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Imortal APB, Susana Pinheiro é empossada, com festas, na coirmã Academia Vianense de Letras

Discursos publicados com autorização dos autores

01/12/2021 às 11h00 Atualizada em 01/12/2021 às 12h49
Por: Mhario Lincoln Fonte: Susana Pinheiro
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Presidente Fátima Travassos e Susana Pinheiro
Presidente Fátima Travassos e Susana Pinheiro

Academia Vianense de Letras

Viana, 26 de novembro de 2021

Discurso de Posse de Susana Pinheiro

          Exma. Sra. Presidente da Academia Vianense de Letras, Dra. Fátima Travassos na pessoa de quem saúdo a todos os membros desta honrosa academia e autoridades presentes. A todos os convidados, parentes e amigos, boa noite é uma honra tê-los aqui hoje!

          É com o coração e o espírito repletos de humildade e de alegria que adentro a esta casa, berço de poesia, que agrega conhecimento, cultura, levando a história e a tradição à comunidade vianense, com respeito mútuo, amizade e união, em prol do desenvolvimento intelectual e artístico deste município.

          Minha fala, nesta oportuna ocasião, inicialmente, abraça as personalidades que fizeram história na cidade de Viana, que construíram com dedicação e esforço, movendo a vida das gerações presentes e futuras. Realizaram a tarefa de viver para construir um mundo melhor. Que nos antecederam e, abriram caminho para que hoje, por exemplo, eu pudesse estar aqui. Trouxeram orgulho e luz para AVL, a Academia Vianense de Letras, para o povo e a cidade de Viana, orgulho para este município e para o Maranhão. A despeito destas personalidades célebres, tratarei em meu discurso, acerca da vida e das iniciativas de cada um dos três acadêmicos que ocuparam a cadeira de nº 2, e que hoje, será novamente ocupada. 

          Inicio portanto, falando a respeito do Reverendíssimo Padre Eider Furtado da Silva.

          Padre Eider nasceu no povoado de Barro Vermelho, atualmente Cajari, e chegou em Viana no ano de 1928, com onze anos de idade acompanhado de sua irmã, a professora Edith Nair, que lecionava na cidade vizinha, Monção. O pai deles havia falecido e a família mudara-se para a cidade de Viana, dando início assim, aos seus estudos no Instituto Dom Francisco de Pádua.  

          Precisando dar continuidade aos seus estudos, mas sem condições financeiras para tal, havia regressado para Barro Vermelho com a finalidade de trabalhar com seu irmão no comércio. Recebe então, de surpresa, uma carta ofertando-lhe a possibilidade de estudar no seminário Santo Antônio, fato que transformou profundamente sua vida.  Após anos de estudos, foi ordenado padre, e lutou em prol dos menos favorecidos, num período conflituoso de ditadura militar. Foi afastado de seus direitos canônicos, considerado comunista, porém trabalhou e reconquistou cada direito, assim como também o apoio e o respeito da comunidade. Sua casa era referência para todos aqueles que quisessem estudar ou pesquisar a respeito da história da cidade, pois lá continham livros, revistas e jornais. Foi membro fundador da AVL, ocupando a cadeira de nº 2, patroneada pela própria irmã, a professora Edith Nair. 

          Lamentavelmente veio a óbito no dia 09 de novembro de 2009, deixando seu exemplo de persistência e luta para o bem comum. No ano de 2010, a AVL o honrou mais uma vez, tornando-o patrono da cadeira 29. Com a partida do acadêmico Padre Eider, a cadeira nº2 da Academia Vianense de Letras, então vaga, recebeu o ilustre confrade José Raimundo Santos, nascido no povoado de Piraí no ano de 1951. Sendo o quarto, do total de sete filhos do casal Serafim Santos e Maria da Páscoa Silva. Iniciou seus estudos em Piraí, povoado de Viana. Estudou na escola municipal São Benedito da Barreirinha e na escola Paroquial Dom José Delgado, ambas extintas, onde concluiu o curso primário. 

          No ensino fundamental, antigo ginásio, José Raimundo Santos, estudou no colégio Professor Antônio Lopes, seguindo depois em 1971 para cursar o atual, Ensino Médio, no Liceu Maranhense em São Luís. Estudou Engenharia elétrica na UFMA e Engenharia agronômica na UEMA no ano de 1982. Serviu ao quadro de oficiais de administração da polícia militar do maranhão, chegando ao cargo de primeiro-tenente. Já aposentado, engajou-se em projetos sociais a favor de sua terra natal, apoiado pela fundação Conceição de Maracu, onde foi eleito seu primeiro presidente.  Era exímio pesquisador, contribuindo para formação do acervo de pesquisa no âmbito nacional. Reuniu toda a literatura produzida por Raimundo Lopes, entre jornais e arquivos de revistas, com apoio da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, obra reeditada recentemente pelo GEIA.

         Por sua enorme contribuição e relevância nas pesquisas em prol da literatura e por criar condições para facilitar o acesso a todos aqueles que tivessem sede de conhecimento,  no ano de 2011, tomou assento na cadeira de nº 2, o estimado José Raimundo Santos, patroneado pela professora Edith Nair, e anteriormente ocupada pelo Padre Eider Furtado da Silva.

No dia 02 de outubro de 2019, com profundo pesar em nota, a Academia Vianense de Letras declarava a notícia do falecimento de seu exímio pesquisador. José Raimundo Santos e Padre Eider, impactaram através de seu trabalho e dedicação, honrando com louvor o nome de nossa querida patrona a professora Edith Nair Furtado da Silva, da qual passarei a falar doravante.

          O ano era o de 1928, a jovem cheia de sonhos e estudiosa, era contratada como a mais nova professora da escola primária de Viana. Filha de Francisco da Silva Sobrinho e de Maria Furtado da Silva, iniciou seus estudos lá onde nascera, em Barro Vermelho, hoje Cajari, na Escola Mista Estadual, na ocasião dirigida pela professora Filomena Barbosa. Seguiu seus estudos no colégio Rosa Nina e Santa Tereza, importantes referências educacionais da época em São Luís, quando esteve sob a tutela de seu tio, o coronel Nelson Serejo de Carvalho. 

         Concluiu o curso normal, no ano de 1925, período em que seu tio era chefe político em Monção, onde ela já formada, fora contratada como professora. A jovem professora de Monção, sofrera duas perdas irreparáveis, seu pai e seu tio. Motivo que a fez pedir transferência para a cidade de Viana, levando consigo sua mãe e seus irmãos, indo morar num casarão pertencente à família, herança herdara de seu tio e do pai adotivo, João Gato. Na casa onde viveu a professora, há uma placa com os seguintes dizeres:

“Nesta casa residiu e faleceu a professora Edith Nair Furtado, notável professora de várias gerações de vianenses”. Trabalhou nas principais escolas de Viana, destaque para a cadeira de francês no Dom Francisco de Paula, na escola Estevam Carvalho, trabalhou como secretária por quinze anos, no grupo escolar Dom José Delgado, vindo a ser diretora. Lecionou no Ginásio Bandeirantes, no grupo escolar Dom Hamleto de Angelis e na escola normal Nossa Senhora da Conceição. Ensinou no Ginásio professor Antônio Lopes, tornando-se diretora no ano de 1979.

          Dona Edith como era carinhosamente reverenciada por seus alunos, amava sua profissão e esta afirmativa se comprova, mediante o relato pessoal de cada estudante que passou pelas mãos da dileta educadora.  Atuava em diversas áreas do conhecimento, mas sua maior paixão eram as aulas de Geografia. Segundo seu mais diverso alunado, as aulas de Dona Edith Nair eram verdadeiros espetáculos e deixava a todos com imenso desejo de conhecer cada continente, cada acidente geográfico. As diferenças climáticas e as distintas etnias, nada escapava ao singular olhar atento da professora Edith. Nada mesmo. Inclusive, o fato de, vez por outra, as alunas modificarem a altura da barra de suas saias plissadas do uniforme escolar. Sabe-se que a professora costumava reunir as meninas em fileiras e medir a altura da barra das saias, e ainda sim, era grande o número de saias com a barra dobrada, deixando as pernas das jovens `a mostra.

          Foi uma professora rigorosa, exigente, porém dedicada e atuante, sempre buscando aprimorar cada vez mais seus saberes, para poder compartilhar com seus alunos e amigos. Era religiosa participante dos atos cristãos, tanto na catequese quanto nas atividades da paróquia. Porém, algumas limitações se apresentaram em sua vida, e precisou afastar-se do labor. Cuidar dos irmãos, da mãe que adoecera e posteriormente, de sua própria saúde que ficou fragilizada.

          Para o lamento de todos aqueles que a conheceram em vida, a lastimável notícia de sua morte trouxera uma lacuna jamais fechada. No dia do cortejo de seu velório, vários alunos fizeram questão de homenagear tão preciosa mulher, profissional atuante e exploradora de mundos através de seus mapas, deixava este plano terreno, a mais nova estrela dos céus, a professora Edith Nair Furtado da Silva.

          Para celebrar a memória e a contribuição que a professora Edith trouxera ao povo de Viana, através de seus ensinamentos de relevância, a AVL, Academia Vianense de Letras, da sua criação em maio no ano de 2002, outorgara o título de imortal, e dera à Professora Edith Nair Furtado, o título de patrona da cadeira número 2. Honrando assim toda a trajetória dessa notável mulher vianense. 

          Assim caros e estimados amigos, a obra construída por aqueles que se dedicaram ao bem maior, ao ensino, à literatura, às ciências e às artes, seja música, escultura, arquitetura ou artes visuais com o propósito de tornar o ser humano melhor, para um mundo de convivência mais harmônico e feliz, se preserva e constitui memória viva, a ser sempre motivo inspirador, que move e que transforma. 

Com esta reflexão, finalizo aqui por hora minha fala. Gratidão à Deus pela vida, à Exma. Presidente da Academia Vianense de Letras, a Dra. Fátima Travassos, às autoridades presentes, aos membros deste sodalício, à minha família hoje aqui reunida e representada, à minha mãe Zeila Gomes e ao meu pai José Pinheiro (in memoriam), a todos que me honraram com a presença e à toda a comunidade deste torrão gentil, meu sincero agradecimento.

(Texto referência escrito pelo acadêmico Luiz Alexandre Raposo, site da AVL./www.avlma.com.br/site/academicos-e-patronos)

Imortal AVL, Marcone Veloso.

Discurso de Recebimento

Texto de saudação feito pelo acadêmico AVL, Marcone Veloso

          Susana Pinheiro, cujo nome registrado pelo pai, fora Maria Susana Silva Pinheiro, nascera na cidade de São Luís capital do Maranhão. É Filha do vianense, empresário, comerciante e ex-prefeito de Viana, José Mendes Pinheiro e da técnica em enfermagem, auxiliar administrativa, costureira e escritora de poesias, a vianense Zeila Gomes da Silva (in memoriam). Cuja poesia ainda em vida, publicou numa coletânea poética no final dos anos 80. Susana têm como avós paternos, Delfim Neves Pinheiro e Cândida Gomes Mendes e avós maternos, José Serra da Silva e Suzana Gomes da Silva (todos in memoriam). Tem dois irmãos maternos, Antônio Carlos Gomes (engenheiro) e José Armando Silva Pinheiro (administrador) e mais os irmãos paternos (Zé Carlos, José Maria, Maria José, Maria Laura, Cândida, Delfim, Antônio, Pinheirinho, José Francisco, Conceição, Lourdes, Davi).

          Passava as férias na casa de seus avós maternos, indo para lá muitas vezes na tradicional travessia feita por lancha, onde a viagem costumava durar a noite inteira, chegando ao seu destino ao amanhecer, dali se iniciando o trajeto feito a cavalo que durava em torno de duas horas até chegar na fazenda onde seu avô José Serra era vaqueiro no Guaratuba. A outra parte das férias, acontecia na casa de seus tios Socorro na Beira da Baixa, Ivaldo e Moça, na cidade de Viana, perto da praça da Matriz. Costumava brincar com seus primos ouvindo músicas numa vitrolinha azul a pilha e correndo nos campos, onde sentia verdadeira liberdade de existir, pois na capital sua rotina era casa e escola. 

           Dentre os conhecimentos que povoaram os pensamentos de Susana, todos envolviam o universo das artes. Inicialmente quando criança, lá pelos cinco anos, desenhando por toda uma rede branca, bonecos palito de mãos dadas, feitos com uma caneta azul que havia encontrado pelo chão. Depois na alfabetização, com recorte e colagem e desenhando bonecas de vestir para suas amigas de classe, nos anos que seguiram, observava os personagens dos desenhos animados que apareciam em programas de TV, como os de Daniel Azulay com seus personagens autorais e Maurício de Souza. Copiava a todos com dedicação, o que permitia chegar muito perto dos originais. Passou pelos desenhos da Disney e Hanna Barbera, copiando branca de neve, a bruxa má, Tom e Jerry e seu herói favorito Superman. Esse começo foi importante para seu desenvolvimento como observadora das formas da natureza.

             Iniciou seus estudos na capital, São Luís, na escola Pequeno Príncipe, e fazia aulas de canto e piano na Escola de Música do Maranhão. Continuou seus estudos do ensino fundamental no colégio Meng e na escola Lêda Tajra, em Bacabal, finalizando o ensino Médio na escola Freitas Figueiredo e cursinho pré-vestibular no colégio Meng. Foi uma aluna que prestava atenção nas aulas, no ensinamento de seus mestres, mas não era a primeira da sala, nunca fôra. No entanto, seus professores nutriam carinho por essa aluna que gostava de história, ciências, geografia, redação, português e arte, as matérias que costumava tirar as melhores notas. Não vamos falar de matemática, havia aí sempre uma questão.

Susana Pinheiro com a família.

Graduou-se em Educação Artística pela Universidade Federal do Maranhão, e já nos primeiros anos acadêmicos iniciara estágios no Palácio dos Leões e na Galeria de Arte Lagy Nages. Também iniciara sua carreira no magistério, lecionando para crianças, adolescentes e adultos do EJA. Trabalhou em escolas como Dom Bosco, São Marcos, Colméia, Bom Pastor, Crescimento e Pires Collins, esta última, no município de Paço do Lumiar. Ensinou História da arte, Artes visuais e teatro. Criou projetos como “Eu arte, teoria e prática em ação” para alunos do ensino médio, Oficina Teatro para alunos do ensino fundamental e Oficinas de musicalização para crianças.

          Estudou Xilogravura com o artista Airton Marinho, vindo a expor suas xilogravuras no Odylo Costa Filho. Participou de exposições coletivas sob a orientação do artista e professor Donato e estudou escultura com o artista Paulo César, durante a graduação na UFMA. Atuou na peça “Memórias de um Suicida” apresentada no teatro Arthur Azevedo ao lado de seus primos Rânide, no papel principal, Josefran e Edfran, dirigidos pelo bailarino e ator Reynaldo Faray. Performou poesias quando integrante do grupo de teatro Poiésis, dirigido pela Dra. Cassia Pires. Esteve na Coletiva de Maio no Convento das Mercês, evento anual de arte, e participou de vernissages temáticas no SESC/MA.

          Mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro em busca de aprimoramento acadêmico no ano de 2008, o que a fez pedir demissão das duas escolas particulares em que lecionava na ocasião, e licença na rede pública para poder somar mais conhecimento em sua área. Submeteu-se ao seletivo na PUC-RIO, sendo admitida para a Especialização em História da Arte e Arquitetura no Brasil. Ainda na PUC, participou da exposição “Minha alma pinta” com a obra Ipê Amarelo. Em 2010 veio a maternidade, e Davi, hoje, está com onze anos. 

         Em 2015 realizou a exposição individual Tecer de Varandas. Seguida por Matiz Vianense na livraria AMEI, levando parte da mostra para Viana, onde participou como convidada em noite de outorga de honra ao mérito. Na obra Introspecção da escritora Fátima Travassos, Susana participou com ilustrações em aquarela e também com um texto sobre a História da aquarela pelo mundo e sua presença no Brasil através das Missões Francesas.

          Durante a pandemia de 2020, criou o projeto “A Aquarela dos Poemas” que foi aprovado pela secretaria de cultura do Rio de Janeiro, SECECRJ, inscrito no edital Cultura presente, através da lei Aldir Blanc.  O projeto visava incentivar a produção artística e literária através do processo criativo do artista durante a elaboração de ilustração para poesias. Fruto de seu recorte pessoal de trabalho.  Escreve crônicas acerca das experiências artísticas no portal virtual FACETUBES, da APB, Academia Poética Brasileira de Curitiba, presidida pelo escritor e jornalista Mhario Lincoln, da qual, é membro efetiva. Uma de suas crônicas foi recentemente elogiada por João Portinari, filho do grande artista brasileiro conhecido internacionalmente, Cândido Portinari, pela relevância do conjunto de suas criações, cuja obra “Guerra e Paz”, esteve presente por anos, na ONU, Organização das Nações Unidas.

          Atualmente a artista Susana está em fase de produção de um conto infanto-juvenil, trabalho autoral de cunho regionalista, a ser lançado em São Luís ainda em janeiro de 2022. E do projeto Telas e Tons, como convidada do artista Betto Pereira com lançamento on-line pelo Youtube dia 30 de Novembro de 2021. Susana ainda está em fase de elaboração do projeto Viagem Exploratória, que visa um mergulho na flora da baixada maranhense a fim de pesquisar e registrar espécies presentes na região para uma futura publicação. 

Participação de Susana Pinheiro no projeto TELAS E TONS, de Betto Pereira

 

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