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De Joiza Costa: "Como não se render a genialidade de Maria Firmina dos Reis?"

“São vastos e belos os nossos campos; porque inundados pelas torrentes do inverno semelham os oceanos em bonançosa calma".

09/05/2022 às 10h35 Atualizada em 11/05/2022 às 14h19
Por: Mhario Lincoln Fonte: Joiza Costa
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Joiza Costa e a capa/Úrsula.
Joiza Costa e a capa/Úrsula.

Joiza Costa, colaboradora do facetubes, a convite da Academia Poética Brasileira.

Neste ano em que comemora-se o bicentenário de Maria Firmina dos Reis, disponho-me a trazer minhas observações em comentários a respeito da genialidade de Maria Firmina no romance Úrsula. Uma narrativa de qualidade esmerada, composta por uma sabedoria de contexto e excelente uso da palavra.

A narrativa de Firmina é absolutamente detalhada rica em aspectos físicos, emocionais e psicológicos, remetendo o leitor a um mergulho profundo em uma história que retrata tempos remotos que infelizmente revelam dor, sofrimento e roubo da dignidade humana.

Quero ressaltar a poética contida na prosa de Firmina, logo no início do romance encontro um desfraldar poético magnifico e vasto habitando o solo da prosa de forma espetacular, revelando a associação entre inteligência e sensibilidade contidas em tão excelente escritora.

São vastos e belos os nossos campos; porque inundados pelas torrentes do inverno semelham os oceanos em bonançosa calma – branco lençol de espuma, que não lhe ergue marulhadas ondas, nem braço irado, ameaçado insano quebrar os limites que lhe marcou a onipotente mão do rei da criação".

Esse aspecto poético prosaico se estende durante toda a narrativa enriquecendo a escrita de forma substancial e eloquente, exigindo do leitor atenção e semelhante sensibilidade para perceber não só os aspectos narrativos que são riquíssimos, como também o aspecto poético que está inerentemente presente na prosa. Ela proseia poetizando em vários trechos da obra. Toda a narrativa de Maria Firmina dos Reis se faz de detalhes. “Nesta ocasião, a lua era perpendicular ao topo da cruz, e a noite derramava sobre ela seu choro algente e triste”. Foram esses detalhes de riqueza narrativa que com certeza levaram a sua literatura a um patamar de excelência que só os grandes escritores possuem. 

A poética magnífica contida na narrativa de Maria Firmina dos reis, com certeza merece destaque a parte.

Brilhavam ainda ao acaso os últimos raios do sol. A parda tarde embelezava a natureza com essas melancólicas cores, que trazem ao coração do homem a saudade e a tristeza”.

"A essa hora mágica em que a flor singela e sedutora escuta enlevado suspiro segredo da brisa que a festeja [...] em que a virgem entregue a um vago, indefinível e mágico cismar recende mais casto, mais enlevador perfume como o aroma de uma flor celeste".

Viva Maria Firmina dos Reis!

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