Quando os anjos dizem Amém!
Mhario Lincoln
Nunca havia me preocupado com minha vida. Achava-a farta demais e ampla demais. Tudo parecia incrivelmente tranquilo com prazo de validade interminável. Todavia, algo me fez ver uma outra realidade.
Antes disso, minha vaidade, meus "eus" - eu sou isso, eu fiz isso, eu sou o melhor nisso, naquilo - a cada dia colaborava para a derrocada total. Principalmente porque tal autoincentivo exacerbado e comparativo, bem lá no fundo, demonstrava minha verdadeira fragilidade. Até então, imperceptível para mim; não para os outros.
Muitas vezes numa mesa, numa reunião familiar ou não, bastava alguém tocar ou elogiar um outro alguém para que meu balão egoico se oxigenasse: "eu também fiz. E fiz até melhor...". Claro que a partir daí, as pessoas arrumavam rapidamente uma desculpa para me deixar falando sozinho sobre meus feitos extraordinários.
E foi exatamente aí, nessa "vaibe" imperceptível de ignorância moral que meu Mundo foi ruindo, até chegar a uma situação bem difícil em minha vida profissional, mental, espiritual e familiar. Mas como há Deus e Deus procura suas ovelhas desgarradas, aparece uma figura ímpar para me trazer de volta a realidade: Wladimir de todos os Moreiras, Santos, Antonios, Franciscos, Josés...
Através de seus conselhos, dos puxões de orelha e da hombridade desse amigo, houve uma reviravolta incrível em minha vida e eu passei a vivê-la de forma real, sem os sistêmicos autoelogios, responsáveis por uma degradação moral quase sem volta.
Aprendi muito. Especialmente respeitar o outro. O interlocutor. Disse-me Wladimir, certa vez: "Mhario querido, se coloque na situação de um interlocutor que só ouve autoelogios e mais elogios, elogios... como ele deve ficar? Você acaba sendo desrespeitoso com ele. Isso é discriminatório, frágil e desonesto (...)". Como se vê, nosso amigo Wlad estava coberto de razão.
A partir daí, Wladimir passou a ser o meu guru. Meu orientador. Tirávamos duas horas por dia para conversarmos, trocar ideias e fazer avaliações, sempre no começo da noite, para contar as experiências do dia. Foi difícil compreender que a beleza da pessoa está muito mais na simplicidade, que na sabedoria. Porque não existe sabedoria sem simplicidade. Wlad sempre repetia uma frase de Khalil Gibran: “A simplicidade é o último degrau da sabedoria". E isso é uma grande realidade.
Bem, no decorrer desses 28 anos de mudança (árdua), minha vida melhorou. E muito. Hoje, eu e Wladimir, nos falamos quase que diariamente pelo "zap". E eu sempre renovo meu voto de gratidão. Aliás, ser grato é o ponto de partida de quaisquer que sejam as mudanças. E devem sempre ser tríplices: mental, espiritual e consuetudinário.
Desta forma, Wladimir é uma pessoa a quem sou grato e continuarei sendo, porque são esses anjos que aparecem - pela mão de um Poder Superior - para minimizar os sofrimentos da alma, causados por nós mesmos. Por ignorância, soberba e inapetência de olhar além do nariz.
Que assim seja, sempre!
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