POEMA É O RINGUE, NÃO O SOCO!
*Mhario Lincoln
Toda vez sinapses incríveis trafegam na minha cabeça quando ouso ler Fernando Abreu. Poeta – de fazer poesia – de sentir poesia. De viver poesia e achar que a poesia pode mudar o Mundo. Lendo Abreu, embriago-me com a mais rupestre maneira de ver um manual cheio de cores, gêneros, dores e anseios.
Uma poética não só pessoal, como também modal, social, visual, verbal, tribal, plural – assinada por quem compõe a vida em vários heptassílabos oníricos, sobrepostos.
Quando ouso ler “Manual de Pintura Rupestre”, concluo sempre que ao contrário do que pretextou Manoel de Barros – “O que eu queria era fazer brinquedos com as palavras. Fazer coisas desúteis(...)” – Abreu leva muito à sério a arte da construção do poema, chegando a responder nesta entrevista que fiz com ele, (abaixo), há uns anos, ocasião em que lançava “Manual de pintura rupestre”, que:
- a poesia não tira férias e meu fazer poético também é minha maneira de estar no Mundo.
Ora, pois, é explícita a relação oxigena, ‘sine qua non’, porque ler Fernando Abreu é se entranhar na dialética racional das tábuas algorítmicas do bem elaborado. É alcançar uma liberdade incomensurável, do ponto de vista de soltar as amarras sobre as quais, mesmo em diversos segmentos da poesia brasileira, ainda pesam conceitos ou juízos de valor.
Na obra de Fernando Abreu o que há, sem dúvida, é uma força libertária, cheia de muito bom senso. Um resultado das experiências das coisas, pessoas, ações, acontecimentos, sentimentos, estados de espírito, intenções e decisões como bons ou maus, desejáveis ou indesejáveis.
Destarte, quem lê a poética de Abreu se depara com um trabalho refletivo e incondicional diante do conglomerado-raiz do conjunto de fatores que levaram à construção sólida deste testamento escrito. Nas linhas e entrelinhas o legado de respeitáveis vozes que ecoam pelas páginas, lembrando Jung, Engels, Marx, Freud, Blake e Wilhelm Reich.
“(...) ontem vi o velho marx e sua turma/ arrebentando no sinal de trânsito/ mudando o mundo durante segundos/ com malabares e bolas coloridas (...)’.
E mais: “(...) você tem certeza/ que achou mesmo a cara/ da posteridade mais feia/ que a prudência de blake/ ou não será tudo digressão em torno/ do fato incontornável de que/ mais e melhores poetas virão/ embora nem sempre apareça/ um (...)”.
Se é milagre? Claro que não! Contudo, o livro de Abreu é excepcional pois foi cingido pelos reflexos clarividentes do pôr do sol de São Luís, à beira do mar, mergulhados em versos cheios de “poemas que não recusam nada/ nem mesmo ser um poema”.
Portanto, “poema é o ringue, não o punch”.
*Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira
Vídeo Bônus abaixo:
ENTREVISTA EXCLUSIVA COM FERNANDO ABREU
Local: Base do Rabelo, em São Luís-Maranhão
EDUCAÇÃO Maranhense Sharlene Serra integra a programação da Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2026
EXCLUSIVO Euclides Moreira Neto: “DESFILE DO DIA DA RAÇA E O 7 DE SETEMBRO”
MUSICA É VIDA Chiquinho França levou “Fissura” a Brasília, no Clube do Choro, território de encontro da música brasileira
SETEMBRO SETEMBRO AMARELO: “ATENÇÃO! SINAL AMARELO”
MUNDO NOVO “OBRAS LITERÁR(IA)S?”, crônica do professor e membro APB-MA, José Neres.
Mohana e Cassas “PLENITUDE HUMANA”: O LIVRO EM QUE JOÃO MOHANA COLOCOU O HOMEM DIANTE DE SI MESMO Mín. 13° Máx. 26°
Mín. 10° Máx. 17°
ChuvaMín. 7° Máx. 11°
Chuvas esparsas
Marco Neves De Homero ao autoclismo português: 3000 anos de grego
Esmeralda Costa ACLC celebra cinco anos de existência cultural e escreve página histórica
Coronel Carlos Furtado FALMA: unidos, conquistamos espaço para a literatura maranhense
Academias Brasil/Exterior Coirmãs JOÃO AURÉLIO DO VALE: “ENQUANTO HOUVER QUEM CARREGUE ESSA BANDEIRA, A HISTÓRIA DO MEU PAI NÃO IRÁ MORRER”