“ESPERA, DEIXA O CELULAR COMER PRIMEIRO”
Linda Barros, professora, atriz e membro da Academia Poética Brasileira
Hoje em dia, é possível afirmar sem medo de errar e de ser piegas, que todos os caminhos levarão às mudanças tecnológicas. Vivemos em um mundo tão doido que as coisas acontecem, mudam e se transformam em uma velocidade tão absurda que nem percebemos, quando damos conta, já foi, já era. A revolução tecnológica é um dos grandes responsáveis por essas mudanças.
E nesse contexto tecnológico, antigamente o que era para ser apenas um suporte, o telefone se transformou em um alicerce de sustentação, a base de tudo e qualquer coisa que precise ser vista ou ser mostrada. Talvez o maior responsável por isso seja o avanço tecnológico.
Estamos no século XXI, ano 2022, quem em sã consciência se imaginou há 20, 30 anos atrás estar hoje em 2022? Víamos nos filmes e ficávamos fascinados com a tecnologia que era mostrada, desde a mais rústica até a mais avançada. A exemplo disso temos os computadores com suas CPUS moderníssimas, um tempo depois foi substituído pelos notebooks, outra mega revolução. Mas o foco aqui hoje é o celular, não só o aparelho, mas o que fazemos com ele, ou ainda, o que ele faz com a gente.
Há bastante tempo o celular e a internet afastavam as pessoas, seja nas reuniões familiares, seja nos encontros entre amigos ou até mesmo em um simples evento. O que se via era cada um no seu canto, absorto, preso, estático, totalmente alheio ao que acontecia ao que acontecia à sua volta.
Segundo o Analista de Sistemas Cláudio Veiga sobre o uso do celular, “nos tornamos dependentes deste aparelho. Penso que ao mesmo tempo que facilita também afasta a interação social e até potencializa a perda de valores sociais e familiares”, pois segundo ele, assim foi “com o avião, que foi inventado com propósito bom, hoje, usam também para soltar bombas”. Cláudio toma como base disso, seu filho Felipe, que é autista, ”que por característica da patologia tem por tendência o isolamento social, porém com o celular interage por longo período deixando até mesmo o afeto para segundo plano”.
Ironicamente, nos últimos dois anos, a internet por meio do celular e do computador, fez com que as pessoas se aproximassem uma das outras por conta da Pandemia da Covid 19, ou seja, o que nos mantinha afastados acabou nos aproximando. Que doidera!
No entanto, toda essa “aglomeração” virtual trouxe alguns vícios. Sem generalizar, mas absolutamente tudo é postado na internet. Parece que há uma ânsia muito grande em se postar tudo nas redes sociais: fotos, vídeos, acontecimentos, tudo tem que aparecer nos stories.
Sobre esse tema, José Neres, em seu livro “Azulejos de Papel Jornal”, publicado em 2019, no artigo OS DESLIMITES DO COMPARTILHAMENTO diz que, “Os aparelhos de telefonia móvel, popularmente conhecidos como celular, há muito deixaram de exercer sua função primeira e, a cada nova versão que chega ao mercado, recebe mais funções. Rapidamente tornou-se produto de primeira necessidade para muitas pessoas que têm a seu alcance, em um mesmo objeto, prático e funcional...” E ainda segundo o escritor, “de repente, diante de tanta tecnologia e de tantas possibilidades de superar as barreiras do tempo e do espaço, o homem se vê perdido dentro das próprias escolhas sobre o que pode ser ou não adequado dentro das relações sociais cada vez mais fluidas”.
Certo dia, em um restaurante, aconteceu uma cena inusitada: um grupo de jovens chegou para jantar. Sentaram-se à mesa e obviamente cada um (eram 5 pessoas, no total), pegou seu celular moderníssimo, diga-se de passagem, e começa a conversar. Gargalhadas se ouviam da referida mesa, enquanto esperavam a comida.
A garçonete se aproximou, dispôs os pratos sobre a mesa e em seguida trouxe a comida. Cada jovem pegou seu prato e no instante em que iam se servir, uma das jovens, de súbito gritou: “Espera, deixa o celular comer primeiro”. A gargalhada foi geral. Tiraram fotos e imediatamente postaram em suas redes sociais. Depois disso, todos comeram o “resto que o celular deixou”.
E todos alegres e contentes se sentiram confortados com a comida e com as conversas. Deu até para imaginar que o celular sentiu o cheiro e o tempero da comida, pois ninguém reclamou do sabor. Por fim, o grupo pagou a conta e todos levantaram, cada um com seu celular, comentando e comemorando as várias visualizações alcançadas em seus stories.
Vale lembrar que esse fato não é regra geral, mas na grande maioria, o celular hoje em dia, é mais um membro da família e, como tal, também deve ser “alimentado”.
Colunistas FT Leopoldo Vaz: “UM DIA DE CINZAS PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA”
Colunistas FT DINO DE ALCÂNTARA: “O ESGULEPE DA ILHA”
JOÃO MOHANA JOÃO MOHANA, FINALMENTE, PASSOU A INTEGRAR O PANTEON MARANHENSE
Carnaval/27 Euclides Moreira Neto: “CARNAVAL NÃO SE FAZ NO SILÊNCIO”
Renata Barcellos “O Folclore brasileiro”, por Renata Barcellos
ELOY MELONIO ELOY MELONIO: “CONVERSA VAI, CONVERSA VEM...” Mín. 10° Máx. 23°
Mín. 14° Máx. 24°
Chuvas esparsasMín. 10° Máx. 14°
Chuva
Marco Neves De Homero ao autoclismo português: 3000 anos de grego
Esmeralda Costa ACLC celebra cinco anos de existência cultural e escreve página histórica
Coronel Carlos Furtado FALMA: unidos, conquistamos espaço para a literatura maranhense
Academias Brasil/Exterior Coirmãs JOÃO AURÉLIO DO VALE: “ENQUANTO HOUVER QUEM CARREGUE ESSA BANDEIRA, A HISTÓRIA DO MEU PAI NÃO IRÁ MORRER”