Textos escolhidos:
ENSAIOS E TESES
Durante a semana, li um ensaio magnífico. Chama-se "A finitude como consciência da morte em "O Sétimo Selo de Ingmar Bergman", trabalho acadêmico de Luciana Helena Mussi e Beltrina Côrte, para Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
O resumo inicial para se entender o andamento do texto, começa explicando sobre o objetivo desse belo trabalho, " (...) refletir sobre a finitude e sua contextualização histórica através do filme O Sétimo Selo de Ingmar Bergman. Discute a visão do cineasta, especialmente a existência humana tendo como eixo condutor uma reflexão sobre envelhecimento e morte, questões ligadas ao sentido da vida. Utilizamos a pesquisa documental e bibliográfica, convidando autores a dialogarem com uma arte expressa por imagens e palavras, útil e pertinente quando se estuda temas angustiantes como finitude e envelhecimento. Bergman, a partir da sua própria perspectiva existencialista, trabalha questões como a manipulação da fé pela Igreja, a exploração da ideia da peste como castigo divino e a expiação dos pecados pela dor. A investigação realizada cumpre seu objetivo, mostra que a arte que se faz através do cinema se resume na busca do conhecimento como chave para a compreensão das inquietudes do que representa o morrer para um Ser Finito, independente da velhice (...)".
Outras passagens também são realmente incríveis, como, "(...) para o profundo e denso Bergman (1996), com toda sua arte, sempre há um aceno de esperança, um vislumbre de salvação e isso é ―Vida, é o estar aqui, vivendo. Disto sabemos, já do ―Além, nada sabemos".
Nas conclusões finais (o trabalho tem mais de 200 páginas, mas permite uma leitura agradável e inteligível, as autoras dizem:
(...)
"Considerações Finais
Nas palavras de Bergman, O Sétimo Selo representa ―o medo insano da morte‖. Com base nesta incômoda afirmação, há que refletir; por que lutar contra a morte? Côrte (2005), citando o filósofo contemporâneo francês Jean Baudrillard, alerta para uma possibilidade do pensar inverso: ―Cegamente, sonhamos em sobrepujar a morte por meio da imortalidade, quando o tempo todo a imortalidade é o mais terrível dos destinos possíveis (p. 255).
Nascer, viver, envelhecer e morrer. Cumpre-se o ciclo, não há como evitar, se assim não fosse, a dor seria imensa, ver as pessoas passarem, romper através dos séculos, esta é uma imortalidade que não nos cabe, é uma vestimenta eterna e sofrida, e que assim seja, brindemos a nossa mortalidade!
Em Todos os Homens são Mortais, Beauvoir (1946/1983) descreve um personagem do século XIII, o conde Fosca, que atravessa o tempo e chega até nossos dias, questionando a ambição, o poder, a imortalidade, o prazer, o destino e a transcendência. A imortalidade do personagem principal ―equivale a uma danação pura e simples‖. Ele está condenado a jamais compreender a verdade desse mundo finito: o absoluto de toda consciência efêmera. Ele se sente punido pela imortalidade que recebe, apesar de muito tê-la desejado pela vaidade e ambição ao poder.
Para o profundo e denso Bergman (1996), com toda sua arte, sempre há um aceno de esperança, um vislumbre de salvação e isso é ―Vida, é o estar aqui, vivendo. Disto sabemos, já do ―Além, nada sabemos.
Portanto, quem quiser ler este ensaio magnífico, basta seguir o link publicado no google. Abra o link e depois clique no espaço amarelo onde está PDF, conforme explicado abaixo:
https://periodicos.ufmg.br/index.php/memorandum/article/view/6563
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