Sábado, 27 de Novembro de 2021
23°

Alguma nebulosidade

Curitiba - PR

Brasil Especiais

"Brasileiros do Maranhão" é um suplemento do Facetubes. Destaque: Carlos Sebastião Silva Nina

Esta obra não tem fins lucrativos, nem publicitários.

17/11/2021 às 18h07 Atualizada em 18/11/2021 às 12h49
Por: Mhario Lincoln Fonte: SUPLEMENTOS FACETUBES
Compartilhe:
Ilustração: ML
Ilustração: ML

Motor de Acesso:

Contador de visitas

BRASILEIROS DO MARANHÃO: Carlos Sebastião Silva Nina

"Somos o que fazemos. Nos dias em que fazemos, realmente existimos; nos outros, apenas duramos". (Padre Antônio Vieira).

(Por: Editoria de Cidades/São Luís/Nordeste/Brasil)

Um dos bons nomes do Maranhão, é Carlos Nina, cuja luta por uma sociedade justa, é uma constante na vida multifacetada dele - ou - de Carlos Sebastião Silva Nina.

Advogado e jornalista, Nina graduou-se em Direito na velha Faculdade de Direito da Rua Sol, em São Luís, em 1972. Iniciou-se no jornalismo em abril de 1965, aos 16 anos, pelas mãos de José Jámenes Ribeiro Calado, também jornalista e advogado.

Sua primeira experiência foi no Jornal Pequeno, onde o proprietário do jornal, Ribamar Bogéa, abriu-lhe as páginas do matutino, onde Nina foi revisor, redator, editorialista e editor de páginas, durante mais de 40 anos. E assevera:

"No espaço cedido por Bogéa, no JP, eu o usei para divulgar textos e poemas dos jovens estudantes da época, que queriam publicar suas criações e não tinham onde. Os espaços da mídia eram reservados para os intelectuais. O Bogéa resistiu às pressões que sofria para dar a página para os famosos da época e assim pudemos atender à demanda de jovens que se revelaram como bons escritores e poetas, depois. Lino Moreira, Manuel Faria, Viriato Gaspar. O trabalho de Nina foi aceito com aplausos. Escreveu em diversos jornais de São Luís, inclusive em O Progresso, de Imperatriz. Os artigos são muitos. Todos queriam ver os melhores publicados em livro.

Todavia, João Mohana, grande e querido amigo de Nina, lhe havia sugerido só organizar esse livro de crônicas, após a publicação, primeiro, de um trabalho inédito. E isso já foi feito. Aliás, entre os livros de grande repercussão está A Ordem dos Advogados e o Estado brasileiro, editado pelo Conselho Federal da OAB, com tiragem esgotada. E o livro de Crônicas? Nina diz: "Estamos organizando e separando as crônicas. Este ano possivelmente estará pronto para publicação. São mais de mil, desde o 1º, em abril de 1965, aos 16 anos de idade...".

Com certeza tem muita gente esperando a organização desses textos pois são pulsantes, gritantes, defensórios, impugnantes, desmistificantes e fortes; características impossíveis de serem reunidas numa só pessoa, contudo, em Nina são absurdamente assuntos delineados, como uma bandeira de justiça, fincada no meio de uma arena cheia de gritos - "aos Leões, aos Leões...". Nina sobreviveu a muitas coisas e hoje reflete sobre tudo isso e conclui terem sido necessárias. "Muito necessárias", completa.

Na área do Direito, exerceu o cargo de Promotor de Justiça nas Comarcas de Vitória do Mearim, Alcântara e São Bento. Pediu exoneração para concorrer à presidência da OAB-MA, a partir de 1985. Depois, ingressou na magistratura e se aposentou para voltar a advocacia, que exerce ao lado de seu irmão Carlos Alberto e da esposa Enide.

O PENSAMENTO VIVO DE CARLOS NINA

Por isso, esta editoria, imbuída em mostrar referências entre os referentes de cada estado, reverenciando algumas das principais personagens brasileiras em suas regionalidades e em seus momentos especiais - decidiu trazer o pensamento vivo de Carlos Nina, onde são levantados alguns questionamentos e explicações interessantes. Ele fala das terras da família, das instituições a que pertence e dos planos para 2022.

Na verdade não é um simples depoimento. É um documento que estará disponível ad aeternum nas nuvens virtuais.

Ressalte-se: o que saltou à vista foi a história das Sesmarias da família, onde está visível o desapego dos herdeiros de Sebastião de Oliveira Nina, às terras do avô.

Na verdade, essa atitude acabou por deixar para trás quatro sesmarias pertencentes ao antigo fiscal de consumo. Terras localizadas no norte do Maranhão. Aliás, o nome de Carlos Nina, é o resultado da junção somatória de Carlos, avô materno e Sebastião, avô paterno.

E Nina se emociona quando provocado a falar no assunto:

"O meu avô, que era fiscal de consumo em Turiaçu, função também conhecida como coletor estadual, tinha quatro glebas de terras que se estendiam de Turiaçu a Cândido Mendes. Ricas em ouro e pedras preciosas. Tinha terras doadas pelo Barão e Baronesa de Tromay, em documentos de 1894 e 1902. Mas nenhum de seus filhos, Afonso, João Antunes, Ulisses e meu pai, Hércules, mostrou interesse em ficar em Turiaçu. Houve uma época em que ainda tentei, mas os custos de viagem para lá eram altíssimos. Contratei um agrimensor, Ananias, que, juntamente com meu pai, fez um levantamento topográfico da área, para documentar o Inventário. Parte das terras tinha sido invadida. Seria uma luta difícil. Tínhamos vivido até então sem aquelas terras e aí resolvemos que seria melhor ignorá-las. Não demos seguimento ao Inventário. Na demarcação de suas terras, Virgílio Domingues informou, como seu confrontante, as terras de Sebastião de Oliveira Nina. Preferimos acumular conhecimento".

E continua Nina, sobre acumular conhecimento: "Agora mesmo estamos, meu irmão e eu, concluindo uma Pós-graduação em Direito Canônico, no IESMA. Graças a Deus meus pais conseguiram nos propiciar uma boa educação e transmitir-nos valores morais de respeito, decência, humildade, solidariedade. Foi importante termos a oportunidade de cursar o primário na Escola Modelo Benedito Leite, o Ginásio no Marista e o Clássico, no Liceu. Daí seguimos nosso próprio caminho".

O MAGISTÉRIO

Carlos Nina exerceu o magistério no tradicional colégio ludovicense, "Nina Rodrigues", a convite do amigo Carlos Cunha, proprietário da escola. Depois foi aprovado em três concursos da UFMA, onde lecionou algumas disciplinas. Também a convite, foi professor no CEUMA e no Florense.

A ACADEMIA DE LETRAS - AML

É pensamento claro de muitas pessoas acerca de chegar ao ponto máximo do reconhecimento das atividades - quaisquer que sejam - ingressando em um sodalício o qual reúna pessoas do mesmo nível acadêmico. E porque, então, Nina não se candidatou a uma vaga na Academia Maranhense de Letras, haja vista a sua contribuição literária através de vários livros publicados, artigos, palestras? Nina preferiu manifestar-se sobre a Academia Maranhense de Letras Jurídicas, "onde fui fundador junto com o querido professor Wady Sauáia, de eterna memória e de várias outras personalidades jurídicas, na ocasião, em meados dos anos 80", conclui.

Sobre a AMLJ, Nina ainda diz: "A AMLJ teve significativa renovação neste semestre, com a eleição dos desembargadores Gerson de Oliveira Costa Filho, James Magno Araújo Farias e Paulo Sérgio Velten Pereira, que foram eleitos para as vagas deixadas, respectivamente, pelos acadêmicos Milson Coutinho, Sálvio Dino e Oton Leite Fernandes. Isso tem grande importância para a instituição. Aproveitando a referência ao Oton, gostaria de assinalar que a Academia deve muito ao Oton. Aliás foi por causa deles que me empenhei na reativação da Academia. Muitos não sabem que a Academia estava desativada e que era necessário reativá-la, formalmente. Fiz isso pelo interesse demonstrado pelo André Gonzalez e pelo Oton Leite Fernandes, que gostariam de integrá-la. Fiz então uma convocação por edital publicado na mídia e a reativamos, mantendo as cadeiras já ocupadas e integrando os dois a cadeiras que estavam disponíveis. José Maria Alves da Silva, também membro fundador, indicou Osvaldo Barros dos Santos e Júlio Moreira Gomes Filho, atual presidente. A partir daí o Oton Leite esteve em todas as administrações, contribuindo de forma decisiva para manter a regularidade da Academia. Esse trabalho pesado o Oton fez igualmente no Instituto dos Advogados do Maranhão, na Caixa de Assistência dos Advogados do Maranhão e na Maçonaria. Aliás, com o IAMA tinha acontecido a mesma coisa. Criado nos anos 30, foi recriado nos anos 80 por iniciativa de Pedro Leonel Pinto de Carvalho, Kleber Moreira e meu querido amigo José Santos, (pai do editor deste facetubes.com.br., jornalista Mhario Lincoln). Os alicerces do IAMA".

Nina, por sua vez, foi bastante aplaudido nas recentes administrações pelas quais passou. Desde a presidência da OAB-MA até a mais recente onde corajosamente resgatou a tradição de um dos clubes sociais mais importantes para a história do Maranhão, o Grêmio Lítero Recreativo Português. Diante disso, a pergunta não pode ser evitada: Por que não se candidatar em 2022 à presidência da AMLJ?

Nina asseverou: "Eu conversei com o atual presidente, dr. Júlio Moreira Gomes Filho e ele me afirmou que, caso não houvesse candidatos, ele pensaria na reeleição. À propósito, não sou candidato. Mas entendo que deve haver renovação. Aliás a candidatura dele foi exatamente para romper com esse hábito de reeleição. A Academia com certeza tem nomes capazes de fazer uma boa administração e manter a dinâmica da renovação. Um desses nomes é o Dr. Roberto Veloso, ex-presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil, além do que coordenou o Programa de Pós-Graduação em Direito e Instituições do Sistema de Justiça da UFMA; experiências que o qualificam para uma administração atuante à frente da Academia.

OUTRAS ACADEMIAS

Falando em candidatura, vale citar: "Eu me candidatei a uma vaga na Academia Maranhense de Ciências Letras e Artes Militares, no último minuto do último dia, para atender ao convite do seu presidente, Coronel Carlos Augusto Furtado Moreira. Mas não disse nada a nenhum dos acadêmicos. E havia vários candidatos já inscritos. E os eleitores, com certeza, já estavam comprometidos com eles. Assim encerrei esse assunto. Anos antes, Roque Macatrão, um querido amigo que também é fundador da Academia Maranhense de Letras Jurídicas, me convidou para ser um dos membros fundadores da Academia Ludovicense de Letras. Ele compreendeu minha recusa. Recentemente acabei como fundador da Academia Brasileira Rotária de Letras – Maranhão, também pela generosidade dos rotarianos Roberto Albuquerque, Acyr Marques e Silvia Dino. Desafio que me preocupa, porque preciso fazer algo a respeito para merecer essa distinção. Ainda tive participação em dois institutos, cujas bases se diferenciam das outras academias. Visam o estudo temas pertinentes, a produção de textos e até a promoção de eventos, debates, seminários. Isso eu fiz sempre, ao longo de minha vida como jornalista. Promovi debates e concursos no Jornal Pequeno e na Tribuna do Nordeste, onde escrevia e editava páginas voltadas para temas de interesse da comunidade. São 55 anos nessa atividade, permanentemente, a par de minhas outras ocupações como bancário, advogado, promotor de justiça e juiz de direito".

No caso do IMDIC – Instituto Maranhense de Direito Comparado, Nina planeja várias atividades, “(...) porque que fomos apanhados de surpresa pela pandemia da COVID-19. Aliás, ter planos para 2022 é preciso lutar muito ainda. Deus me dando saúde, a prioridade continuará sendo a advocacia e o jornalismo, como articulista, atividade que nunca suspendi. Além do mais, pretendo concluir (direito marítimo, júri, SPU, Ilhas oceânicas, memórias do Judiciário e revisão de meu livro sobre a OAB e o Estado brasileiro), pretendo desenvolver as atividades do IMDIC e do Projeto Convívio Intercultural. A partir de junho, estarei como presidente do Rotary Clube São Luís Praia Grande.

Tenho, ainda, projeto de vários livros, já iniciados, mas sempre dando prioridade aos amigos que me procuram para os ajudar em seus próprios livros e assim os meus vão ficando para depois. Espero poder dar andamento a esses projetos e um deles é prioridade. É sobre os desvios no uso da Lei Maria da Penha".

Aliás, Carlos Nina obteve o 1º lugar em Concurso sobre a Lei Maria da Penha, no Tribunal de Justiça do Maranhão em julho deste ano, com um texto significativo e já publicado aqui no www.facetubes.com.br.

(Siga o Link: https://www.facetubes.com.br/noticia/1528/conto-classificado-em-1o-lugar-no-i-concurso-literario-maria-firmina-dos-reis-do-tjma)

Sobre isso, confidenciou Nina: "É preciso estar atento a essa situação porque as vítimas de efetiva violência domésticas estão sendo prejudicadas por pessoas inescrupulosas que estão usando a lei para vinganças pessoais, ocupando indevidamente a Polícia, o Ministério Público e o Judiciário com falsas denúncias, enquanto as verdadeiras vítimas ficam sem assistência.

A editoria ainda ouviu de Carlos Nina, opiniões sobre o Instituto de Direito Marítimo, "fui fundador, mas não fui nem sou seu presidente...".

Da condição atual do Instituto dos Advogados do Maranhão, disse: "admiro muito o presidente e amigo Walmir de Jesus Moreira Serra Júnior, que, se precisar de mim, estarei a sua disposição para colaborar".

QUEM É CARLOS SEBASTIÃO SILVA NINA

Maranhense nascido em São Luís, em 30 de julho de 1948, fez seus estudos na Escola Modelo Benedito Leite, Maristas e Liceu Maranhense.

Trabalhou na construção do Porto do Itaqui, foi Assessor de Imprensa da Arquidiocese de São Luís e Secretário do Jornal do Maranhão e Revisor no Jornal Pequeno.

Manteve colunas permanentes nos jornais Pequeno, O Imparcial, Diário da Manhã, Jornal de Hoje, Tribuna do Nordeste O Progresso (Imperatriz) e editor no Jornal Pequeno (Página da Juventude, JP Cidadania, JP Especial), Tribuna do Nordeste (Tribuna da Cidadania) e Extra (Portugal em Destaque, em parceria com José Maria Alves da Silva).

Autor de artigos publicados nesses jornais, em O Estado do Maranhão, Diário da Manhã (Goiás), O Liberal (Pará), obras de terceiros (Segurança pública no Brasil, do Cel. Sebastião Bispo Lopes, disponível na AMEI), coletivas (Estudos atuais de Direito Constitucional), revistas e blogs (Aldir Dantas, Melquíades) e sites (Associação dos Magistrados do Maranhão, Nina Advogados Associados, Portal Guará).

Apresentador de programa na Rádio Educadora (do Marista) e na TV Cidade (Tribuna da Cidadania, em parceria com Aldir Dantas, Jámenes Calado e Moreira Serra Júnior).

Criou e coordenou projetos de debates populares (Encontros Espirituais, em parceria com o jornalista Aldir Dantas) e JP Cidadania. Mestre em Direito Econômico e Político pelo Instituto Mackenzie (SP), curso de doutorado na Universidade Nacional Lomas de Zamora (Argentina) e pós-doutorado na Universidade de Messina (Itália). Autor de A Ordem dos Advogados e o Estado brasileiro (editado pelo Conselho Federal da OAB, esgotado).

Pela Ordem (em coautoria com Walmir de Jesus Moreira Serra, edição da Tribuna da Cidadania, esgotado). Coordenou e apresentou o livro de crônicas de Wady Sauáia, Cenas que Ficam, editado pela Tribuna da Cidadania. Foi Promotor de Justiça. Magistrado aposentado. Presidiu a OAB e integrou o Conselho Federal da OAB. É jornalista e advogado em plena atividade. Ex-presidente do Grêmio Lítero Recreativo Português.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias