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Na época dos barcos à vapor movidos a Jazz Tradicional. É o que conta Augusto Pellegrini

JAZZ E SWING (Com vídeo).

30/06/2021 17h30 Atualizada há 3 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Augusto Pellegrini
Augusto Pellegrini
Augusto Pellegrini

AS CORES DO SWING

Livro de Augusto Pellegrini

Capítulo 2 – O COMEÇO DE TUDO  (Parte 1) 

No final da década de 1920, o jazz tradicional já havia deixado o seu berço na Louisiana e viajado em direção ao norte e centro-oeste dos Estados Unidos.

Barcos a vapor movidos por Jazz.

Essa viagem começara sem muito alarde cerca de vinte anos antes, com a subida dos alegres barcos a vapor ao longo do Rio Mississipi. Estas viagens fluviais eram animadas por bandas que tocavam o jazz original de Nova Orleans.

Músicos de reconhecida categoria, como King Oliver, Louis Armstrong, os irmãos Baby e Johnny Dodds, Zutty Singleton, Tommy Ladnier e Johnny St.Cyr chegaram a fazer parte das formações de um pianista de nome Fate Marable, que comandava uma das mais conhecidas orquestras fluviais, e ajudou a transportar a música do sul para outras paragens. Marable era contratado da companhia Strekfus Mississipi, responsável pelo serviço de navegação dos riverboats, que levava pessoas e mercadorias rio acima, de Nova Orleans para Saint Louis, e que mesmo sem ter tido a consciência histórica do seu trabalho, talvez tenha sido o maior divulgador do jazz no seu tempo.

Somente a partir de 1917, no entanto, com o fechamento da maioria das casas noturnas de Nova Orleans que se concentravam no bairro Storyville, por exigência da Marinha de Guerra, que considerava o clima dos cabarés lesivo à moral das tropas americanas, é que a migração do jazz em direção ao norte se consolidou como um verdadeiro êxodo.

É bem verdade que os bordéis de Storyville abrigavam na sua grande maioria apenas os pianistas de jazz, pois os músicos que tocavam instrumentos de sopro costumavam tocar em clubes ou nas ruas. Existe, portanto, um certo exagero na lenda de que o jazz se pôs na estrada exclusivamente em virtude da intervenção das Forças Armadas, embora há de se convir que historicamente foi a partir daí que a sua migração maciça realmente teve início.

É fato também que desde 1915 – ou seja, antes da propalada extinção de Storyville – muitos artistas de Nova Orleans já haviam começado a ir para o norte, notadamente Chicago, ou para a região da Califórnia. Nesse ano, a Original Dixieland Jass Band já estivera em Chicago, onde se apresentara usando o nome de Brown's Dixieland Jass Band (o grupo iria depois para Nova York, em 1917, para tocar no famoso Reisenweber Restaurant, no Columbus Circle).

Jazz Band de Fate Marable  .

O pianista Eubie Blake já havia deixado Nova Orleans há algum tempo, e no início de 1917 o também pianista Fate Marable, aquele famoso pela sua banda de riverboats, estava praticamente radicado em Saint Louis.

Também o clarinetista Lawrence Duhé, um dos bem-sucedidos músicos da Louisiana, já havia partido para Chicago em 1916, para tocar ao lado da pianista Lil Hardin.

Assim, durante os anos 1915 a 1920, devido à chegada de tantos músicos do sul, Chicago se transformara na nova capital do jazz. Em 1920 lá se encontravam, entre outros, King Oliver, Johnny Dodds, Jimmie Noone, Honoré Dutrey, Natty Dominique, Minor "Ram" Hall e duas bandas brancas de dixieland muito conceituadas – a Original Dixieland Jass Band e a New Orleans Rhythm Kings.

Naquela época existia uma total falta de intercâmbio entre as diferentes correntes artísticas, o que fazia com que o país se dividisse em regiões musicais específicas.

O sul havia descoberto a forma revolucionária do jazz através da combinação do blues, do ragtime e da magia das bandas militares, enquanto o oeste cultivava um tipo de música voltada quase que exclusivamente para o estilo rural. O centro do país já experimentava desde as últimas décadas do século dezenove a música pianística do ragtime, cujos intérpretes utilizavam às vezes uma roupagem orquestral que incluía até o violino – ou a rabeca. O sudoeste recebia uma forte influência hispânica devido à proximidade com a fronteira mexicana (a República do Texas, que ficara independente do México em 1837, optou pela sua anexação aos Estados Unidos, o que ocorreu em 1845), e o norte-nordeste, mais elitizado, buscava uma espécie de supremacia cultural com a presença das grandes orquestras de salão com uma roupagem vinda diretamente da Europa.

Com a viagem do jazz tradicional para outros recantos, houve uma considerável troca de informações entre os diferentes estilos tocados no país. Pouco a pouco a música tocada nas mais variadas regiões do território americano foi absorvendo a alma da música proveniente do sul.

O jazz tradicional levava na sua bagagem um maravilhoso baú de novidades harmônicas que funcionaram como verdadeiros adereços festivos. Estes adereços foram aceitos e utilizados até pelos músicos mais ortodoxos, e prepararam o caminho definitivo da nova música norte-americana. O magnetismo desta nova corrente musical iria, em pouco tempo, transformar a música popular não apenas na América, mas em todo o mundo.

Todavia, esta viagem musical também fez com que as músicas cultivadas em Nova Orleans – o blues, o stomp, o new orleans style – também começassem a receber uma série de influências com respeito à sua forma de interpretação e ao seu desenvolvimento harmônico. Assim, o jazz tradicional, apesar de continuar evidenciando a essência mais pura do blues, começava a incorporar outros elementos musicais, o que tornava as fórmulas jazzísticas mais impuras, porém mais ricas e mais bem-elaboradas.

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