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Brasil Convidados

Convidado especial de São Luís: jornalista José de Oliveira Ramos, "A Carta da Saudade"

@sem fins lucrativos

21/07/2021 10h35
Por: Mhario Lincoln Fonte: José de Oliveira Ramos
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A carta da saudade

José de Oliveira Ramos*

Quando o Carteiro chegou ao número 30, em vez de tocar a campainha, preferiu bater palmas. Eu estudava para a prova do dia seguinte na universidade. Era ponto de honra realizar uma boa prova e garantir mais uma boa nota.

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Minha mãe, que atendera o chamado, falou alto: "Filho, é para você"!

Parei de estudar e fui atender, pois precisava de assinatura para receber a correspondência. Carta simples, porém importante, que acabou sendo preponderante para a nossa relação iniciada havia pouco tempo.

Abri e passei a ler, atentamente:

"Há horas que a saudade me faz sangrar. É um sangue incolor, salgado, esfumaçado, doído, como se extraído a fórceps. Dói demais!

É uma saudade danada! Saudade de ti, de mim, de nós!

Saudade do que fui, sem querer ser. Saudade do que poderia ter sido, e não fui!

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Saudade até de quando eu for!

Dói!

Saudade do vento, do amanhecer e do sol quente que me fazia suar e do suor que me fazia chorar, sentindo saudade de ti.

Dói muito!

Saudade daquela noite em que nos entregamos e das lágrimas que chorei por te perder no dia seguinte e por mais alguns dias!

Saudade do teu sorriso na manhã seguinte.

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Saudade do ontem. Do hoje e do amanhã, que um dia será hoje e depois será ontem.

Saudade da menina que fui e da idosa que um dia serei. Saudade de mim, de ti, de nós!

Dói e corta fundo!

Saudade das nuvens que eram minhas. E daquelas que eu não tinha!

Saudade dos caminhos, das trilhas, das veredas e das estradas por onde andamos de mãos entrelaçadas.

Saudade da minha infância. Da amarelinha, do bambolê, da minha saia rodada que facilitava nossas carícias, e das estórias construídas e contadas em castelos de ventos e de areia.

Saudade de tudo. Do pôr do sol que víamos juntos, das rosas que me destes, dos beijos trocados e até de sentir ciúmes de ti. Parabéns saudade, pois estou com saudade de ti.

Saudade – (Pablo Neruda)

Saudade é amar
Um passado
Que ainda
Não passou.
É recusar
Um presente
Que nos machuca,
É não ver
O futuro
Que nos convida.

Saudade do futuro. Saudade de tudo e até do que eu nunca vi.
Saudade da paz que eu quero ter e daquela que eu nunca tive.

Saudade grande!

Dói!

Mas, a maior saudade é de ti. De mim. De nós!

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*Parte do meu livro pronto (e quase no prelo – como diziam os "antigos"): "Quarenta contos de réis" - JOR

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