SOBRE O LIVRO “NO SEMBLANTE DO COTIDIANO – risos de marés e lágrimas de um sol posto.
EU VEJO HUMANIDADE
Recebi o livro de crônicas da escritora ajebiana Wanda Cunha ontem à tarde, em meio a muita agitação, mas não pude deixar de folhear, olhar a capa, a contracapa, um pouco do prefácio e a epígrafe (de imediato) e fui arrebata pela epígrafe - uma frase de Carlos Cunha (professor, escritor, jornalista e pai da nossa escritora):
“há na verdade, duas histórias. Aquela feita para agradar a príncipes e reis, que transforma heróis em traidores e vice-versa. Por outro lado, existe a história autêntica, verídica, que não faz concessões aos donos do mundo, contando e narrando os fatos como ocorreram, sem deturpações”
Essa epígrafe puxa a gente para dentro do texto. A epígrafe em si já é todo um lavrado, nos faz sentir o clima do livro. Sobretudo, nos leva à reflexão sobre a forma como são contadas as histórias da humanidade, sob que ponto de vista... ela atiça nosso senso crítico.
Esse é o magnetismo inicial, mas Wanda vai nos enovelando mais ainda a cada título, a cada início. Na primeira sessão “satíricas”, as crônicas que retratam determinados momentos históricos são, ao mesmo tempo, atemporais, uma vez que a velha política ainda resiste. A exemplo da crônica “independência ou morte” que, como todo bom texto, nos prende nas primeiras linhas, e a gente não tem outra alternativa, senão ler o texto todo. (ler p.41)
Ao ler essas crônicas me vem à cabeça a primeira frase do romance Anna Kariênina, de Liev Tolstói: Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira, pois assim como o escritor russo, Wanda gera impacto e transmite uma emoção instantânea com as palavras mais simples possíveis.
O início do livro/texto é capaz de fazer a gente atravessar todo o livro/texto. Os textos chamam atenção por si mesmos. As histórias são boas, sem maquiagem, sem rebuscamento e exibicionismo literário. O que chama atenção nas crônicas de Wanda é a história em si (o conteúdo). Os textos dela servem às ideias que quer transmitir, com uso de linguagem simples, clara, concisa... Sem modismo, sem preocupação com os excessos, sem elaborações complicadas, sem conceitos difíceis de entender. Ela usa palavras acessíveis.
No que se refere à concisão, as crônicas deslizam, vão leve. Ela escreve só o que precisa escrever; ela pensa no leitor; diz tudo o que pode dizer com o menor número de palavras e termos mais simples; respeita o tempo do leitor. É breve sem ser curta.
Mas há algo que me chama muito mais atenção nessas crônicas, a HUMANIDADE. O que a gente sente no livro de Wanda é que há um ser humano falando para outro ser humano com humanidade. É isso, se o escritor que ser ouvido ou lido, ele precisa ter algo de interessante a dizer e precisa dizer algo que possa ser dito de maneira concisa, clara e com um jeito humano. A exemplo, cito as crônicas no ponto turístico da fome e psicanálise no coletivo.
E por fim, Wanda é clara, seus textos estabelecem uma comunicação efetiva e afetiva com quem os lê.
(Anna Liz, escritora, professora, presidente da AJEB-MA)
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