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Brasil FINALISTAS

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) divulgou as obras finalistas do 61º Prêmio Jabuti. Dois Maranhenses foram classificados

Texto indicado pelo imortal APB, Leopoldo Vaz

16/11/2021 às 12h59
Por: Mhario Lincoln Fonte: Divulgação CBL
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Montagem. Prêmio Jabuti
Montagem. Prêmio Jabuti

Textos escolhidos: indicado por Leopoldo Vaz, imortal APB, secional MA.

Os finalistas foram selecionados por meio das categorias de Literatura, Ensaios, Livros e Inovação. Para a edição deste ano, foram realizadas 3,4 mil inscrições, 31% a mais do que no ano passado. Entre os dez finalistas na categoria poesia, destaque para o jornalista, escritor e poeta maranhense, Eduardo Júlio, 50, com o livro “O mar que restou nos olhos” (editora 7 Letras). 

O poeta Eduardo Júlio fala sobre a sua participação ” Estou muito feliz, não esperava. Entendo como um reconhecimento de um trabalho. Afinal, elaborei os poemas do livro com muita dedicação. O Mar que restou no olhos foi lançado pela editora 7 Letras, uma das principais de poesia do Brasil.” 

Original do texto: Eduardo Júlio.

Eduardo disse sobre o que consiste a sua obra e o valor para si “O mar que restou nos olhos” é o meu segundo livro de poesia. Foi lançado exatamente há um ano e reúne um pouco mais 40 poemas, a maioria com temática sobre o mar, contendo vestígios da memória da infância e juventude. O primeiro se chama “Alguma trilha além” e foi publicado em 2005, após ganhar um prêmio editorial da Secretaria de Cultura do Maranhão.” 

O Prêmio Jabuti é o mais tradicional prêmio literário do Brasil, concedido pela Câmara Brasileira do Livro. Criado em 1959, foi idealizado por Edgard Cavalheiro quando presidia a CBL, com o interesse de premiar autores, editores, ilustradores, gráficos e livreiros que mais se destacassem a cada ano. 

Poeta e jornalista, Eduardo Júlio é maranhense de São Luís, onde reside. Passou a infância em Basra, no Iraque. Antes de O mar que restou nos olhos, publicou em 2005, o livro de poemas Alguma trilha além (prêmio da Secretaria de Cultura do Maranhão). 

Porto 

"Diante da eternidade deste cais O silêncio é sobra do abandono 

A ausência tem cor azul e dói Como se não fosse céu 

Aquele mar que pretendíamos 

O próximo silêncio parece leve 

Mas por instantes 

Cala uma cumplicidade." 

(Poema do livro de poesia Alguma Trilha Além, Edição Secma, 2006, reproduzido em Suplemento Cultural & Literário JP Guesa Errante Anuário, São Luis (MA), n.7, 2009). 

 

Original do texto: Matheus Gato.

MATHEUS GATO DE JESUS 

Pós-doutorando pela Universidade de São Paulo (USP). Doutor (2015) e Mestre (2010) em Sociologia pela USP. Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Foi pesquisador visitante no Hutchins Center for African and African American Studies da Universidade de Harvard (2017-2018) e na Universidade de Princeton (2013). Seus temas de investigação são: relações raciais, sociologia política e da cultura, pensamento social brasileiro, sociologia histórica, dos intelectuais, da literatura, dos regionalismos e dos processos de racialização nos espaços urbanos. 

O Massacre dos libertos: sobre raça e república no Brasil (1888-1889) 

Autor: Matheus Gato. Apresentação: Antônio Sérgio Alfredo Guimarães 

A História é sempre o resultado de uma escolha. Iluminam-se certos episódios, nublam-se outros, há sempre um presente para se sustentar com os fatos do passado. O futuro porém, está irremediavelmente associado ao passado, que precisa ser revisto e reexplorado para que caminhemos adiante. O Massacre dos Libertos recupera aos brasileiros a violência histórica do racismo e da escravidão no Brasil a partir de dois fatos seminais: a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República. E narra o massacre de negros que protestavam em São Luiz do Maranhão temendo que a República recém-constituída lhes retirasse a liberdade recém-conquistada. A partir desse episódio, o texto traça um panorama das reações racistas que se formavam e se incorporavam às estratégias dos senhores brancos para perpetuar o preconceito e a marginalização da população negra pelo mito da “fraternidade racial”. 

 Uma multidão de negros, cerca de duas a três mil pessoas, se dirige à sede do jornal republicano O Globo em São Luís do Maranhão para protestar contra a proclamação da República que, dizia-se à boca pequena, revogaria a Abolição. Lá, a tropa postada para garantir a lei e a ordem abre fogo contra os manifestantes, matando – números oficiais – quatro pessoas e ferindo várias. 

O Massacre de 17 de novembro de 1889 articulou de modo singular os dois grandes eventos históricos do período – a abolição da escravatura e a proclamação da República –, revelando como a questão racial permeou as disputas durante a mudança de regime. Nesse contexto, do fim da ordem senhorial, as classificações de cor e outras categorizações de grupo, típicas do escravismo, foram ampliadas para incorporar as novas ideias raciais, e racistas, vigentes, redesenhando as fronteiras entre os grupos sociais. Matheus Gato aborda como o evento foi silenciado e contado ao longo dos anos. O Massacre dos Libertos desnuda as estratégias narrativas e ações políticas que visaram “apagar” as marcas da escravidão de nossa história em nome de um ideário de “fraternidade racial” que não abriu mão de hierarquizações codificadas pela cor. Um documento dos descaminhos da República, ontem como hoje. 

Texto escrito por Antônio Sérgio Alfredo Guimarães para o livro: 

Do ponto de vista da gente comum, a República de 1889 não vai mais além da disseminação do trabalho livre, que a Abolição instituíra: a aspiração à liberdade vê-se mesmo ameaçada por várias outras formas de trabalho servil, semisservil, e pelos inúmeros constrangimentos legais, econômicos, políticos, sociais e culturais ao exercício livre da força de trabalho, principalmente no campo. A começar pela ausência de um mercado nacional de trabalho. Nesse sentido, a República representa para a massa de homens recém-libertos o perigo da reescravização, dada a ideologia das camadas sociais que chegam ao poder, ou, se não reescravização, ao menos abandono e exclusão social. 

Antônio Sérgio Alfredo Guimarães é professor titular e pesquisador da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP 

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