21 de setembro-Dia da Árvore
Clevane Pessoa
Regina Mello fotografando no Parque Municipal que tanto ama e onde mantém os espaços do Museu Nacional da Poesia-MUNAP, em 14 de março (Foto: Clevane Pessoa).
Nos anos 60, quando eu lecionava no Grupo Escolar Maria Illydia Rezende de Andrade, fui destinada a uma sala de limítrofes e alguns, com dificuldades de aprendizado. Eu comecei então, a ensinar tudo em versos bem rimadinhos.
Para o Dia da Árvore, quando haveria uma apresentação no pátio, coletiva, de todas as classes , eu ensaiei exaustivamente com meus alunos queridos, um poema.
No dia, a Diretora, que era muito empática e dinâmica, ao chamar minha sala, deu-me um sorriso de compreensão, tipo:"Seja o que Deus quiser".
Então, em coro perfeito, em alto e bom tom, sem titubearem ou se atropelarem, eles recitaram o poema. Depois, ela, comovida, disse-me que mal acreditara.
O poema era:
Salve a Árvore!
Clevane Pessoa de Araújo
Todas as árvores são
bem úteis, além de belas
- as frondosas, sombras dão,
as grossas, portas, janelas...
O bercinho do bebê,
a lenha que faz a brasa,
o livro que você lê,
os móveis da nossa casa...
Tanta cousa ela nos dá,
flor cheirosa, fruto doce
- coisa tão útil, não há,
simples, como se não o fosse.
Uma delas, sendo cruz,
sutentou com muito amor,
o corpo do Bom jesus
Nosso Irmão, Deus e Senhor.
Salve a árvore é bendita,
salve a árvore dadivosa
salve a árvore, tão bonita,
salve a árvore maravilhosa...
Essa última estrofe, era dita em tons e momentos diferentes. Desnecessário dizer que cada um dos versos era trabalhado em sala de aula, com imagens, diálogo, explicações, ditados, exercícios, de Gramática, Ciências, Artes e mesmo matemática; contar frutos, folhas, flores, para desenvolver o raciocínio numérico, somar as árvores de um pomar, colorir, recortar, montar, para desenvolvimento do controle motor...também montamos uma delicada mobília com caixinhas de fósforos para desenvolver o sentido espacial.
E a recitação do poema, compassadamente, depois de bem compreendido, a cada etapa vencida.
Lembro-me de uma garotinha chorando subitamente enquanto eu falava a respeito da crucificação ."Eu já vi "Ele" na Igreja, expicou, todo dodói...
Neste milênio, li o livro do poeta Diógenes Araújo, que se chama "Escandir"e que trabalha a tese de que métrica ajuda a ampliar a inteligência. Concordo plenamente.
Essa imagem aí em cima - é encantadora e usei-a para fazer a chamada pra o aniversário de Regina Mello (*), Diretora do Museu Nacional da Poesia. Ela adora árvores, que têm tudo a ver com os ciclos e missões dessa bela mulher sempre voltada para o coletivo, mesmo quando exerce seus direitos de individualidade.
Clevane pessoa de Araújo Lopes
(*) Regina Mello, criativa, levou para sua festa cinquenta poemas, para que fosse apresentado um livro vivo - um para cada ano de idade.
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(*) Meu livro "O Sono das Fadas ", selo Catitu /Halt, todo ilustrado com artesanato da mineira Angélica Santos, fotografado por Marco LLobus acaba de ser lançado na Bienal do livro do Rio de Janeiro e em 11/10, terá um lançamento na edição especial do Sementes de Poesia, das 10 ao meio dia, na Praça dos Fundadores,Parque Municipal, com sorteio de exemplares e manhã de autógrafos. Leve as crianças poetas para dizerem seus poemas, vá dizer poemas sobre crianças, participe!
Clevane Pessoa
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