Convidados:
NAUZA LUZA MARTINS/Brasília DF
DESPERTAR DA ENLUARADA
Acordei com os raios de lua entrando pela fresta da janela. Sonhava um sonho tão bom. Te procurei ao meu lado. Despertei para a realidade. Tu ainda não estás aqui. Tive que sublimar. Resolvi então te escrever como forma de aplacar meus intensos e loucos desejos. Só para ti contarei sobre minha vontade de morder teus lábios até sangrar. Não te quero sofrendo. Nada disso. É essa distância e a saudade que me rasga o peito, sem lenitivo algum me levando às raias da insensatez. Ah, meu amor, prepare-se. Leve uma segunda vestimenta. Quando te encontrar rasgarei todas as suas vestes até sentir teu corpo amado e desejado junto ao meu.
Não tenhas medo. Vais precisar de roupas novas depois do nosso reencontro. Depois que eu te possuir do meu jeito, na minha lua. Não importa se for hora de sol a pino. Para nós será noite enluarada.
Se a lua não aparecer até que esvaia a última bruma da noite. Meus olhos serão teus clarões da lua. Meu suor caindo sobre ti como gotas fosforescentes, serão os raios de luar refletindo a intensidade do desejo que te despertarei.
Não tens como fugir. Logo verás que meus olhos assumirão os matizes das cores do alvorecer. Não se surpreenda, falo sério, não te deixarei ir. Só quando compensares todos os minutos, horas, dias, meses e anos perdidos sem nossas loucuras noturnas de música, dança e contradança. Sabes sobre o que digo.
Já morremos juntos tantas vezes, perdidos por espaços do universo. Até sons de trombetas de anjos ouvimos juntos em nosso enleio. Transcendemos. Ressuscitamos mais maduros, diferentes, sei lá. Você talvez. Eu adolesci, parei no tempo. Quero ir à forra. Tô nem aí. Tenho poderes, lembras? Poderes de Deusa, de Lua de Vênus.
Nauza Luza Martins – Lua de Vênus
Brasília, 24/01/2021
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