Os sorrisos ingênuos da infância
(Por José de Oliveira Ramos)
Nos anos da década de 70, composta para tentar incentivar a seleção brasileira de futebol na jornada épica no México, mais propriamente em Jalisco e Guadalajara, independentemente da situação sócio-política que vivíamos, a letra da música garantia que éramos 70 milhões de habitantes. Os veículos de comunicação eram confiáveis e os interesses/motivos de manipulação não existiam.
O mundo parecia ser maior. Parecia haver mais espaços para todos, e isso garantia a ausência das maldades, dos males e dos maldosos.
Éramos ingênuos, sim. Éramos "educados" por nossos pais. Jamais pelos Conselheiros Tutelares – esses que ninguém sabe de onde saíram ou quais seus passados pregressos. Mas, foram oficialmente autorizados pelo Estado para entrarem nos nossos lares e chafurdarem nossas intimidades com os filhos. Os "nossos" filhos.
E era aquela ingenuidade que nos fazia rir de muitas coisas. Principalmente as mostradas nos cinemas, nos circos com palhaços diferentes dos que hoje tentam fazer graças em algumas instituições brasileiras.
Não. Não citei aquela instituição pretensamente suprema, tampouco algum poder legislativo. Você que, pela lógica das coisas, pensou isso. E quem sou eu para desmentir?
Como não rir dos trejeitos de Cantinflas, com aquele andar atrapalhado pelas próprias calças?
Como não rir do andar embaraçado e fala amatutada de Mazzaropi, sempre com aquela galinha colada sob o sovaco?
Vejamos e relembremos um pouco deles.
Cantinflas
Cantinflas, nome artístico de Fortino Mario Alfonso Moreno Reyes, nascido na Cidade do México, a 12 de agosto de 1911, e falecido na mesma Cidade do México, a 20 de abril de 1993. Nasceu em uma família muito humilde e tinha 12 irmãos. Teve uma adolescência marcada pela pobreza, o que o levou a começar a trabalhar muito cedo, primeiro como engraxate e depois como aprendiz de toureiro, motorista de táxi e pugilista. A sua vida mudou quando, aos vinte anos, trabalhando como empregado em um teatro popular, teve a oportunidade de substituir o apresentador do espetáculo que adoeceu. Ao inverter frases, trocar palavras e abusar do improviso, Cantinflas conquistou o público hispânico. As suas origens inspiraram várias personagens, entre eles o famoso El Peladito. A sua maneira de falar acabou por prejudicar a sua carreira internacional. Dos mais de 40 filmes que fez, a maior parte foi produzida pela sua própria companhia. Em Hollywood, teve apenas dois filmes: A Volta ao Mundo em 80 Dias, um sucesso de bilheteria e vencedor do Oscar de melhor filme em 1956, e Pepe, um fracasso de público e crítica. A sua carreira durou até a década de 1980. A crítica, porém, destaca que os melhores filmes do comediante foram feitos entre as décadas de 1940 e 1950. Entre os seus trabalhos mais elogiados deste período, estão Os Três Mosqueteiros (1942), O Circo (1943), El Supersabio, O Mágico (1948), O Bombeiro Atômico (1950) e Se Eu Fosse Deputado, todos escritos para ele pelo seu amigo Jaime Salvador. (Informações do portal Wikipédia)
Mazzaropi
Amácio Mazzaropi nasceu em São Paulo, 9 de abril de 1912, e faleceu também em São Paulo, a 13 de junho de 1981. Considerado o maior cômico do cinema brasileiro, é o único artista que ficou milionário fazendo filmes no país. Suas produções foram fenômeno de público por mais de três décadas. Filho de Bernardo Mazzaropi, imigrante italiano e Clara Ferreira, brasileira nascida em Taubaté (São Paulo), filha de imigrantes portugueses da ilha da Madeira. Com apenas dois anos de idade sua família muda-se para Taubaté no interior de São Paulo, onde estavam seus avós maternos. O pequeno Amácio passava longas temporadas no município vizinho de Tremembé, na casa do avô materno, o português João José Ferreira, exímio tocador de viola e dançarino de cana-verde. Seu avô também era animador das festas do bairro onde morava, às quais levava seus netos que, desde cedo, entram em contato com a vida cultural do caipira, que tanto inspirou Mazzaropi.
Em 1919, sua família volta à capital e Mazzaropi ingressa no curso primário do Colégio Amadeu Amaral, no bairro do Belém. Bom aluno, era reconhecido por sua facilidade em decorar poesias e declamá-las, tornando-se o centro das atenções nas festas escolares. Em 1922, morre o avô paterno e a família muda-se novamente para Taubaté, onde abrem um pequeno bar. Mazzaropi continua a interpretar tipos nas atividades escolares e começa a frequentar o mundo circense. Preocupados com o envolvimento do filho com o circo, os pais mandam Amácio aos cuidados do tio Domenico Mazzaroppi, em Curitiba, onde trabalhou na loja de tecidos da família. Já com quatorze anos, em 1926, regressa à capital paulista ainda com o sonho de participar em espetáculos circenses. Finalmente entra para a caravana do Circo La Paz. Nos intervalos do número do faquir, Mazzaropi conta anedotas e causos, ganhando uma pequena gratificação. (Informações pesquisadas no Wikipédia)
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