Eu temo a mim
Letícia Mariana, escritora convidada pela Academia Poética Brasileira.
Não me sinto nesta manhã. O café esfria enquanto escrevo, e nem sei o porquê escrevo. Por vezes – quase sempre – me sinto uma jovem estranha. Já escrevi sobre o temor que eu tenho quanto a isto, parece irônico. Eu temo a mim? Talvez seja uma autoproteção.
Perco amigos, ganho palavras. Perco vida social e ganho conhecimento, mas qual é o sentido? Vivo uma juventude às avessas, contudo, gosto disso. Meu cappuccino está amargo, oras! Nego o açúcar de cada dia. Sou doce internamente, gasto tudo com alfabetos insignificantes. Será que me encontram durante a noite?
Resolvi me desencontrar nesta tarde. Entre tantas linhas, creio que é possível me desencontrar em pensamentos e fatos. A poesia me satisfaz? É o ápice do desejo poético, meu prazer diário! Estou nua em versos. Perigo! Eles me controlam!
Descontrolo linhas – um surto inexistente – que existe apenas em mim. Preciso descansar, pois eu temo minha existência. E agora? Como posso me ajudar? As letras afundam em mim! Quem sou? Pouco me importa! Sou eu?
Desisti da desistência, e temo a mim. Temo me temer, mas amo minha paixão triste pela vida! Às vezes melancólica, às vezes eufórica. Contudo, sempre apaixonada! Sensibilidade à flor da pele, ódio que se desfaz. Os versos não me descem!
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