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Saulo Barreto apresenta o novo livro do premiado Rogério Rocha, "Pedra dos Olhos"

"Avante ao promissor poeta! O mundo das artes só tem a ganhar!"

31/05/2021 11h22 Atualizada há 1 semana
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Divulgação
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"PEDRA NOS OLHOS"

Foi com incomensurável surpresa e ao mesmo tempo arrebatador júbilo que recebi do amigo Rogério Rocha o nobre convite para apresentar seu primeiro livro.

Um livro de estreia, decerto, requer enorme responsabilidade para qualquer mortal; encargo esse que se agiganta ainda mais quando tratamos de um volume com quase uma centena de poesias, sem falar da incontestável magnitude do conteúdo, o que afasta - ressalto de antemão - qualquer possibilidade premente minha de encetar uma análise crítica que a mesma requer, ainda que superficialmente.

Feita a devida ressalva, vamos, pois, ao que me cabe de fato - apresentar a obra. Antes, porém, permita-me destacar duas estrofezinhas com o intuito de revelar o dia que o conheci; acontecimento, aliás, sucedido muito recentemente deve-se dizer.

Estávamos na Livraria AMEI quando finalmente abordei o poeta com o fito de comentar acerca de seu canal no YouTube sobre filosofia. Para minha surpresa fui muitíssimo bem recebido, ato contínuo, não sendo dispensada minha presença logo nas primeiras trocas de palavras, como geralmente acontece.

A primeira impressão que ficou foi de uma pessoa por demais solícita, acessível, sem nenhum resquício da empáfia tão comum em nosso meio, eivado de presunções. Posteriormente, nos reencontramos na sua palestra de tema: A filosofia do Caibalion e as 7 leis herméticas e mais tarde, ainda, na noite em que foram anunciados os nomes dos vencedores do 2º Concurso Novos Poetas Maranhenses 2019 - Prêmio Gonçalves Dias, na qual o mesmo conquistou - com incontestáveis méritos (e com direito a declamação) - o 2º lugar com a sua "A ilha que pende sobre o nada", em meio a quase três centenas de trabalhos inscritos de altíssimo nível.

Isto feito, falemos, portanto, um pouco sobre a presente obra - Pedra dos Olhos.

No decorrer destas invulgares páginas, os (as) leitores (as) se depararão com a Poesia em seu estado mais vigoroso, puro e natural. São poemas escritos sob a égide de vários temas e formas; alguns registrados em tenra idade, outros na juventude, outros mais na média idade. Não seria exagero se afirmássemos que são poesias gestadas durante toda uma vida, depois de longo e doloroso período puerperal, o que dá um peso ainda maior ao livro; rechaçando - a pari passu - uma possível equiparação a maneira açodada de alguns autointitulados “poetas” (de ocasião), que costumam abortar seus “livros” a toque de caixa. Enfim, caríssimos amantes da boa poesia, encontraremos adiante versos escritos ainda na infância, mais especialmente aos 12 anos de idade, denunciando serem eles constatações cabais de elucubrações cavoucadas do íntimo e recolhidos à vida; para mim, a comprovação clara do encontro do ponto de interseção entre a Filosofia e a Poesia.

Além disso, fica patente que o poeta filósofo busca contemplar o passado, presente e futuro, sem se eximir de dialogar com os anseios autênticos da conturbada alma humana em suas mais diversas fases e idades; o que não deixa transparecer também, influências claras de luminares como Fernando Pessoa, Gullar, Adolfo Monteiro e tantos outros.

Mas o que mais chamou minha atenção em específico foi a poesia dedicada ao velho Nauro. Nesta peça fica ainda mais fulgente sua verve lírica, nos fazendo lembrar até a eterna dualidade de amor e ódio que Nauro Machado nutria por sua São Luís, ilha essa incubadora natural de artistas, filósofos, boêmios, poetas e versos mil. Pertinentemente homenageia Nauro, prematuramente arrancado do nosso meio - não pela idade, pois o mesmo já contava com 80 anos -, mas por se tratar de um Ser que tem, assim como Castro, essência suficiente para viver mais de um milênio, sem esgotar as suas mais recônditas inquietações existenciais.

Homenageando Nauro, fatalmente o Dr. Rocha louva a sua cidade: “Eu o vejo descendo a pé / A sempre velha Rua

de Nazaré... / Os velhos prédios, as velhas pedras (...)”

Encerro, pois com o trecho deveras mais importante desta apresentação, que se resume na minha humilde recomendação:

LEIA SOMENTE!!! Petrifique seus olhos nestas raríssimas laudas! Se delicie sem moderação com esse caleidoscópio de versos e temas... assim como, certamente, eu o farei. Ouse explorar as entrelinhas, as nuances, pois um bom livro sempre falará por si só.

Avante ao promissor poeta! O mundo das artes só tem a ganhar!

Do amigo menor,

São Luís/MA, setembro de 2019.

Saulo Barreto Lima

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Capa do livro.

Poema que abre o livro PEDRA NOS OLHOS:

A ilha que pende sobre o nada 

Ah! essa ilha que não para de rasgar os pactos,

acordos, tratados…

Essa ilha que sempre quis abrir-se aos ventos da

liberdade,

aspirar o sopro morno de manhãs singulares,

beber da água doce das fontes intactas,

cantar hinos brotados do coração da terra.

Essa ilha opiácea, esses laços com a vaga,

com as ondas, oceano rasgado por gente de longe,

rodeada de abismos e dúvidas por todos os lados,

passado e presente em eterno sacrifício…

nada, nada, quem dera...

Ah! Ilha esquálida, sorvemos todos, ingratamente,

a tua essência mais rara, o teu sumo agridoce,

a energia cravada nas pedras de (en)cantaria.

Ah! Ilha, triste ilha! Que teima em não afundar,

apesar do oceano, dos ventos, das ondas bravias,

dos erros, dos donos, dos ledos enganos.

Morreu em teu ventre, no escuro do silêncio,

sufocada, a serpente que não nos soube destruir.

Quedou também sobre teu chão propício,

nas areias tórridas do destino, o touro negro,

pastoreado por turvos fantasmas.

12

Ah! Ilha, pobre ilha enfastiada.

Se és mãe fiel, fecunda e rara,

entendes a saga em que estás mergulhada.

E sei que em tuas preces mais intensas rogas

para que o touro negro não renasça

e que o ovo da serpente não se parta.

Mas se ainda assim, atendidas tuas súplicas,

venha então o infortúnio das águas ferozes

e o vasto oceano de chofre te invada,

guardarei teu segredo em meu porvir,

velarei tua lenda no fundo do nada.

**********

 

Rogério Rocha.

Outro Poema:

A Verdade

Avança pela noite a voz interna,

a onda assume a sede voraz

dos mares.

Sobe e segue e urge,

quando despeja solene

a atroz espuma de pretéritos redemoinhos.

Íntimo, passeia o espanto

em oceano de plenas nuvens.

Céu e solo, mar e sonho, brilho e abandono...

sob as sombras, sobre os ombros,

emoção que refulge perene.

Visões de outrora, infinitas auroras.

De dentro da orgânica tessitura

da mais tênue existência (tua)

ressurge, na mansidão noturna,

preciosa e serena a verdade.

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