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Professora , Atriz e Membro da Academia Poética Brasileira, Linda Barros escreve: "Os vários tons das Palavras"

Linda Barros é membro da Academia Poética Brasileira, seccional do Maranhão.

10/11/2021 às 12h01 Atualizada em 11/11/2021 às 20h45
Por: Mhario Lincoln Fonte: Linda Barros
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Ilustração ML/Facetubes
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OS VÁRIOS TONS DAS PALAVRAS

Textos escolhidos: Imortal APB, Linda Barros, professora, atriz e membro da Academia Poética Brasileira.

Já pararam para pensar que as palavras têm cores? Têm cores, têm vida e têm sabores?   A palavra “tamarindo”, como seu cérebro se manifesta quando você a ouve? Manga verde, o que vem em sua mente? É automático, nossa boca se enche de água. Afinal, quem nunca passou por esse processo? Então começa aqui um passeio cultura pelas palavras, sejam elas bem recentes ou mais antigas. As palavras conversam com você, sem nem mesmo a gente perceber. E o que nós escritores fazemos com as palavras? Todos devem estar pensando “damos vida a elas”. A respeito disso, observem essa quintilha do jornalista, poeta e Presidente da Academia Poética Brasileira, Mhario Lincoln:

A palavra lavra

liberta e consome

a prosa, a lírica, a lida

de todo e qualquer poeta,

no estribilho do ir 

e vir da vida!

Didática e metodologicamente, quem trabalha com crianças sabe bem o que é esse processo de ir e vir das palavras, principalmente quando se está conversando com os pequeninos; nesse momento, temos a tendência de “florear” as palavras para que eles entendam a mensagem, já que os mesmos têm um cérebro ainda em desenvolvimento, então para que esses pimpolhos possam compreender o contexto, faz-se necessário “brincar” com as palavras. A título disso temos a cantiga popular abaixo:

Borboletinha

Ta na cozinha

Fazendo chocolate 

Para a madrinha

Poti Poti

Perna de pau

Olho de vidro 

E nariz de pica-pau

As palavras nos saltam a olhos vistos. Elas falam, cantam, se manifestam, mas também silenciam, principalmente quando não temos nada a dizer. As palavras têm forma, tamanho e sentimentos, como podemos observar no refrão da canção “Palavras ao Vento” da inesquecível Cássia Eller:

Palavras apenas

Palavras pequenas

Palavras momentos

Palavras, palavras

Palavras, palavras

Na essência, as palavras percorrem todos os lugares, levando uma mensagem de alento a quem quer ouvir, com isso, as palavras em sua soberba, dita as regras, quer queira você goste ou não. Na obra “50 Tons de Palavras”, do Imortal da Academia Poética Brasileira, João Batista do Lago, é possível fazer um longo passeio pelos vários “tons” que as palavras carregam entre si. O jornalista, poeta, ator e teatrólogo nos impressiona com a forma simples com que trás as palavras para demonstrar os mais diferentes sentimentos que ela possa nos causar. Como no poema PALAVRA:

Coisa estranha este fenômeno: Palavra!

                              Nela tudo se decompõe

Numa razão assimétrica

Incoerente e disfuncional

        Para no ato seguinte

                  Ser toda ela funcional

                      De toda metafísica que se impõe

            Não conheço qualquer ser 

              Que dela não dependa

                 Nada se lhe escapa

       - seja na vida;

     Seja na morte – 

            Tudo dela depende:

     Paz e guerra

Homem e mulher

  Criança e adulto

      Fome e fartura

    Miséria e riqueza

         Leis e anomia

Patrão e empregado

Céu e terra

           Deus e diabo...

Como foi possível observar no poema acima, as palavras passeiam por todo o universo: da Terra ao Céu, do Divino ao Profano, do mais simples ao mais complexo da vida. Ainda num verso do mesmo poema o autor de “Eu pescador de Ilusões”, brinca e desdenha da mesma,

Palavra! Ó tu, meiga e doce palavra!

          Rude e azeda como o fel da ponta da lança

      Voraz, caidiça, decrépita e senil

            Bela, altiva, nobre e digna

     Arrogante, soberba e presunçosa

Sou-te o mais humilde escravo na floresta do discurso

É certo que nossa língua é pulsante, dinâmica e que com o passar dos anos algumas palavras “trocaram de roupa”, deixando transparecer que o tempo é seu maior algoz. Em um artigo do escritor e engenheiro Sanatiel Pereira, publicado há alguns anos no jornal O Estado do Maranhão, intitulado “De palavras que não se usam mais”, o membro da Academia Ludovicense de Letras e da SOBRAMES (Sociedade Brasileira de Médicos e Escritores), diz que “Muitas palavras desapareceram e vão continuar desaparecendo por forças internas e externas à sociedade, que se contorce diante do andar do tempo e das mudanças em construção”. A respeito disso, Sanatiel nos dá alguns exemplos,

“Quando alguém quer lhe fazer pressão, ele considera que o outro quer apurrinhar. Apurrinhação é uma palavra perdida no tempo presente”. 

“As mulheres usavam corpetes e hoje usam sutiãs”.

“Antigamente, dava-se um arrocho no broto, hoje damos um amasso na piriguete”. 

Por fim, as palavras em sua essência mais profunda não se deixam abater, afinal, todas elas são essenciais, nos mais diversos textos e contextos, mas não se deixe enganar, elas nem sempre são o que parecem ser ou querem dizer.

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