão, uma batida feita no fio de aço solto e um balanço no chocalho.

Cavalaria - Esse toque representa alerta máximo ao capoeirista. Ele serve para avisar a existência de algum perigo no jogo, bem como a discórdia ou violência na roda de capoeira.

São Bento Grande de Bimba - Também conhecido como São Bento Grande da Regional, é um toque criado pelo Mestre Bimba.

Iúna - Não se sabe quem criou esse toque. Porém, alguns capoeiristas acreditam que o seu criador foi o Mestre Bimba. Ele serve para que os alunos demonstrem todas as suas habilidades, como paradas de mão, piruetas, saltos e muito mais...

Banguela - É o toque mais lento da capoeira regional, e serve para acalmar os ânimos dos capoeiristas se o combate apertar. Jogo cadenciado.

Idalina - Toque usado em jogo de navalha.

Regional de Bimba - Esse estilo é mais voltado para o combate. Quem o criou foi o Mestre Bimba, e acabou dividindo a capoeira em dois estilos diferentes. A outra é conhecida como Capoeira de Angola.

Amazonas - Toque festivo e é usado para dar as boas-vindas à Mestres visitantes e aos seus alunos. Normalmente, é usado em encontros e batizados.

São Bento Grande de Angola - Mais comum em jogo de Angola, trata-se de um toque que usa o berimbau viola, e que é tocado fazendo repiques. Há também alguns grupos de capoeira que usam esse toque para jogar “regional”, em um jogo de floreios e rápido.  O toque São Bento Grande de Angola é a mesma coisa que a capoeiragem da época dos escravos. Pode ter tido algumas poucas alterações, além da denominação.

Santa Maria - Toque usado quando o capoeirista coloca uma navalha na mão ou no pé. É considerado como um dos mais belos toques de berimbau, em que o capoeirista deve desenvolver uma verdadeira escala de notas, e voltar ao início, que faz com que o ritmo tenha uma característica peculiar, que o diferencia dos outros toques de capoeira, principalmente da capoeira regional.

E por fim, Samango: Esse toque enfatiza a acústica da barriga. Ele era usado para avisar sobre a aproximação de alguém ao local em que era executado. O samango era tocado de acordo com a velocidade dos passos, e ia aumentando de conforme as pessoas iam se aproximando.

Para Castro e Vasconelos (2019), esse mestre demonstra a diversidade das práticas corporais afro-brasileiras que constituem o fenômeno da capoeira, além do binômio ginástica-luta, e a presença da capoeira nos grupos folclóricos da Bahia no século XX.

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Notas:

 Matthias Rohrig Assuncao. Capoeira: A História de uma Arte Marcial Afro-Brasileira, in https://books.google.com.br/books?id=C5C7VP0ollYC&pg=PA198&lpg=PA198&dq=samango+%2B+capoeira&source=bl&ots=388pB6PVw5&sig=ACfU3U37lDrSK19U29HqJJJUkJ9TmShe2Q&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwjGgca91JXrAhXumOAKHedVA5cQ6AEwGnoECAoQAQ#v=onepage&q=samango%20%2B%20capoeira&f=false

  Lelé's Capoeira Blog  https://capoeira.tootington.com/2014/toque-e-jogo-samango/

https://www.youtube.com/watch?v=VWnId1hdnak&feature=emb_title

https://www.youtube.com/watch?time_continue=45&v=50k1JeVcKCY&feature=emb_title

https://www.youtube.com/watch?v=8vzhS-iCBAk&feature=emb_title

 https://pt.wikipedia.org/wiki/Samango 

 https://www.dicionarioinformal.com.br/sinonimos/samango/ - Como sinônimo, temos: meganha, soldado, trolha, pênis, pica, caralho, pau, rola, piru, giromba, sulamba

 https://www.facebook.com/grupozumbisp/posts/2550666905172162/

http://twixar.me/Wr5T

 COBRA MANSA; ASSUNÇÃO, Mathias R.. Da senzala à academia: a diversificação da capoeira. | CIÊNCIAHOJE | 331 | VOL. 56

https://www.passeidireto.com/arquivo/23543067/da-senzala-a-academia-a-diversificacao-da-capoeira/2

 CANJIQUINHA, Mestre. Canjiquinha, alegria da capoeira: eu sou a alegria da capoeira, na capoeira eu sou a alegria. Salvador: A rasteira, 1989, citado por Sammia Castro Silva; José Gerardo Vasconcelos. Práticas educativas da capoeira no século XX: reflexões a partir de aspectos biográficos de mestres da arte. revista entreideias, Salvador, v. 8, n. 3, p. 4-68, set/dez. 2019 

 https://storia.me/pt/conhe-a-aqui-diferentes-tipos-de-toques-de-berimbau-6r1/s

 Sammia Castro Silva; José Gerardo Vasconcelos. Práticas educativas da capoeira no século XX: reflexões a partir de aspectos biográficos de mestres da arte. revista entreideias, Salvador, v. 8, n. 3, p. 4-68, set/dez. 2019

 

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