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A discussão do momento: Arte ou negócio? Entenda a guerra dos grafiteiros contra Eduardo Kobra

(Leia Também): Gustavo Sales/Câmara dos Deputados Benedita da Silva pediu a aprovação da proposta, de sua autoria Em audiência da Comissão de Cultura da Câmara ...

15/10/2021 às 18h54 Atualizada em 15/10/2021 às 19h09
Por: Mhario Lincoln Fonte: https://gq.globo.com//Agência Câmara de Notícias
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Divulgação/São Paulo
Divulgação/São Paulo

"Investigamos o ódio de artistas do grafite contra Eduardo Kobra, um dos maiores representantes do gênero no país"

Autor: ARTUR TAVARES

Texto original: https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2017/05/arte-ou-negocio-entenda-guerra-dos-grafiteiros-contra-eduardo-kobra.html

São Paulo (Foto original do texto: Divulgação)

Eduardo Kobra voltou a ser alvo de críticos depois que seu mural na Avenida 23 de Maio, em São Paulo, foi poupado pelo prefeito João Doria na ação que apagou parte de um mural com grafites em janeiro.

Em represália contra a prefeitura, sua obra foi rabiscada e acabou removida. Não é de hoje que Kobra – que multiplicou seu valor de mercado levando o trabalho das ruas a galerias do mundo inteiro – faz muita gente torcer o nariz por usar compressores em vez do tradicional spray de tinta.

Para os detratores, só isso já bastaria para impedir que sua produção fosse chamada de grafite. Mas a bronca é mais profunda. “O grafite só existe se for ilegal, tem a ver com atitude. Quando é legal, chamamos de mural”, diz o grafiteiro e ativista Rui Amaral.

Outro representante da street art, o renomado artista Speto, discorda. “Não tem nada a ver. O grafite cresceu no Brasil com o uso do rolinho, não do spray.” Para ele, criticado ao fazer uma campanha de refrigerante veiculada em 187 países, Kobra é atacado porque fez da arte de rua seu ganha-pão. “Ele é o maior empreendedor de si mesmo. Falar de profissionalismo nesse meio é tabu”, afirma Speto.

Prestes a embarcar para o Maláui e cinco países europeus antes de deixar sua marca no skyline nova-iorquino ainda este ano, quando fará 28 murais na cidade (tudo devidamente autorizado), Kobra conta que para se manter na rua precisou fazer trabalhos comissionados. “Ainda em 1994, recebia críticas por fazer arte dentro do extinto Playcenter”, diz ele, que também afirma que o uso do compressor se tornou irrelevante em seu trabalho. “Hoje, o colorido dos meus desenhos é feito com spray, mas não fico restrito a um material só. O muralismo e o grafite são livres. O Banksy só usa stencil, o Obey faz colagens”, afirma, “E eles são alguns dos mais famosos grafiteiros do mundo.

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EM TEMPO

(A matéria a seguir foi enviada pela Câmara dos Deputados/Brasília DF)

Em audiência da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, nesta sexta-feira (15), a deputada Benedita da Silva (PT-RJ) pediu a aprovação do Projeto de Lei 24/20, de sua autoria, que reconhece a charge, a caricatura, o cartum e o grafite como manifestações da cultura brasileira. O texto determina que o Estado garanta a livre expressão artística destas manifestações.

O chargista Latuff disse que já sofreu ataques a sua obra por retratar o tema da violência policial. Ele afirmou que, talvez por isso, muitos grafiteiros, por exemplo, acabam tratando de temas mais leves. “O grafite hoje é mais aceito do que antes, mas ele foi cooptado. Aquele sujeito que vai desenhar coisinhas bonitinhas, coloridinhas, nas paredes de São Paulo; ele ganha para isso, ele ganha patrocínio. Porque aquele desenho não suscita nenhuma reflexão social. Não é uma crítica”, disse.

O cartunista Santiago explicou que a realidade é que muitos artistas não recebem mais pelo seu trabalho e suas produções são replicadas de graça em redes sociais. Isso porque os jornais, que costumavam contratar estes profissionais, estão cada vez mais apenas na internet. “Eu, por exemplo, como desenhista, depois de mais de 50 anos de profissão, tenho 70 hoje; eu vou desenhar em troca de aplausos. Acho completamente indigna essa condição. Não tem mais motivo para um desenhista com a minha trajetória trabalhar pelo like do Facebook”, lamentou.

A deputada Benedita da Silva ressaltou o trabalho das grafiteiras negras NeneSurreal e Alyne Ewelyn que relataram as dificuldades que enfrentam para fazer a sua produção:

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) disse que será necessário voltar a debater com os artistas a questão do pagamento pelo seu trabalho. O projeto que reconhece a charge, a caricatura, o cartum e o grafite como manifestações da cultura brasileira já foi aprovado na Comissão de Cultura e está sendo analisado agora pela Comissão de Constituição e Justiça.

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