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Confidências sanfranciscanas de uma maranhense nos Estados Unidos

Fátima Melo mora em San Francisco, na California (EUA), há 18 anos.

23/04/2022 às 21h31 Atualizada em 23/04/2022 às 22h41
Por: Mhario Lincoln Fonte: Fátima Melo
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Fátima Melo.
Fátima Melo.

Em Outubro/2021 completei 18 anos morando nos Estados Unidos. Especificamente em San Francisco, na California.

Nesse ano de pandemia, entre Setembro/2020 a Setembro/2021, posso dizer que foi o mais triste que já passei na América, com as devidas compensações, logicamente, pois precisei ser forte para não pirar de vez.  

No entanto, aos 68 anos cheguei à maioridade (18 anos), no melhor País do mundo. E isso não tem preço.

As mortes de conhecidos, ocorridas pelo COVID-19, me abalaram bastante. As viagens que fazem parte da minha vida, foram cortadas e também canceladas, com exceção da minha ida para o Brasil em dezembro/21, para matar a saudade dos familiares e amigos em São Luís-MA. Lá tive a honra de almoçar com meus amigos Uimar Junior (anfitrião), Mhario Lincoln e Veridiana Lincoln.

Ganhei da minha chefe as passagens aéreas, ida e volta, na primeira classe. Ganha quem merece e eu mereci.

No Brasil também foi outro pesadelo, pois fiquei receosa de sair. Sou precavida, uso máscara  e mantenho distanciamento, o que pouco vi por essas bandas tupiniquins.

A minha mãezinha, com quase 90 anos, sofrendo com a última vértebra  fraturada, não pode passear comigo como sempre fazíamos, tomando água de coco nas praias de São Luís-MA, indo a restaurantes e shoppings, etc. Foi de cortar o coração vê-la nesse estado.

Fiquei 15 dias com ela na capital do Maranhão, revendo meu filho e netos e 5 dias em São Paulo com o filho mais jovem. Nem para o Litoral Santista eu desci para ver minha irmã. Como consolo, minha sobrinha e afilhada veio com o esposo me dar um abraço. Fiquei feliz.

Logicamente tive que fazer os testes COVID na ida e na volta da viagem, haja vista não ser vacinada, e ter optado pelo tratamento profilático, que até agora vem fortalecendo minha imunidade, gracas a Deus. 

Não quero entrar no mérito desse assunto mas, ao invés de falarem sobre mim como não vacinada, por favor me chamem de sangue puro.

Mas, como tudo tem um preço e às vezes bem alto, estou sofrendo muita pressão  aqui por não ser vacinada. 

Não posso fazer Academia nem entrar em restaurantes,  bares e shows; não sou chamada para fazer extras em outros trabalhos, sem falar nos comentários de algumas pessoas que me consideram uma mulher ignorante.  

Me sinto um monstro, mas de bem comigo mesma, o que é mais importante para mim.

Felizmente minha patroa pensa diferente pois,  apesar de defender a vacina, falou que eu não devo fazer nada contra a minha vontade.

A criança que cuido, agora com 3 anos e meio,  começou  o  período  integral na escola bilíngue (Espanhol e Inglês), das 8am às 3pm.

Dessa forma, fiquei com as manhãs livres, mas a mãe manteve o mesmo salário que recebia anteriormente, sem desconto das horas não trabalhadas. 

Essa patroa realmente caiu do céu.

Fiz uma pequena viagem a trabalho com a família, aqui por perto. Ficamos em "Pebble Beach" e visitamos "Monterrey". Trabalhando ou não, viajar sempre me fortalece.

Em Junho fui a "Memphis", no Tennessee, visitar um casal amigo do Brasil que mora lá. Passei 3 dias com eles, mas foi o suficiente para recarregar a bateria e aliviar o meu estresse.

Com esse sedentarismo todo devido a pandemia, a diversão continua sendo tomar um vinho em casa nos finais de semana e ir para o trabalho nos dias úteis. Também  fazendo extras quando a patroa viaja.

Não consigo ficar parada e, com esse marasmo, ganhei de presente um aumento, não de salário, mas de dores nas costas. 

Agora, o programa de sábado vem sendo fazer um Combo de acupuntura, ventosas, eletrodos, infravermelho e massagem. Só está  faltando a meditação para eu ficar Zen.

Realmente, eu joguei pedra na cruz.

Já pensando na aposentadoria Americana e no meu retorno para o Brasil apos os 70 anos, comprei meu apartamento na planta, em São  Paulo. Ficará pronto em 3 anos.

Se vou morar lá ou se comprei apenas para investir, ainda não sei. O futuro a Deus pertence, mas temos que fazer a nossa parte e isso tenho certeza que faço muito bem.

Sem mais assuntos para comentar nessa fase chata, vou ficando por aqui. 

Beijos no coração  de vocês

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