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CLEVANE PESSOA - A Poeta do Século XX - E A IDEALIZAÇÃO DA ACADEMIA POÉTICA BRASILEIRA

Anexo, vídeo de Claudio Barbosa

14/09/2021 17h54 Atualizada há 18 horas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Divulgação/Clevane Pessoa
Clevane Pessoa, a Poeta do Sec XX
Clevane Pessoa, a Poeta do Sec XX

*Mhario Lincoln

Após um sarau que fizemos em Curitiba, lá pelos anos de 2015, eu e Clevane Pessoa tivemos a ideia de criar uma confraria de poetas para dar vazão a tantos talentos dispersos por esse Brasil e pelo exterior afora. então, dia 27 de março de 2016 nascia em definitivo, com registro e tudo mais, a Academia Poética Brasileira com 3 diretores, além de mim: Clevane Pessoa, Edomir Martins de Oliveira e Humberto Napoleón. Clevane e Humberto foram escolhidos, dois anos depois, Poetas do Século XX pela revista ACERVUM.

Então, hoje, após a pandemia ter-nos afastado um pouco, eis Clevane em toda sua plenitude. Uma mulher de fibra, uma das pessoas humanas mais incríveis que conheci e que também foi responsável pela APB ter, em seus quadros, gente de primeira qualidade, não só no talento de compor e poetar, mas e principalmente, no lado mais humano possível.

Antes de conhecê-la, havia lido inúmeros textos dela. Um deles foi a gota d'água para pedir sua amizade no facebook e a partir daí, foi construída toda uma história até hoje. A APB deve muito a essa poeta vibrante, que hoje reside aos pés da Serra da Mantiqueira, que corta 3 estados e tem picos altos como Pedra da Mina; Pico das Agulhas Negras e Pedra do Sino de Itatiaia. 

Conversamos muito esta tarde de 14.09.2021 e relembramos nossos confrades e confreiras que subiram a escada do paraíso. Falamos muito sobre o mineiro Claudio Barbosa, uma das pessoas humanas mais incríveis que declamava poesias e dava flores para as prostitutas desamparadas, no Dia da Mulher. Levava atenção e amparo a essas pessoas, muitas vezes marginalizadas pela sociedade. Esse ato espontâneo dele nunca foi divulgado e ninguém sabia. Talvez tenha sido Clevane a única pessoa a quem confidenciou esse feito. Além disso, tinha atividades recreativas (importantes) nos abrigos dos idosos da Vila São Vicente, em BH. Festejava todas as datas: Ano Novo, Carnaval, Páscoa, Dia das Mães, Dos Pais e Festa de Natal. Reunia músicos amigos e promovia bailes para os velhinhos. Fundou um grupo de apoio antisuicídio (veja vídeo abaixo) e pessoalmente passava madrugadas escutando os desabafos de pessoas tristes. Com isso, salvou dezenas de vidas. Nosso confrade Claudio faleceu nessa 'loucura' do COVID19. Assim, coube a vice-presidente nacional da APB, Clevane Pessoa, indicar um novo nome.

Eu, Fátima Sampaio e Claudio, na posse dele.

Hoje, nesta reunião, acertamos os detalhes. Dentro de dois meses estará sacramentado e teremos um novo membro APB nos mesmos moldes do seu antecessor, pois a pessoa indicada, igualmente é incrível, tanto no talento, como na alma. "São pessoas desse nível, Mhario, que queremos para a Academia Poética Brasileira, que não visa lucros, nem exacerbações egóicas. Visa, sim, colocar o nome da literatura, arte e música, no mais alto podium no Brasil e no Exterior", disse-me Clevane.

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Abaixo, vale recordar um texto de Clevane Pessoa. Esse foi o primeiro que li e o primeiro contato literário com ela, virtualmente. Refere-se ao marido, morto em um acidente de carro.

Foi a partir desse texto a minha procura por conhecê-la.  Desta forma, nunca mais deixei de lê-la e admirá-la.

TEXTOS INESQUECÍVEIS

Convidada: CLEVANE PESSOA, vice-presidente nacional da Academia Poética Brasileira

Carta para o amado presente na ausência...

Meu amado:

Acordo e fico sabendo que hoje,sete de maio,é Dia do Silêncio.Estou absolutamente sozinha,mas não há silêncio interior.

Dentro de meu self, alaridos, relembrares, cantares e...até gemidos, arfantes gemidos de paixão.

Quando nos encontramos, descobrimos muitas coisas em comum:o gosto por fotografia, viagens, filmagens, música, praia, ar livre, estradas...

Vou à sala e ligo a TV. Na Net, passa um filme "cult": "O Ultimo tango em Paris",que na Ditadura, era proibido no Brasil. O livro, deixaram em cima de minha mesa, na Gazeta Comercial onde eu trabalhava, capa dura, páginas em papel ruim, edição clandestina, como muitos que recebi, então.

Li-o escondidamente, pois, mocinha, temia que papai me surpreendesse lendo livro assim "forte'. Quando nos casamos, vim morar em Belo Horizonte onde você, engenheiro civil, trabalhava nas passarelas e viadutos da "Via expressa".

A abertura cultural começava. Você levou-me para ver os filmes antes proibidos. Entre eles, O Império dos Sentidos e O Último tango em Paris. Claro, o primeiro, oriental, mostrava situações inusitadas. Lembro de ficar sem graça, ao sairmos, pois a sala de apresentação era freqüentada por homens, na maioria. Como se os filmes fossem pornográficos, não eróticos.

Belo filme,"O Último Tango em Paris", que mostra a cru, a condição humana perante a condição sexual, suas repressões e liberações. Maria Schneider, repete, num dado momento:"É como brincar de adulto sendo uma criança". O amor não é isso? Nosso lado lúdico, esforçando-se para alcançar as esperadas respostas adultas...

E quando o filme finda, entre lágrimas, ela nega tudo e se nega. A respeito do amante, exclama: "Eu não o conheço", "Eu não sei quem ele é", "Ele é louco" e "Não sei o nome dele..

Os seres humanos vivem essas angústias permanentes. O Outro quer, de si, saber tudo. E todos temos uma bagagem dentro da alma, do coração, segredos...Se todos apenas usufruíssemos a verdadeira alegria cotidiana de estar-com, de estar-para, sem cobrar a dissecação da personalidadee, da história do companheiro, seríamos mais felizes...

Você tinha essa sabedoria. Casada de pouco, pois namoramos, noivamos e casamos em três meses, eu quis, como se oferecesse um presente, contar a você sobre meus amores antigos. Você me abraçou e me silenciou:"Chiu...nada que ficou para trás,nos importa". E assim foi. Construímos nossa própria história, sem ciúmes, sem canseiras, sem cobranças...sabedoria pura...

Venho escrever. Na sala, a música-tema do filme. Meu coração se aperta, confrange-me. Nas nossas inúmeras viagens, você sempre a colocava para tocar...Linda...

Volto à sala e desligo a Tv. O silêncio se reinstala no espaço.

Dentro de mim, porém, sua voz. Lembro de quando entramos no mar para fazer amor. Quando caminhávamos no Parque das Mangabeiras aqui em Belo Horiznte, você se encantava quando eu imitava os micos e os chamava para lhes dar o pão que levávamos de casa. Homem sério, você se desmanchava de rir com minhas gaiatices, mandava-me imitar o andar das patinhas em Acuruí. Eu as seguia para desenhar e fotografar, enquanto você pescava os seus pacus...O vôo louco das libélulas fogosas...

Com quem vou rir agora?

Com quem vou falar sobre nebulosas, beija-flores, sobre o canto das pedras? Quem vai buscar corujas para minha coleção? Quem vai me mostrar a trajetória das borboletas?

Onde mais vou ouvir seus murmúrios?

Ah, o silêncio se faz absoluto e penso que você está tirando um cochilo dentro de mim...É aí que você vive agora. Você e sua história,você e nossa história...Como disse um personagem "especial" em um filme, (...) "Você vive dentro do coração. É um lugar bem grande para se viver"...Quando trouxeram seus pertences, depois do acidente, em sua agenda, na primeira página, encontrei um amarelado papel pautado com uma de minhas poesias de amor, manuscrita. Cheirava levemente a gasolina...

E foi assim que eu tive certeza de que eu também ainda estava dentro de seu seu coração, esse lugar grande demais para se viver, onde podemos ser espaçosos, sermos nós mesmos e fazer todos os rumores necessários, cantarmos todas as canção, dizermos todos os versos e sobretudo, falarmos de nosso amor imorredouro...

N:Tenho de parar de escrever,porque é impossível enxergar sob as cortinas de cristal líquido que toldam meus olhos...

Até um dia...

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

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No Recanto das Letras:

Clevane Pessoa de Araújo Lopes, 07/05/2006

Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil

VÍDEO BÔNUS: CLAUDIO MARCIO, imortal da APB. Patrono da Cadeira de nº 35

O Alô Vida fundado em 06 de dezembro de 2004, é uma entidade composta de voluntários que se dispõem a escutar pessoas que desejam desabafar através do telefone 3444-1818. O trabalho é gratuito e totalmente sigiloso. Com uma dimensão e um alcance social de grande significado, atendemos aproximadamente 12.000 pessoas por ano. Não tem nenhum vínculo político ou religioso.

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