PINTANDO O QUATRO
*Mhario Lincoln
COMO não admirar o número 4? Como não admirar quem se esmera para construir um caminho sadio, com poética à flor da pele, nesta edição do Parnaso de número 4? Aliás, o número 4 é algo gerador de solidez. Para Pitágoras, o número 4 é perfeito. Por isso, referencia-se ao nome de Deus. Representa estabilidade e progresso nas personalidades envolvidas. Indica organização, progressão. Há quem afirme que o 4 está diretamente ligado ao símbolo da Cruz. Por isso, é um número de grande importância.
Na Bíblia, o Livro do Apocalipse concede ao número 4, a ideia de universalidade. O Vedas, livro sagrado do Hinduísmo, divide-se em 4 partes: Hinos, Sortilégios, Liturgia e Especulações. A linguagem de Brama (Deus Hindu) é dividido em 4 partes: regiões do espaço, os mundos, as luzes e os sentidos, como também são 4 os evangelistas (autores que escreveram sobre a vida de Jesus): Mateus, Marcos, Lucas e João.
Na verdade, o número 4 do Parnaso, acaba contendo alguns aspectos sagrados da poesia e prosa. Como se algo de bom houvesse interferido na busca por todos os autores privilegiados, os quais compõem esta quarta edição. Se o leitor prestionar atentamente, vai entender que tudo isso acima definido, acaba explícito nas linhas internas dessa publicação. Especialmente na linguagem dos dois coordenadores impecáveis: “Sob a égide de Mármore”, de Silvana Mello, como se Platão, Hermógenes, Pitágoras, assim escrevessem sob as imensas colunas do Panteão. Ou mesmo, “...Magnífico é/O conhecimento da Palavra…”, de Osmarosman Aedo, representando aí, os 4 principais evangelistas, tradutores da vida de Cristo, onde palavra é Vida, é Verbo, é Virtude.
Repito: se prestionarmos mais, vamos encontrar passagens memoráveis, desde Adriana Porto até Vera Lúcia Cordeiro, com poetas e prosistas vindo dos 4 cantos do Planeta, das 4 direções cardeais: 46 artistas da escrita. E se dividirmos 46 por 4 novamente, outra surpresa: dá 11,5, número cabalístico da ‘ressurreição’ espiritual, isto é, surge o Parnaso como intercepção junto ao renascimento de alguns autores, d’antes ainda preocupados com tamanha epidemia privativa da criação. O Parnaso, então, acabou trazendo Ressurreição de ideias, Ratificação de atos líricos e Explosão de criatividade, neste trabalho novo.
Destarte, a Beleza Coordenativa, a Entrega, a Dinâmica e a Responsabilidade - olha o 4 aí novamente – garantem que o Parnaso nunca seja uma simples antologia. Por isso, quando leio esta edição, passo a entender ainda mais o que me disse meu conterrâneo Ferreira Gullar, em uma das últimas entrevistas que me concedeu: “certas antologias são iguais a listas telefônicas”.
Neste caso, o Parnaso é diferente: é PARNASO e ponto final!
Portanto, meus parabéns aos confrades Silvana Mello (Academia Poética Brasileira) e Osmarosman Aedo (Academia Poética Brasileira).
Uma honra receber os exemplares. Obrigado.
Mhario Lincoln
Presidente da Academia Poética Brasileira.
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